Alergias no outono: corticoide ou apenas antialérgico?

Especialistas apontam o perigo da automedicação para tratar alergias que aumentam nesta época do ano. Mas o bom mesmo é prevenir!

Redação
Quando chega o outono, é certo: lá vem a Clarinha com nova crise alérgica. Diagnosticada com sinusite e rinite alérgica desde pequena, já tentamos quase tudo: alopatia, homeopatia, florais, além do controle do ambiente, que deve ser permanente. Mas vira e mexe elas voltam trazendo grande incômodo, especialmente nesta época do ano. O pior são as complicações como otite e, mais recentemente, a amigdalite, desencadeadas pelas alergias respiratórias.
Mas quando é o momento de lançar mão de medicamentos mais agressivos ao organismo em nome do controle das alergias? Clovis Galvão, membro do Departamento Científico de Alérgenos da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), explica que o tratamento geralmente indicado é baseado em anti-histamínicos com ou sem descongestionantes, broncodilatadores e corticoides.

Porém, todos têm efeitos colaterais em potencial, de forma que desaconselhamos a automedicação e recomendamos sempre consultar o médico especialista quando houver suspeita de alergia”, alerta o especialista da Asbai.

A alergologista Priscila Osorio reforça que a indicação do uso de qualquer medicação depende sempre de uma avaliação médica individualizada, com história clínica e exame físico. “Os corticoides têm algumas indicações no tratamento das doenças alérgicas, mas também alguns efeitos colaterais e, portanto, não devem ser usados como auto medicação”, alerta.

PREVENÇÃO É O MELHOR REMÉDIO

Segundo a especialista, quem tem mais rinite tem mais risco de sinusite, otite, asma, distúrbios do sono e mais comprometimento da qualidade de vida. Portanto, o mais importante é a prevenção. Por isso, o tema ganhou no calendário nacional da saúde uma data própria: 7 de maio, Dia Nacional da Prevenção da Alergia. O principal objetivo é ajudar a lembrar os cuidados que o alérgico deve ter nessa época do ano.

De acordo com a médica, os principais fatores desencadeantes das alergias respiratórias e das dermatites atópicas são os ácaros, fungos, epitélios de animais (cães e gatos) e barata. Já entre as alergias alimentares estão o leite de vaca, ovo, amendoim, frutos do mar, soja e nozes.

Em todas as alergias é importante afastar o fator causal, fazer um bom controle do ambiente e, caso necessário, tratamento medicamentoso acompanhado por um especialista e imunoterapia (vacina)”, explica.

Também para prevenir as alergias do Outono, recomenda-se evitar locais fechados, grandes aglomerações, lavar a mão com frequência ou usar o álcool, vacinar-se contra a gripe, recomenda a Asbai.

Metade da população terá alergia

As alergias estão entre as doenças mais frequentes do mundo – quase todas de caráter crônico.  Cerca de 30% dos habitantes do planeta possuem, por exemplo, algum tipo de intolerância à poeira doméstica, pó, mofo, pólen de plantas, entre outras mil causas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o fim do século, metade da população humana sofrerá algum tipo de alergia.
A alergia é quando o sistema imunológico do indivíduo responde de forma exagerada a uma substância após exposição à mesma. Ocorre em indivíduos previamente sensibilizados e com predisposição genética, na maioria das vezes”, explica Dra Priscila, que é alergologista do Grupo Fleury que detém os laboratórios Felippe Mattoso e Lava a+.

Entre os sintomas da alergia estão espirros, coceira no nariz e na garganta, coriza, chiado no peito e tosse e falta de ar. O problema pode ainda causar cólicas, vômitos e manchas e descamações na pele. Entre as alergias mais comuns estão as respiratórias (rinite e asma), a dermatite atópica e as alergias alimentares.

Um teste para cada tipo de alergia

“O exame clínico, além de uma boa conversa com o médico alergista é fundamental para descobrir se o paciente é alérgico e de que tipo de alergia sofre, pois o profissional analisará episódios e reações que se repetem e provocam o sintoma.”
A especialista também destaca que cada tipo de alergia tem um teste alérgico específico e, por isso, é preciso passar por uma avaliação clínica para obter a indicação correta.

Todos devem ser feitos por profissionais especializados e em ambiente adequado. Quando indicados são importantes para diagnosticar o antígeno exato e orientar o tratamento específico”.

“Em caso de dúvidas, é importante sempre procurar um especialista para avaliação e confirmação do diagnóstico, para que se possa fazer um tratamento adequado, evitar riscos maiores e também restrições desnecessárias”, conclui.

O ATAQUE DAS ‘ITES’

Durante o outono, as chuvas tendem a diminuir e a secura do ar pode ser sinônimo de problemas alérgicos, sendo rinite e asma as doenças mais comuns nessa época do ano. Isso porque o ar seco e frio age nas vias respiratórias como um irritante e, no caso das alergias, as vias aéreas que já estão inflamadas, ao entrar em contato com o ar seco e frio, manifestam sintomas respiratórios.

Outro problema é a  maior concentração de pessoas em locais fechados, facilitando a propagação de vírus e bactérias que podem desencadear inúmeras doenças, principalmente respiratórias, uma vez que algumas de nossas defesas naturais nas vias aéreas também estão reduzidas. É nessa época do ano – estendendo-se durante o inverno – que rinite, sinusite e todas as ‘ites’ atacam.

Conheça algumas dessas doenças:

SINUSITE

sinusite é a inflamação dos seios paranasais, que são espaços preenchidos por ar localizados no interior dos ossos do crânio e face, diretamente atrelados às cavidades do nariz. Os principais sintomas são a dor no rosto, dor de cabeça, nariz entupido, secreção nasal purulenta (podendo ter odor fétido) e dor nos olhos. Muitas vezes essa secreção nasal é drenada pela garganta, causando tosse persistente.

O tratamento pode ser feito com corticoides orais e nasais, descongestionantes nasais e antibióticos, quando for uma infecção bacteriana. Lavagens nasais com soro fisiológico ou água filtrada, e hidratação também fazem parte do tratamento.

AMIGDALITE

Amigdalite é uma infecção contagiosa que causa inchaço nas amígdalas, dor de garganta ao engolir, febre e mau hálito. Ela pode ser causada por bactérias ou vírus, podendo ser aguda ou crônica. Algumas medidas primárias como descanso vocal e gargarejo (com uma solução de água e sal) podem melhorar o desconforto e auxiliar na recuperação.

O tratamento é sintomático, sendo necessário o uso de antibióticos quando tratar-se de uma infecção bacteriana. Para prevenir-se, evite mudanças bruscas de temperatura e mantenha sempre o nariz sem congestão.

FARINGITE

faringite é também uma infecção, viral ou bacteriana, na faringe, que é a parte posterior dagarganta. Os sintomas mais comuns são rouquidão, tosse seca, dor ao deglutir e febre. Os sintomas geralmente duram de três a cinco dias. A maior parte dos casos é causada por infecção viral e o tratamento é sintomático, com utilização de anti-inflamatórios. Já quando diagnosticada uma faringite bacteriana, antibióticos serão receitados.

RINITE

rinite é uma reação alérgica às partículas inaladas, causando irritação e/ou inflamação da mucosa do nariz, que provoca espirros, coriza, coceira e entupimento das vias nasais. Poeiras, ácaros e epitélio de animais podem ser algumas das substâncias que provocam alergia, mas as temperaturas baixas também são capazes de desencadear as crises. Por ser uma doença crônica, ela não tem cura, mas o uso de anti-histamínicos orais e corticoides nasais podem ajudar a tratar e controlar os sintomas. Para prevenir-se mantenha o ambiente limpo e evite aglomerações durante o inverno.

OTITE

As otites são infecções causadas por vírus ou bactérias que geram quadro de dor intensa no ouvido, com febre de moderada a alta, podendo haver saída de secreção ou não. É bastante comum em crianças. Nesse caso, para que não ocorra nos pequeninos, a dica é evitar que se mame deitado, devendo-se elevar a cabecinha da criança durante a mamada. O tratamento é feito com analgésicos e antibióticos, para os casos de origem bacteriana. A prevenção, para todos, pode ser feita mantendo limpas as vias aéreas.

BRONQUITE

bronquite é a inflamação dos brônquios, que dificulta a entrada de ar pelas vias aéreas até os pulmões. Com isso, os sintomas mais comuns são a tosse seca ou com muco, desconforto respiratório e chiado no peito. Na maioria, os casos são causados por infeção viral, sendo transmitidos por via aérea, ao tossir, ou por contato direto com o vírus. Durante o inverno, as crises agudas são mais comuns e o tratamento consiste na utilização de analgésicos, anti-inflamatórios, descongestionantes nasais, broncodilatadores de inalação oral, as conhecidas “bombinhas”, e hidratação.

Com Assessorias

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