A síndrome do pai herói: o preço é alto demais

Pesquisa mostra que durante o pré-natal da parceira é a fase que o homem está mais próximo dos serviços de saúde, mas não aproveita para se cuidar
Pesquisa mostra que durante o pré-natal da parceira é a fase que o homem está mais próximo dos serviços de saúde, mas não aproveita para se cuidar
Pesquisa mostra que durante o pré-natal da parceira é a fase que o homem está mais próximo dos serviços de saúde, mas não aproveita para se cuidar

Questão cultural? Teimosia? Orgulho? Machismo? Ignorância? O fato é que os homens estão pagando caro demais por conta da sua já conhecida aversão a cuidarem da própria saúde. Uma pesquisa apresentada nesta quinta-feira (11), pelo Ministério da Saúde, aponta que quase um terço (31%) dos homens brasileiros não tem o hábito de buscar os serviços de saúde e buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida.

Nossos pais heróis, imbatíveis para proteger os filhos, não se cuidam: mais da metade (55%)  dos homens (55%) ouvidos na pesquisa dizem que não buscaram os serviços de saúde, pois nunca precisaram.  O resultado é que a maioria dos homens vive menos (em média, sete anos) do que as mulheres.  Segundo a última pesquisa do IBGE, enquanto a expectativa de vida dos homens alcançou 71 anos, entre as mulheres, chega a 78 anos.

Eles também morrem muito mais de doenças que poderiam ser prevenidas ou mesmo controladas, se diagnosticadas a tempo. As causas que mais matam os homens são as externas (acidentes de trânsito, violências), seguidas de acidentes vasculares, infartos, cânceres e doenças do aparelho digestivo.

Os números escancaram uma dura realidade num país de origem latina: barreiras socioculturais interferem na prevenção à saúde. Em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir doença, além de sentirem que esse cuidado pode interferir na sua imagem de provedor cuidado com a família.

Quando o assunto é nutrição, o desleixo com o próprio corpo também é evidente: 57% dos homens têm sobrepeso e 18% estão obesos, 25% deles consomem bebidas alcoólicas, 13% deles fumam e apenas 31% consomem regularmente frutas e verduras.

A pesquisa foi feita por telefone em 2015, com mais de seis mil homens cujas parceiras fizeram parto no SUS. Dentre os participantes, 80% tinham entre 20 e 39 anos e 67,3% afirmaram ter renda entre 1 e 2 salários mínimos. Quase metade (49%) relataram que são casados e apenas 36,9% possuíam nível médio completo.

Gravidez também é assunto de homem

Durante o pré-natal da parceira é o momento em que o homem está mais próximo do serviço de saúde. Apesar disso, a oportunidade é pouco aproveitada pelos profissionais das unidades de atendimento para incentivá-los a cuidar da sua própria saúde. A maioria dos homens (80%) disse que acompanhou a parceira nas consultas de pré-natal, mas 56% disseram que o atendimento teve foco apenas nas orientações para a gestante.

A maior parte (84,6%) dos pais brasileiros não realizou  nenhum exame durante o pré-natal. Os exames mais pedidos entre os que fizeram foram tipagem sanguínea (70,4%), seguido da sorologia para HIV e hemograma. Também foi alto o percentual de homens que informaram que não atualizaram o seu cartão de vacinas (64%). Quanto às orientações sobre planejamento familiar, 61% relataram ter recebido atendimento nos serviços de saúde.

Na semana do Dia dos Pais, o Ministério lança o Guia do Pré-Natal do Parceiro, como forma de sensibilizar os brasileiros  e aproveitar a ocasião para que também adotem hábitos saudáveis e realizem exames preventivos. Como a chegada de um filho traz mudanças à família, a ideia é despertar nos futuros pais a necessidade de adoção de medidas preventivas que lhe garantam um futuro ao lado dos filhos.

Serão distribuídos 242.500 exemplares do Guia do Pré-Natal do Parceiro a profissionais de saúde, para estimular os homens a assumirem cuidados preventivos. “Gravidez também é assunto de homem. Estimular a participação do parceiro é fundamental para o bem estar da mãe, do bebê e do próprio homem”, afirma o coordenador da saúde do homem, Francisco Norberto.

Também foi lançado o Guia da Saúde do Homem, com a proposta de sensibilizar os para agentes comunitários de saúde a incentivarem a ida do homem às unidades básicas de saúde para trabalhar a prevenção.  O Ministério da Saúde também lançou com a Avasus um curso a distância chamado ‘Pai Presente – Cuidado e Compromisso’. O curso é voltado para todos os pais que querem viver uma paternidade ativa e consciente. O endereço é https://avasus.ufrn.br/

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