5 motivos para os homens cuidarem mais da saúde

Médico urologista chama atenção para câncer de próstata, disfunção erétil, doenças cardiovasculares e osteomusculares e capacidade cognitiva

Muitas doenças podem ser prevenidas quando os homens procuram um profissional de saúde para consultas ou mantêm os exames em dia. O problema é que nem todos colocam isso em prática. Dados do Programa Nacional de Saúde (PNS) revelam que 76,2% da população foram ao médico em 2019. A proporção de mulheres (82,3%), no entanto, foi bem maior que a dos homens (69,4%).

Com a pandemia da Covid-19, os cuidados precisam ser redobrados. Segundo o Ministério da Saúde (MS), as coletas do antígeno prostático específico (PSA) e de biópsia da próstata que, com o exame de toque retal, diagnosticam a doença, sofreram queda de 27% e 21%, respectivamente, entre 2019 e 2020. As consultas urológicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) caíram 33,5% no mesmo período.

Com o avançar dos anos, segundo projeções recentes do IBGE, os homens viverão em média até os 76 anos, aumentando ainda mais a necessidade de prestar atenção aos cuidados de saúde. Isso porque a prevenção resultará não apenas no bem-estar no tempo presente como também garantirá um envelhecimento sem perda de função e com qualidade de vida nos anos a mais.

Neste mês de novembro, o médico urologista José Carlos Truzzi, chama a atenção para os cuidados com a saúde do homem e lista cinco principais motivos para isso. A primeira preocupação desta lista – e motivo pelo qual o Novembro Azul é lembrado todos os anos – é o câncer de próstata, doença que acomete, sobretudo, homens com mais de 50 anos.

“Vale reforçar a importância de manter os cuidados em dia, bem como o diagnóstico e o tratamento desse e de qualquer outro tipo de câncer. É importante lembrar que quando pensamos em saúde do homem, também é preciso estar atento a outras condições, tais como: problemas de origem osteomuscular e doenças cardiovasculares, neurológicas e disfunção erétil”, destaca o especialista, que atua como coordenador da Urologia do Grupo Fleury.

1. Câncer de próstata

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para 65.840 novos casos de câncer de próstata a cada ano, entre 2020 e 2022. Essa neoplasia é a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil. A maior incidência ocorre a partir dos 50 anos, idade em que os exames preventivos devem entrar no “radar” dos cuidados com a saúde masculina. Como a maioria das neoplasias, o câncer de próstata não tem sua razão completamente conhecida.

Contudo, sabemos que má alimentação, obesidade, tabagismo e excesso no consumo de álcool podem afetar o início ou a progressão da doença. A genética também é um fator-chave para o desenvolvimento desse tipo de câncer, pois de 5% a 10% dos casos são hereditários. “Quem possui parentes em primeiro grau acometidos pela doença, como pai e irmãos, tem de 2 a 10 vezes mais chances de desenvolvê-la do que o restante da população masculina”, alerta Truzzi.

Por isso, quem tem histórico familiar deve fazer os exames mais cedo, por volta dos 45 anos. Vale lembrar que o crescimento benigno da próstata pode ocasionar sintomas que se confundem com o câncer e que, necessariamente, não estão relacionados a esta doença. Na dúvida, procure um especialista.

Ele ainda alerta para que os homens fiquem mais atentos aos sinais de câncer de próstata: dificuldade e dor ao urinar, perda do controle da bexiga ou intestino, dor lombar, na bacia ou nos joelhos, disfunção erétil, sangramento pela uretra, dor nos testículos e fraqueza ou dormências nas pernas ou nos pés não podem ser desprezados.

2. Disfunção erétil

A disfunção erétil é a incapacidade de apresentar uma ereção que permita manter uma relação sexual. Ela pode ter diversas origens. Dentre as origens orgânicas, pode surgir como um fenômeno vascular, consequência de alterações hormonais ou de dependência do uso de alguns medicamentos, ou, ainda, decorrente de problemas anatômicos, entre outras causas.

O que pouca gente sabe é que, dentre as causas orgânicas, um contingente preocupante delas está ligada a problemas cardiovasculares. Um estudo publicado pela Universidade da Austrália mostrou que homens com mais 45 anos, sem histórico de problemas cardíacos, mas com disfunção erétil moderada ou grave, são até oito vezes mais predispostos a ter insuficiência cardíaca em comparação com aqueles que não apresentam o problema.

3. Doenças cardiovasculares

Ainda que a mortalidade em decorrência de problemas cardiovasculares tenha crescido entre o sexo feminino nos últimos anos, os homens ainda morrem mais. Os fatores de risco para desenvolver as doenças cardiovasculares são hipertensão, tabagismo, sobrepeso, sedentarismo, colesterol elevado, ou seja, estão totalmente ligados ao estilo de vida.

Por isso, adotar hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos e ter uma dieta equilibrada, são fundamentais. Consultar periodicamente um médico e realizar um checkup é importante – mesmo para homens mais jovens – para identificar os potenciais riscos pessoais e familiares.

4. saúde osteomuscular

Para quem quer viver mais, deseja desfrutar o tempo conquistado com qualidade de vida, sem perder funcionalidade, é aí que entra em campo a Medicina Física e de Reabilitação – também conhecida como Fisiatria. A especialidade é dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de doenças relacionadas ao sistema nervoso, muscular e osteoarticular – sempre com foco no perfil corporal, capacidade física e motora do indivíduo.

“Ela tem uma abordagem clínica e preventiva, analisa as potencialidades de doenças osteomusculares e faz um estudo das fragilidades de cada um para evitar lesões e identificar riscos de doenças como a artrose. A partir dos 50 anos, os indivíduos precisam ter mais atenção ao aparelho osteomuscular e locomotor, pois uma lesão mais grave, por exemplo, pode comprometer funções importantes”, completa.

5. capacidade cognitiva

A partir dos 50 anos, também é indicado prestar mais atenção na capacidade cognitiva. Em razão do envelhecimento, ainda que precocemente, o indivíduo poderá perceber a produtividade caindo, dificuldade em executar atividades motoras, declínio na capacidade linguística e na memória.

“Ainda não sabemos todas as formas de prevenir e impedir o declínio cognitivo progressivo e em última análise as demências que surgem da perda cognitiva mais abrangente e intensa. Porém, sabemos que a atividade física regular, o sono calibrado e as dietas equilibradas com base em alimentos frescos e minimamente processados – como a dieta do mediterrâneo, por exemplo – são aliados da preservação da capacidade cognitiva”, explica o médico.

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