Além da mamografia: qual exame é mais indicado para cada caso?

Ultrassom, ressonância, tomossíntese ou angiomamografia são algumas das outras formas de diagnóstico do câncer de mama

Redação
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As alterações nas mamas – sejam elas dores, secreção ou lesões – são responsáveis por cerca 15 milhões de consultas médicas ao ano. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é um dos mais frequentes em mulheres no Brasil e no mundo, atrás somente do câncer de pele não melanoma. Para 2019, são estimados 59.700 novos casos diagnosticados no país, o que representa 29,5% dos cânceres em mulheres.

Por isso os cuidados com a região devem ser redobrados em mulheres após os 40 anos, principalmente aquelas com histórico de câncer de mama na família. Diversos exames são capazes de identificar alterações na área Muito além da conhecida mamografia, diversos exames são capazes de identificar alterações na área e contribuem para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Ultrassom, ressonância, tomossíntese ou angiomamografia são algumas das outras formas de diagnóstico.

A mamografia digital e a tomossíntese são preconizados como os primeiros procedimentos a serem feitos para o rastreio. Enquanto o ultrassom das mamas, a ressonância magnética e, mais recentemente, a angiomamografia são complementares às alterações previamente observadas”, esclarece Henrique Pasqualette, mastologista e diretor médico do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem).

Conheça abaixo a indicação para cada tipo de exame:

Ultrassonografia das mamas

“O exame é indicado para mamas radiologicamente densas, quando há uma quantidade de tecido fibroglandular capaz de obscurecer nódulos ou outras alterações”, salienta o especialista. Diferente da mamografia, que costuma ser feita após os 40, o ultrassom das mamas é um método de rastreio feito em pacientes jovens. O exame é eficaz para diferenciar um nódulo sólido de um cisto e, por isso, é muito utilizado para complementar a mamografia.

Ressonância magnética das mamas

Pouco comum, a ressonância é indicada apenas em casos muito específicos, sendo recomendada para rastreamento em mulheres de alto risco e para avaliação da integridade de próteses mamárias. “Por possuir altíssima sensibilidade, ela é capaz de detectar lesões que os outros exames, por vezes, não conseguem. Porém, isso também está associado a maiores chances de resultados falsos positivos”, conta o médico. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), cerca de 70% das lesões suspeitas detectadas pela RM não são câncer.

Mamografia

Considerado o método mais eficaz de rastreamento de patologias na mama, a mamografia é um procedimento não invasivo que captura imagens do seio com o mamógrafo. O aparelho usa a mesma radiação do raio-x tradicional, mas em uma dose extremamente baixa. “A partir desse exame, é possível buscar por nódulos, microcalcificações, distorções da arquitetura mamária ou áreas densas assimétricas. Sinais que podem indicar a presença de uma neoplasia maligna”, ressalta Dr. Henrique. Normalmente, o exame deve começar a ser feito, anualmente, a partir dos 40 anos.

Tomossíntese

Também conhecida como mamografia 3D, a tomossíntese mamária é uma evolução da mamografia digital. Esse exame é indicado para o rastreamento do câncer de mama em mulheres com ou sem alto risco para a doença. “Sua varredura produz uma série de imagens sob diversos ângulos, que reconstroem a imagem mamária em um formato tridimensional. É capaz de aumentar a taxa de detecção de câncer em 90% e, segundo alguns estudos, reduzir a indicação de biópsias em até 30%”, informa.

Angiomamografia

Novidade que chegou ao Brasil* este ano, a angiomamografia é um inovador procedimento em que é realizada uma mamografia convencional com aplicação de contraste. O método diminui a incidência de falsos positivos, devido a sua maior especificidade e sensibilidade em comparação à mamografia digital convencional e à ressonância magnética . O procedimento é feito com a injeção do contraste, que permite uma melhor avaliação de certas estruturas do organismo. “São realizadas as incidências convencionais e as de alta energia, na qual pequenas lesões suspeitas podem ser reveladas em virtude da neovascularização presente nos tecidos tumorais”, conta o mastologista. Após a administração do contraste, o exame é finalizado em, no máximo, oito minutos.