13 sinais de alerta de que você pode estar com reumatismo

Reumatismo não é uma única doença em si, mas um termo genérico utilizado para caracterizar mais de 120 enfermidades diferentes que afetam, principalmente, as articulações, embora também possam afetar os sistemas respiratório, gastrointestinal e a pele, entre outras partes do corpo.

O grupo de doenças que afetam os tecidos conjuntivos (articulações, ossos, músculos, tendões e ligamentos) é chamado de reumáticas. De acordo com o Ministério da Saúdeelas afetam aproximadamente 12 milhões de brasileiros. As mais comuns são osteoartrite, artrite reumatoidelúpus, gota, osteoporose, tendinites, bursite, gota, febre reumática e fibromialgia.

As doenças são em geral caracterizadas por dores e restrições dos movimentos. Algumas doenças reumáticas podem comprometer outras partes e funções do corpo humano, como coluna vertebral, rins, coração, pulmões, olhos, intestino e até a pele. Elas podem acometer crianças, jovens, homens e mulheres em qualquer etapa da vida.

Já a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que 20 milhões de brasileiros podem sofrer com os efeitos do reumatismo. A osteoartrite – também conhecida como artrose – é a mais frequente, representando de 30 a 40% das consultas em ambulatórios de Reumatologia. Para conscientizar sobre esses problemas de saúde, o dia 30 de outubro foi escolhido para ser o Dia Nacional da Luta contra o Reumatismo.

Para a médica Virgínia Fernandes Trevisani, professora de Reumatologia da Universidade Santo Amaro (Unisa), é importante estar atento aos sintomas e buscar orientação de um profissional da saúde para o tratamento adequado. “Dores e inchaço nas articulações, vermelhidão e dificuldade para se movimentar ao acordar podem ser indicadores de que algo não está bem”, explica a médica.

A incidência é maior em mulheres, que representam 60% dos casos no país. Fatores como envelhecimento, práticas esportivas de alto impacto e doenças articulares sobrecarregam a estrutura das articulações, prejudicam a mobilidade e promovem desgaste, dores, inflamação e rigidez.

As dores aumentam consideravelmente no clima frio porque fazem os músculos ficarem mais contraídos e menos flexíveis. Além disso, para manter a temperatura do corpo nesse clima, os vasos sanguíneos diminuem o fluxo de sangue nos músculos, fazendo com que seja mais difícil fazer exercícios. Para esses casos, o ácido hialurônico e o colágeno tipo II atuam na saúde articular, mobilidade, resistência e proteção.

Como diferenciar o conjunto de doenças

O reumatologista Marcelo Pinheiro, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR), explica que as doenças reumáticas apresentam uma heterogeneidade grande de sintomas e dois polos principais de envolvimento. “O primeiro deles é constituído por doenças com espetro inflamatório ou autoimune, que acometem jovens, sobretudo mulheres”, aponta.

Nesse grupo estão incluídas artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica, vasculites, miopatias e espondilite. Já o segundo está associado com o próprio envelhecimento, como osteoartrite, gota e doenças degenerativas da coluna”, completa Pinheiro.

Além disso, existem as queixas musculoesqueléticas relacionadas à sobrecarga mecânica (tendinites, bursites e problemas da coluna) e sensibilização à dor, como a fibromialgia. Apesar de terem especificidades, as doenças reumáticas apresentam alguns sintomas em comum. “Para ter um diagnóstico correto, inclusive de qual condição reumática pode estar te afetando, procure um reumatologista”, ressalta.

Conheça os 13 principais sinais de alerta do reumatismo

  1. Dor em mais de duas articulações, especialmente nas dos pés ou das mãos
  2. Fadiga e fraqueza muscular
  3. Febre
  4. Perda de peso
  5. Distúrbios do sono
  6. Anemia
  7. Rigidez matinal prolongada (mais de 30 minutos)
  8. Dor no corpo que melhora com atividade física, mas piora em repouso, levando o paciente a acordar durante a noite para se exercitar
  9. Dor local, mas com ausência de trauma
  10. Inchaço nos ligamentos e tendões
  11. Lesões de pele
  12. Olhos ressecados e avermelhados
  13. Má resposta clínica ao primeiro tratamento

Existe reumatismo no sangue?

A resposta é não, afirma o especialista em Imunologia da Clínica Croce, Leonardo Oliveira Mendonça. “É muito comum o paciente dizer que tem ‘reumatismo no sangue’, quando se refere à febre reumática, uma doença infecciosa das amígdalas que afeta mais as crianças, ou quando tem osteoartrose ou artrite”.

Ele ainda esclarece: “Reumatismo é um termo antigo, ainda usado pela população leiga, para descrever um grupo de doenças que acometem o sistema muscular e osteoarticular de origem não traumática. Normalmente, este termo é empregado quando existe alguma doença que acomete a articulação, principalmente a artrite. Contudo, diversas doenças podem se manifestar como artrite.

Lombalgia – Dr Mendonça explica ainda que a lombalgia – dor na coluna lombar, ou seja, aquela dor na parte de trás da coluna que pode ser de diversas etiologias e causas – não é uma doença e sim um sintoma. Segundo ele, pode ser sinal desde uma doença inflamatória chamada espondilite anquilosante até uma dor muscular que reflete como uma dor lombar.

A lombalgia sistêmica apresenta alguns sinais de alerta, que faz a pessoa despertar com dor na madrugada e acordar pior, além de apresentar perda de peso e olhos vermelhos associados. Mas a lombalgia é sintoma de outras causas, como carregar o peso errado e hérnia de disco. Por isso é importante uma avaliação medica especializada”, esclarece.

6 doenças que atingem o sistema muscular e osteoarticular

Seis doenças fazem parte do grupo que atinge o sistema muscular e osteoarticular. Conheça abaixo cada uma delas:

  1. Bursite – é a inflamação da bolsa sinovial, uma estrutura cheia de líquido localizada entre um tendão e a pele, ou entre um tendão e o osso, com função de amortecimento, auxílio no deslizamento dos tecidos e sua nutrição.

A causa mais comum de bursite é a repetição de movimentos em determinadas articulações ou posições que possam causar danos às bursas. Isso pode acontecer nas seguintes situações:

– Lançar bolas ou levantar algo sobre sua cabeça repetidamente.

– Apoiar-se nos cotovelos por longos períodos de tempo.

– Ajoelhar-se por muito tempo.

– Ficar muito tempo sentado, principalmente em lugares pouco confortáveis e com superfícies duras.

– Alguns bursas, como no joelho e cotovelo, ficam logo abaixo da pele. São esses os locais do corpo com maior risco de traumas que podem ocasionar a bursite.

“O primeiro passo para o tratamento envolve, basicamente, algumas medidas constantemente sugeridas por médicos, como repouso, aplicação de gelo no local da lesão e o uso de analgésico para a dor. Dependendo do paciente, essas medidas bastam para tratar a bursite. Mas caso elas não sejam suficientes, o médico pode oferecer outras formas de tratamento”, explica o especialista da Clínica Croce.

2. Artrite – A artrite reumatoide é uma doença autoimune, quando o corpo produz um anticorpo contra a ‘capinha’ da articulação. “Os sintomas são dores nas articulações, principalmente das mãos, que é pior no período da manhã, conhecida como rigidez matinal. Ela é causada por alterações genéticas em alguns compartimentos do sistema imunológico”, explica Dr. Leonardo.

O tratamento pode ser com medicamentos ou não. O medicamentoso é à base de imunossupressor e medicações que diminuam as atividades imunológicas. Os tratamentos não medicamentosos são mudanças de alguns fatores que podem piorar as lesões das articulações, como evitar o tabagismo, fazer exercício físico, fisioterapia e, às vezes, é necessário aplicar injeção de corticoide dentro das articulações. Só o especialista é capaz de determinar o melhor tratamento a seguir.

3. Fibromialgia – quando a pessoa começa a desenvolver dores difusas pelo corpo, com alterações do sono e também alterações psiquiátricas. Normalmente há depressão associada. Esta doença não tem uma causa conhecida ainda.

O tratamento é feito com medicamentos psiquiátricos associados à mudança de estilo de vida, como evitar o tabagismo, fazer exercícios físicos, praticar yoga e outras medidas que melhorem a autoestima e a recuperação do sistema imunológico.

4. Lúpus – É uma doença autoimune que faz com que o corpo não reconheça as próprias células, destruindo-as. Os sintomas podem surgir em vários locais do corpo, como na pele, lesões e manchas da face, conhecida como lesão de asa de borboleta. Pode ser na articulação (artrite), no rim (nefrique), no sistema imunológico (com manifestação psiquiátrica) e no sistema hematológico (anemia autoimune). 

“O exame para triar e diagnosticar é o FAN, que precisa ser muito bem interpretado. O tratamento também é com imunossupressor e uso de corticoides para poder baixar as atividades do sistema imunológico”, explica Dr. Leonardo.

5. Gota – É um defeito no metabolismo do ácido úrico. Como ele tem uma forma de depósito gravitacional, é mais comum se acumular nas juntas dos membros inferiores. Por isso que, geralmente, as crises de gota estão relacionadas à artrite, uma inflamação das articulações no pé.

As causas são diversas, desde excesso de bebida alcoólica ou doenças genéticas que levam à gota, até doenças metabólicas como diabetes, hipotireoidismo, pressão alta.

O tabagismo também favorece a alteração do metabolismo e o excesso de ácido úrico. Medicamentos que diminuam a quantidade de ácido úrico livre no plasma e façam excretar o ácido úrico no rim ou no intestino são utilizados para o tratamento da doença.

6. Osteoporose – É um defeito no metabolismo ósseo, que faz o osso ficar mais fraco com facilidade de fratura. A osteoporose pode ser primária, quando não tem nenhuma condição que justifica o osso fraco, ou secundária, que pode surgir em decorrência da menopausa, uso de corticoide e várias outras condições. Ela também pode ter causa genética. 

Ingestão de cálcio e vitamina D fazem parte do tratamento. A exposição ao sol também é importante para pessoas com osteoporose, já que há o aceleramento dessa vitamina, que na verdade é um hormônio”, finaliza a explicação o especialista da Croce. 

Alimentação também pode ajudar a combater reumatismo

Além do tratamento médico e prática de exercícios físicos com orientação de um profissional habilitado, há outro ponto importante para manter os sinais e sintomas do reumatismo sob controle: a alimentação. De acordo com a nutricionista Anna Carolina Diniz, há diversos alimentos que podem contribuir para amenizar as dores articulares decorrentes das doenças reumáticas.

Um dos mais conhecidos é a couve. Por ser rica em cálcio e magnésio, minerais que, juntamente à vitamina D, dão sustentação aos ossos, a couve é um dos vegetais mais recomendados para aliviar dores e inflamações nas articulações”, explica a nutricionista.

Veja alguns alimentos que podem auxiliar:

1.     Sardinha/ Atum /Salmão / Arenque – rico em cálcio- vai atuar na sustentação óssea e ômega 3 – anti-inflamatório natural e potente, aliviando as dores

2.     Azeite – rico em antioxidantes, que protegem o organismo dos radicais livres e consequentemente de desenvolver outras doenças reumáticas

3.     Abacate / Linhaça – fonte de ômega 3 – anti-inflamatório natural e potente, aliviando as dores

4.     Aveia – rico em vitamina E –  antioxidante potente

5.     Castanha-do-pará / Nozes / Avelã – ricos em Zn – antioxidantes que potencializam a imunidade

6.     Alho – rico em alicina , anti-inflamatório e imunomodulador

7.     Batata-doce– rico em vitamina A , fortalece o sistema imunológico

8.     Brócolis – rico em cálcio, como a Couve

9.     Banana – rica em triptofano, precursor da serotonina, que melhora o humor. Estes pacientes sentem muitas dores. Quanto mais bem-estar podemos dar, melhor.

10.  Manga – rico em betacaroteno e ácido gálico- potentes antioxidantes

11.  Chá-verde – a epigalocatequina do chá verde já é estudada como um bom controlador das doenças reumáticas: como anti-inflamatório e pela diminuição do edema das articulações

12.  Pimenta – anti-inflamatório natural potente, aliviando as dores

13.Cereais integrais – ricos em fibras, melhoram a função intestinal, eliminando mais substâncias nocivas ao organismo.

Ebook gratuito sobre doenças reumáticas

A informação é a melhor solução para a detecção e tratamento precoce, o que influencia na qualidade e prolongamento de vida. Para reforçar o mês de outubro tão importante para a Reumatologia e mais precisamente o dia 30, a Clínica de Reumatologia Prof. Dr. Castor Jordão Cobra promove uma série de ações educativas em seu site e redes sociais.

Um dos destaques é o lançamento do e-book gratuito Mãos e Punhos – Dores, Causas e Tratamentos, que pode ser baixado no site da clínica. Com edição da KPMO Cultura e Arte, a publicação foi lançada nesta quarta-feira (28) pelo médico reumatologista Felipe Mendonça de Santana. Com coordenação editorial de Keila Prado Costa, o ebook aborda doenças como Artrose, Artrites, Síndrome do Túnel do Carpo, entre outras.

Aproveitando o mês das crianças,  a médica Gabriela Balbi abre espaço para falar sobre Reumatologia Infantil. Nos mesmos canais, uma série de vídeos abordou a osteoporose, com a reumatologista Jaqueline Barros.

Com Assessorias

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