Agorafobia: o medo de ter medo que pode levar ao pânico

O ator Marcos Pasquim revelou que teve o problema e se tratou por cinco anos (Foto: Reprodução TV Globo)
O ator Marcos Pasquim revelou que teve o problema e se tratou por cinco anos (Foto: Reprodução TV Globo)

“Eu tinha medo de multidão, de túnel, de engarrafamento. Tudo começou com pensamentos. Eu estava numa viagem e na época a minha esposa subiu numa pedra e eu que nunca tive medo de altura pedi pra ela descer. Quando eu falei eu pensei que essas palavras não eram minhas. Aí fomos fazer um passeio de helicóptero e fiquei com medo, comecei a rezar, tive taquicardia”.  O relato é do ator Marcos Pasquim, que revelou recentemente  sofrer de um transtorno de ansiedade conhecido como Agorafobia.

Ainda pouco conhecida, a doença atinge 150 mil pessoa no Brasil, segundo pesquisa. A psicóloga e especialista em hipnose clinica Miriam Farias explica que se não for tratada, a agorafobia pode desencadear a síndrome do pânico e até a depressão. “A pessoa que sofre de agorafobia se isola, tem medo de sair na rua, da concentração de pessoas. Sempre acha que alguma coisa ruim vai acontecer. É um estresse e medo exagerado, que foge da realidade”, conta.

Estresse e momentos difíceis que a pessoas esteja passando podem desencadear a doença. “Quando voltei ao Rio de Janeiro eu peguei minha moto, subi na minha moto e pensei se eu ia conseguir chegar sem cair. Aí procurei um médico porque esses sentimentos estavam me paralisando”, conta.

Após o diagnóstico, ele iniciou o tratamento com medicação adequada. “Fiquei tomando remédio por uns cinco anos, hoje já estou bem”, disse o ator, durante o programa Encontro, de Fátima Bernardes, na TV Globo. Os sintomas que Marcos apresentava indicavam o início de uma doença que, se não tratada, poderia causar grandes problemas à vida social do ator.

Miriam explica que, na Agorafobia e na Síndrome de Pânico, a pessoa sente “medo de ter medo”. A ansiedade de sair de casa e ter uma crise a impede de se expor a situações fora de casa, por isso o comportamento mais comum na agorafobia é a evitação, a esquiva, a fuga de situações fora de sua zona de conforto – normalmente sua casa.

Durante a crise a pessoa pode chegar a ter a sensação de que está enlouquecendo, o que a faz evitar certos lugares, por exemplo, não vai mais ao cinema pois  tem medo de passar mal, não sai de carro, não entra em supermercado, não entra em banco. Tudo isso devido à agorafobia sofrida em uma situação anterior e associada ao pânico.

“ O paciente com agorafobia passa por um sofrimento muito grande, que evitar sair ou fazer as suas atividades do dia a dia, este transtorno de ansiedade limita a vida da pessoa e ela perde qualidade de vida”, finaliza a especialista.

Os medos da Agorafobia mais comuns são de estar longe de casa ou de pessoas que deem segurança; andar de carro, ônibus, trem, metrô ou avião; encarar locais fechados e lotados como cinema, supermercados, restaurantes, enfrentar situações nas quais a saída seja difícil como congestionamentos, estádios, ocupar o banco de trás de um carro, fila de banco, túneis, passarelas, pontes, elevadores, ruas cheias e feiras, além do medo de viajar.

No mesmo programa, a atriz Renata Dominguez e Marcos Pasquim revelaou que teve síndrome do pânico. “Começou do nada. Tentei falar com a minha família. Mas quanto mais você escuta que é coisa da sua cabeça, pior fica. A angustia aumenta e você acredita que está perdendo a lucidez.”

Ela diz que fez uma novela inteira convivendo com o transtorno. “Precisei de ajuda psiquiátrica e fiz terapia, mas mantive o problema escondido. Quando a crise chegava, o nó, a sensação de morte, eu pedia para ir ao toalete. Fazia minhas orações e meus exercícios de respiração. Isso me ajudou a sair.”

Hipnose pode ajudar a tratar o problema

Dependendo do nível das crises, o transtorno de ansiedade pode ser tratado com terapias e mudanças de hábitos.  A hipnose, por exemplo, é 80%  mais eficaz que as terapias convencionais, explica a especialista. “ Nós vamos investigar a causa das crises e trabalhamos o emocional, de dentro para fora, transformamos o medo em confiança, o estresse em equilíbrio, e sugerimos mudanças de hábitos”.

Segundo a psicóloga, quando a pessoa está hipnotizada ela não perde a sua capacidade de raciocinar. Pelo contrário. Ela consegue resolver problemas complexos, fazer improvisos e ainda manter uma capacidade crítica sobre o que lhe está sendo sugerido.

“A prática de hipnose atua no sistema nervoso parassimpático regula e equilibra o ritmo natural da pessoa, levando o paciente ao equilíbrio e tranquilidade. No estado hipnótico a pessoa produz substâncias do prazer, que aumenta a produção de  serotonina e endorfina”, explica a especialista.

Fonte: Miriam Farias, psicóloga

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