20 transtornos mentais podem causar o suicídio

Psiquiatras recomendam solidariedade e compreensão com quem demonstra estar em risco

Rosayne Macedo
Psiquiatra Analice Gigliotti mostra sinais de que a pessoa pode tentar o suicídio (Foto Divulgação)
Psiquiatra Analice Gigliotti mostra sinais de que a pessoa pode tentar o suicídio (Foto Divulgação)
Psiquiatra Analice Gigliotti cita transtornos mentais que podem levar ao suicídio (Foto Divulgação)

“A vida não vale a pena”, “vocês ficariam melhor sem mim” e “em breve não vou mais causar problemas”… Frases como estas podem ser os sinais de que a pessoa encontra-se tão transtornada a ponto de atentar contra a própria vida. A isso se ligam comportamentos como isolamento, falta de esperança no futuro e baixa autoestima. Por isso, é preciso redobrar a atenção. De acordo com especialistas, há cerca de 20 transtornos mentais que podem levar alguém ao suicídio.

Entre os mais comuns estão aqueles causados pelo uso de substâncias, a anorexia nervosa, o transtorno bipolar, a depressão e o transtorno de personalidade borderline. “O importante é que o transtorno original seja identificado e devidamente cuidado”, explica o psiquiatra Gabriel Bronstein, do Espaço Clif, em Botafogo (RJ).

Ele lembra que a grande maioria dos casos de suicídio – 9 em cada 10, segundo a OMS – poderia ser evitada, caso a vítima recebesse auxílio. “Os números oficiais da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostram que 98,8% dos casos de suicídio estavam relacionados com histórico de doença mental. Por isso, é fundamental o atendimento de um psiquiatra ao ser verificado algum indício”, relata o médico.

Como identificar os riscos e lidar com o problema

Se antes o tema era um tabu que levava a sociedade a se manter em silêncio, hoje os números mostram que a estratégia tem de ser outra. É preciso falar abertamente sobre o assunto como forma de prevenção. E saber como abordar quem sofre de transtornos mentais e demonstra estar em risco faz toda a diferença. Neste mês, a campanha Setembro Amarelo é dedicada a debater o assunto e informar a população sobre a questão.

A psiquiatra Analice Gigliotti, diretora da Espaço Clif e chefe do setor de Dependência Química e outros Transtornos da Santa Casa de Misericórdia do Rio, dá algumas dicas para identificar os riscos e lidar com o problema:

Carinho e solidariedade –  É preciso demonstrar solidariedade a quem pensa em cometer suicídio ou já tenha tentado se matar. Demonstrar amor, carinho e compreensão são as chaves para começar a enfrentar o problema, seja em família ou entre amigos.

Não julgar – Jamais devemos julgar quem pensa em cometer ou já tentou o suicídio. Não há qualquer problema em se perguntar diretamente se alguém pensa em se matar. Na verdade, o suicida em potencial quer e precisa ser ouvido, mas muitas vezes não encontra essa possibilidade.

Não fazer cobrança – Durante a conversa com quem passa pelo problema, jamais deve haver qualquer tipo de cobrança. Expressões do tipo “Como você pode fazer isso comigo?” ou “Como você teve coragem?” não devem ser utilizadas. Além de encarar o problema de frente, é fundamental a busca de auxílio médico.

Pensamento que acaba – Segundo Bronstein, o suicídio é um pensamento que acaba. Após o tratamento, quem superou essa situação pode nunca mais passar por isso. Cabe ao profissional identificar o tipo de transtorno mental associado ao pensamento suicida e iniciar o tratamento, que pode incluir uso de medicamentos e psicoterapia.

Setembro Amarelo: suicídio cresce no Brasil

O suicídio já mata, em média, 32 pessoas por dia no Brasil, oitavo país no mundo com essa triste estatística. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um brasileiro comete suicídio a cada 45 minutos. O total de mortes já é superior às causadas pela Aids e a maioria dos tipos de câncer.

A proporção de jovens vem crescendo aceleradamente na taxa de suicídio. Dados do Mapa da Violência mostram que os suicídios aumentaram 33% nos últimos 10 anos entre pessoas de 15 a 29 anos. Em 2014, foram 2.898 casos de pessoas desta faixa etária. Outras 146 cometeram suicídio antes dos 15 anos.  Segundo a OMS cerca de um milhão de pessoas se suicidam por ano no mundo.

Justamente com o objetivo de reverter o aumento crescente das mortes surgiu no Brasil, em 2014, o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio. Iniciada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha aborda a tentativa e a concretização do ato de se matar como um problema de saúde pública. O dia 10 de setembro é o preconizado pela ONU para a prevenção do suicídio.

Talk show – Para chamar a atenção para o problema, a campanha Setembro Amarelo busca esclarecer e prevenir. No Rio de Janeiro, o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI), no Hospital São Francisco na Providência de Deus, está com uma programação especial.  Nesta segunda-feira, dia 18, a partir das 14h, integrantes da equipe multidisciplinar do PAI vão participar de um talk show sobre o assunto. Psiquiatra, psicóloga, terapeuta ocupacional, nutricionista, enfermeira e educador físico vão responder a perguntas da plateia. A programação tem entrada franca e vai ser realizada no auditório do Hospital, que fica à Rua Conde de Bonfim 1.033, na Tijuca.

Fonte: Espaço Clif e Hospital São Francisco da Providência de Deus, com Redação

 

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