Vida sem Fumo: adolescentes fumantes têm maior risco de doenças crônicas

Estudo constatou que a obesidade abdominal em adolescentes de 15 a 17 anos é mais frequente entre os fumantes diários do que entre os não fumantes

Rosayne Macedo

Alerta máximo neste Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio). Apesar da restrição da venda de cigarros a menores de 18 anos no Brasil, tem aumentado o número de fumantes entre adolescentes de 15 a 17 anos. O Erica – Estudo sobre Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, realizado entre 2013 e 2014  entre 5 milhões de adolescentes, já apontava que 100 mil fumam diariamente pelo menos um cigarro por dia.

Para agravar ainda mais a situação, um entre cada três adolescentes fumantes também consome bebida alcoólica todos os dias e a circunferência abdominal era mais elevada entre eles do que em relação aos demais adolescentes. A chamada obesidade abdominal representa um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como infarto, AVC, câncer e diabetes.

A proporção de outros fatores de risco era maior que em outros adolescentes, principamente se o hábito for levado para a vida adulta”, afirma a tecnologista Neilane Bertone, do Serviço de Epidemiológico do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em entrevista ao ViDA & Ação, na abertura da série Vida sem Fumo, que trazemos esta semana.

Cintura abdominal 130% maior entre meninos fumantes

Publicado na revista científica Preventive Medicine, o estudo ‘Avaliando a relação entre tabagismo e obesidade abdominal’ foi realizado por pesquisadores do Inca, da Universidade Johns Hopkins e da Fiocruz, a partir dos dados do Erica. Eles analisaram informações de 21.671 rapazes e 17.142 moças de 15 a 17 anos e observaram a relação entre o tabagismo e a presença de outras características e comportamentos de risco à saúde.

O mito difundido pela indústria do tabaco de que fumar ajuda a emagrecer cai por terra com o estudo. Os resultados mostram que meninos que fumavam diariamente tinham circunferência abdominal 130% maior à dos não fumantes. Entre as meninas fumantes, esse percentual foi cerca de 60% maior quando comparadas às não fumantes.

Nicotina aumenta a resistência à insulina

Pesquisas anteriores em adultos também encontraram uma associação positiva entre o fumo e a circunferência da cintura elevada. Estas pesquisas sugerem que uma possível explicação para este fato seria que a nicotina (substância do tabaco que causa a dependência) aumenta a resistência insulínica, que por sua vez está relacionada ao depósito de gordura na região abdominal.

Esta também pode ser uma explicação para o resultado do estudo apresentado no Inca, mas a relação de causalidade entre o tabagismo e a obesidade abdominal em adolescentes ainda precisa ser mais investigada por pesquisas específicas. De acordo com os pesquisadores, o estudo não visou estabelecer uma relação causal entre o tabagismo e o aumento da circunferência abdominal, porque os adolescentes não foram acompanhados durante anos.

Ou seja, não se sabe se os adolescentes já estavam com a circunferência da cintura acima dos padrões antes de começar a fumar ou vice-versa. O fato é que a coexistência desses dois fatores de risco já nessa fase da vida é algo preocupante, uma vez que esse cenário pode se perpetuar na fase adulta.

São cerca de 100 mil adolescentes que fumam diariamente no Brasil. Se eles não mudarem seu comportamento de fumar e adotarem hábitos de vida saudáveis, para além dos malefícios de curto prazo, terão na fase adulta um risco aumentado para o desenvolvimento de doenças crônicas”, afirma André Szklo, tecnologista do INCA e coautor do estudo.

Pesquisa com adolescentes será repetida este ano

A pesquisa Erica é coordenada pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IES) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e deverá ser repetida este ano. O levantamento, segundo Neilane, é feito através de entrevistas com os estudantes nas escolas públicas e privadas, além de coleta de material para exames, para fazer comparação com estudo anterior.

Os dados foram apresentados em evento na sede do Inca, nesta quarta-feira (30), na cerimônia do Dia Mundial sem Tabaco.  Um debate reuniu especialistas para tratar dos impactos do tabagismo nas doenças cardiovasculares, além de apresentar medidas para coibir o fumo em locais públicos.

Debate, campanha e ação na Rodoviária Novo Rio

O Dia Mundial sem Tabaco foi instituído pelos estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2018, o tema é “Tabaco e Doenças Cardiovasculares”. Na cerimônia, acontecem também apresentações técnicas da Coordenação de Prevenção e Vigilância e da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca

Inca e Ministério da Saúde lançaram na cerimônia a campanha com o slogan “Com o coração não se brinca. Faça a melhor escolha para sua vida: não fume!”, que inclui cartazes, hotsite e divulgação nas mídias sociais do Ministério da Saúde. Além disso, foi lançado um vídeo no Youtube Inca sobre prevenção do tabagismo. Para conhecer a campanha completa acesse o hotsite em www.inca.gov.br.

Em apoio à campanha do Dia Mundial sem Tabaco, a Concessionária Novo Rio promove a distribuição de materiais educativos sobre os malefícios do tabagismo na Rodoviária Novo Rio, na tarde de 30 de maio. A Rodoviária abriga desde 28 de maio a exposição “O controle do tabaco no Brasil: uma trajetória”, organizada pelo Inca e a Fiocruz.

Da Redação, com informações da Assessoria do Inca.

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