Aedes aegypti e os riscos de repelentes caseiros

Médico alerta para formas de evitar a picada do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. São Paulo e Rio de Janeiro acendem alerta para o verão

mosquito da dengue O mosquito Aedes Aegypti é vetor de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela (Reprodução de internet)

Mesmo em tempos de pandemia do novo coronavírus, não podemos esquecer outro inimigo quase invisível que atormenta há anos a vida dos brasileiros e já causou muitas mortes. No dia 19 de novembro, é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Aedes Aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika. Dados do Ministério da Saúde, de 2008 até início de outubro deste ano, apontam que já foram notificados no Brasil aproximadamente 13 milhões de casos das três doenças, sendo mais de 480 mil casos de dengue no Brasil somente este ano.

O Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de São Paulo e o Boletim de Arboviroses mostram que os casos de dengue voltaram a crescer em toda a capital paulista. Até 3 de novembro, 7.112 casos foram registrados na cidade. Também houve um aumento nos casos de chikungunya: enquanto em 2020 houve apenas um caso, até outubro deste ano já foram registrados 63 casos. 

Estado do Rio já monitora risco de novos surtos

Na contramão do resto do país, o Rio de Janeiro registra queda nas notificações de casos de dengue no último ano. Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontou que, em 2020, houve uma redução de 35,2% no número total de casos registrados da doença. De janeiro a dezembro de 2019, foram 31.953 notificações e 4.035 no mesmo período em 2020. Até o dia 15 de novembro deste ano, foram 2.746 casos.

Os dados mostraram ainda que, em 2020, a incidência de casos de dengue por 100.000 habitantes no estado foi de 27,5. Nesse mesmo ano, foram registradas 330 internações e sete óbitos. Já em 2019, foram 815 internações e dois óbitos. A incidência foi de 186,2 casos por 100.000 habitantes. Até novembro deste  ano, a incidência estava em 15,8. Apesar disso, a infestação pelo mosquito ainda representa uma grande preocupação para a saúde pública.

“Estamos observando de perto a evolução da dengue no estado, principalmente por conta da reentrada do vírus 2 (que circulou no Rio de Janeiro entre os anos de 2007 a 2009). Isso quer dizer que uma parcela significativa da população é suscetível a esse tipo de vírus e, portanto, podemos ter novos surtos da doença. Estamos em constante conversa com os municípios para fortalecer as ações integradas de combate à dengue”, afirmou o subsecretário de Estado de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sergio Ribeiro.

Vitamina B12 ajuda a evitar picada do mosquito?

No Brasil, ainda é muito popular ouvir recomendações de combate às picadas de insetos com o uso de óleo ou spray de repelentes naturais, como cravo-da-índia e citronela. Mas o médico infectologista Marcelo Otsuka, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), alerta para os meios mais eficazes de se evitar a picada do mosquito e os riscos do uso de repelentes caseiros.

A eficácia dessas soluções aplicadas na pele com o intuito de repelir mosquitos é baixa, pois a média de atuação dessas substâncias é de 15 a 20 minutos apenas”,  diz.

Um método alternativo que também se difundiu é a ingestão de vitamina B12. Segundo o médico, não há comprovação científica para evitar que a pessoa seja picada por mosquitos tomando essa vitamina, uma vez que a quantidade necessária provavelmente teria que ser muito elevada para ser eficaz e, além disso, os estudos não demonstram capacidade repelente para os insetos.

Também não é efetivo o uso de roupas que cubram toda a pele, mas que sejam justas e de cor escura. “Muitas pessoas acham que estão protegidas usando calças e blusas de manga comprida. Mas, tecidos mais finos, com caimento colado no corpo podem facilitar para que o mosquito consiga picar”, ressalta o médico.

Uso de repelentes a partir dos 3 meses de idade

“Mesmo com os cuidados na proliferação desses mosquitos, o número de casos de dengue é alto. Recomendo o uso de repelente atrelado a outros métodos de prevenção, devendo ser adotado ao longo do ano, independentemente do clima ou região que a pessoa esteja. Devemos manter sempre uma rotina de proteção, não somente em momentos de surto de doenças”, alerta Otsuka. “Inclusive, já existem no mercado repelentes específicos para uso em crianças e bebês a partir dos 3 meses de idade”, salienta o médico.

“Ao adquirir qualquer produto repelente, é importante que as instruções do rótulo sejam seguidas. Por exemplo, é ideal que o repelente seja aplicado em toda a região de pele exposta, evitando as mucosas e regiões próximas aos olhos. Na aplicação, use a quantidade necessária para espalhar o produto de forma homogênea, uma vez que a eficácia do produto não aumentará se você passar em excesso. O repelente age conforme vai evaporando da pele, inibindo que o mosquito se aproxime para picar”, orienta o médico.

Ainda é importante considerar que o uso de roupas compridas e/ou grossas em ambientes quentes  favorece a desidratação em crianças pequenas. “Roupas claras e mais largas são mais eficazes, porém, recomendo o uso de repelentes nas partes expostas da pele, como mãos, pescoço e tornozelos”, esclarece Otsuka.

Chegada do verão aumenta infestação por mosquito

Para o o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, a redução nas notificações de casos de dengue não pode ser motivo para a população relaxar. “A dengue é um risco iminente em nosso estado, ainda mais nos próximos meses em que entraremos no período de verão e início das chuvas”, alerta.

A proliferação do mosquito acontece em qualquer época do ano, mas com a temperatura quente neste período, o surgimento de mosquitos aumenta. Por isso, a principal medida para a prevenção continua sendo evitar a proliferação dos insetos, por meio da atenção aos locais de acúmulo de água, como em vasos de plantas, pneus, latas, garrafas principalmente em locais como jardins, ruas e terrenos baldios.

Segundo Alexandre Chieppe, é importante que a população não esqueça dos cuidados em casa, como limpar e esvaziar os pratos dos vasos de plantas, manter as caixas d’água, cisternas e outros recipientes bem fechados e não expostos a chuvas e, inclusive os que forem eliminados no lixo comum ou para reciclagem, evitar deixar garrafas e pneus em locais onde possam acumular água, entre outros cuidados. “Dez minutos por semana dedicados a evitar a dengue podem salvar vidas”, destacou.

Dicas para prevenção do mosquito

A melhor forma de se proteger do mosquito é evitar que ele se desenvolva, ou seja, eliminar os focos de larvas. Para isso, é necessário acabar com possíveis criadouro, como em vasos de plantas, pneus, garrafas, piscinas sem uso e sem manutenção, caixas d’água destampadas, e até mesmo recipientes pequenos, como tampas de garrafas. Medidas simples podem ser adotadas por todos, como:

• Verificar se a caixa d’água está bem tampada;
• Deixar as lixeiras bem tampadas;
• Colocar areia nos pratos de plantas;
• Recolher e acondicionar o lixo do quintal;
• Limpar as calhas;
• Cobrir piscinas;
• Tapar os ralos e baixar as tampas dos vasos sanitários;
• Limpar a bandeja externa da geladeira;
• Limpar e guardar as vasilhas dos bichos de estimação;
• Limpar a bandeja coletora de água do ar-condicionado;
• Cobrir bem a cisterna;
• Cobrir bem todos os reservatórios de água.

Mais sobre Dengue, Zika e Chikungunya

A dengue é uma doença febril aguda causada por um arbovírus transmitido pela picada dos mosquitos Aedes aegypti. Não há transmissão no contato direto com um doente ou suas secreções, nem pelo consumo de água ou alimentos. A doença pode ser assintomática, ter sintomas leves ou graves e, em alguns casos, pode levar o paciente à morte.

Os principais sintomas são febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dores pelo corpo e articulações, dor de cabeça, náuseas e fraqueza. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de nariz e gengivas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar imediatamente um serviço de saúde para ser avaliado por um profissional.

Não há um tratamento específico para a dengue. Em geral, os pacientes são medicados para a melhora dos sintomas. Também é fundamental fazer repouso e manter-se hidratado, ingerir bastante líquido.

O mosquito Aedes aegypti também é causador de outras duas doenças: zika e chikungunya. É importante alertar que o combate à proliferação do mosquito também é uma precaução para essas arboviroses. As mesmas atitudes de prevenção à dengue também podem evitar a zika e a chikungunya.

Cidade paulista monitora mosquito com drone

Preocupados com o aumento dos casos no país e pensando em controlar a população de mosquitos no parque municipal, a prefeitura de Santana do Parnaíba, Região Metropolitana de São Paulo, contratou uma empresa especializada em controle de pragas, saúde pública e higiene para realizar uma ação pioneira no país. Com a ajuda de um drone para chegar às partes mais difíceis do parque, a empresa realizou um tratamento ecológico com um produto biológico que só mata as larvas do mosquito.

Esta foi a primeira vez que uma empresa de controle de pragas utilizou um drone no país para controle de mosquitos. A Rentokil desenvolveu uma Solução de Gestão Integrada de Mosquitos (IMM) para proteção interna e externa, que promete “fornecer melhor eficácia e proteção para as pessoas e para o planeta”.

Webinar gratuito discute risco de epidemia de chikungunya

O mosquito também é transmissor da Chikungunya, enfermidade que causa dores nas articulações, e da Artrite que pode ser ainda mais perigosa que a própria dengue. A Febre Chikungunya (ou só Chikungunya) é uma doença viral originária da África Tropical e Subtropical e chegou ao Brasil em 2014, com o primeiro caso autóctone registrado no estado do Amapá.

O país já enfrentou epidemias seríssimas da doença, como a de Fortaleza em 2017, com 56.778 casos registrados e aproximadamente 120 óbitos. Segundo especialistas, esta é uma ameaça que não pode ser negligenciada no verão de 2022. Com o objetivo de conscientizar sobre a importância dessa prevenção, a Rentokil apresentará um webinar gratuito com especialistas para discutir cenários e planos de como lidar com uma epidemia da enfermidade no verão 2022 nesta quinta-feira, 25 de novembro, às 10h. As inscrições gratuitas podem ser feitas no link,

“Sobressaindo à ameaça da Dengue, a última epidemia de Chikungunya tem apresentado números assustadores e um prognóstico preocupante para 2022”, explica Carlos Peçanha, diretor técnico da Rentokil, que apresentará o webinar. Também participam Nélio Batista de Morais, coordenador de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Fortaleza e pPresidente da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária, que tem vasta experiência com epidemia de Chikungunya e falará sobre as lições aprendidas com a epidemia de 2017. O médico epidemiologista André Freitas, Mestre em Clínica Médica, Doutor em Epidemiologia, muito atuante no enfrentamento das arboviroses, também participa do evento.

Com Assessorias da SES-RJ, Exposis e Rentokil (atualizado em 24/11/21)

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