7 dicas para cuidar da saúde mental em tempos de pandemia

Psicólogas tiram dúvidas sobre a depressão no contexto da pandemia e dão orientações para evitar pensamentos suicidas

Redação

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das doenças mais incapacitantes do mundo, a depressão atinge mais de 12 milhões de brasileiros. Embora mais frequente entre mulheres, o transtorno não escolhe gênero, faixa etária ou classe social e pode, quando não tratada, levar ao surgimento de outras doenças e, até mesmo, ao suicídio. Para psicólogos, o momento atual pede atenção redobrada para sinais que podem indicar depressão.

O isolamento social é uma medida sanitária e necessária para o enfrentamento de grandes pandemias. Contudo, ele pode desencadear ou agravar manifestações psicopatológicas, aumentando o risco do desenvolvimento de um quadro depressivo”, alerta a psicóloga Tatiana Mendes Alencar, supervisora técnica de Saúde Mental do CejamCentro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim.

Em situações mais graves, a psicóloga ressalta que questões relacionadas à instabilidade financeira, vulnerabilidade social, desemprego, alterações abruptas da rotina entre outras adversidades ampliadas com o isolamento social podem contribuir para a piora de casos de depressão e riscos de suicídio. “Nesse momento, é fundamental contarmos com estratégias preventivas para diminuir o impacto da pandemia na população”.

Entre os problemas que podem surgir nesse período, a especialista cita alterações do humor, ansiedade, estresse, alterações do sono (insônia ou sono em excesso), alteração no apetite (falta de apetite ou apetite em excesso), luto patológico, abuso de drogas, transtornos de adaptação, entre outros.

A importância da campanha Setembro Amarelo

Diante desse contexto, a psicóloga Amanda Fitas reafirma a importância da campanha Setembro Amarelo para uma conscientização ampla sobre o problema. “Também mostrar que as pessoas não estão sozinhas, que elas têm um canal para conversar com outros que sentem os mesmos sentimentos e que existem outras saídas para encarar as suas dores”, destaca.

Segundo a psicóloga, ainda existe uma barreira enorme para ser derrubada, muitas pessoas não se sentem confortáveis para compartilhar suas dores ou a existência de pensamentos suicidas; muitas das vezes, não conseguem nem ao menos compreender inteiramente o que estão sentindo, preferindo ignorar os sentimentos ruins. 

O indivíduo que normalmente toma essa atitude acha que está sozinho e entende que não pertence a esse mundo. É a mesma sensação que pessoas com transtornos e depressão sentem. Elas veem que a única forma de acabar com a dor que sentem, é tirando a própria vida”, explica Amanda Fitas.

Como podemos ajudar nessa causa?

Antes de qualquer coisa, devemos escutar essas pessoas que precisam se sentir mais pertencentes. “Elas precisam ver que suas vidas fazem sentido, que existe forma de se recuperar independentemente do que esteja passando”, ressalta Amanda. Encorajar a recuperação durante uma depressão e até mesmo um transtorno, mostrar outros caminhos diferentes para lidar com seus sofrimentos e que não está sozinha.

Como perceber que a depressão do outro pode levá-lo ao suicídio?

A depressão é considerada uma das principais causas do suicídio, por essa pessoa já estar sentindo uma tristeza irremediável e uma sensação que tudo está ruim, negativo. “Para surgir a escolha de tirar a própria vida, o nível de depressão não precisa ser o mais grave. Precisamos perceber se o outro está muito triste, se está se isolando muito, se o seu ânimo mudou repentinamente do nada, o pessimismo mais frequente, esses são alguns indícios que deve ter total atenção”, ressalta a psicóloga.

Qual a importância de um psicólogo nessas situações?

Esse profissional irá acolher as dores que o outro sente e mostrar para o indivíduo que ele consegue encontrar caminhos internamente. “Ao procurar nele formas de vencer essa batalha com um psicólogo que irá ajudar a clarear a mente é fundamental. Com a ajuda de um profissional, o quadro pode ser revertido e controlar os sentimentos ruins”.

Diante da importância de trazer esclarecimento à população sobre o tema, a especialista traz recomendações que podem ser feitas em casa e que contribuem para reduzir, prevenir ou evitar essas condições.

7 dicas para fortalecer a saúde mental

1- Realize atividades prazerosas, como meditação, leitura, exercícios de respiração, artesanato, jardinagem, entre outros;

2- Evite a exposição excessiva às notícias diárias, sempre checando a veracidade das informações;

3- Pratique atividade física, que auxilia na redução dos níveis de estresse, além de liberar hormônios que trazem sensação de bem-estar físico e mental;

4- Mantenha contato com amigos e familiares, seja por telefone, videochamadas, redes sociais, etc., compartilhando sentimentos e anseios com pessoas de confiança;

5- Evite o consumo de álcool, tabaco e outras drogas para lidar com as emoções, a fim de não se torne um hábito e traga problemas futuros como a dependência de substâncias psicoativas;

6- Crie uma rotina e busque segui-la. Essa estrutura favorece o equilíbrio emocional e ajuda a reduzir a ansiedade. Isso inclui: refeições saudáveis em horários pré-determinados, manutenção do horário do sono e tempo destinado às atividades profissionais e de lazer em equilíbrio;

7- Compartilhe e participe de ações de cuidado e solidariedade, como por exemplo, campanhas solidárias ou mobilizações que o façam sentir-se parte do meio social.

Tratamentos na rede pública

Dra. Tatiana destaca, ainda, que é importante buscar ajuda especializada quando as estratégias adotadas não forem suficientes, mantendo-se atento caso os sintomas persistam ou se tornem mais intensos.

A especialista explica que o tratamento para depressão envolve diversas áreas, devendo ser feito por uma equipe multiprofissional que possibilite a troca de conhecimentos para a criação de um projeto terapêutico singular, focado nas necessidades específicas de cada paciente.

Na Saúde Pública, há serviços na Atenção Primária e na Especializada que ofertam apoio em saúde mental. Entre eles há os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), nas modalidades Adulto, Infanto-juvenil e Álcool e Drogas”, orienta.

Os CAPS são voltados ao atendimento de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo as enfermidades decorrentes do uso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas).

Como pedir ajuda?

Um importante canal a ser divulgado é o serviço de apoio emocional e prevenção de suicídio do CVV (Centro de Valorização da Vida), acessível a qualquer pessoa pelo telefone 188 ou pelo site http://www.cvv.org.br. As ligações são gratuitas em todo o país.

Saiba mais sobre o Cejam

O Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM) é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos que atua no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de ações de promoção, prevenção e assistência. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da entidade.

Fundada em 1991, a instituição atua em parceria com prefeituras locais, nas regiões onde atua, ou com o Governo do Estado, no gerenciamento de serviços e programas de saúde nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Itu, Osasco, Embu das Artes, Cajamar, Campinas, Carapicuíba e Francisco Morato. Para mais informações, acesse: http://cejam.org.br/

Com Assessorias

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