Alimentação e exercícios como aliados no combate ao suicídio

Profissional explica como a prática de exercícios físicos gera benefícios ao cérebro. Nutricionista aponta vantagens da alimentação equilibrada

Pessoas que treinam 150 minutos por semana podem obter maior clareza mental, controle emocional, aumento do nível de concentração, sentimentos de euforia e aperfeiçoamento da memória. O que muita gente não sabe é que a prática de exercícios físicos auxilia não apenas em perda de peso ou ganho muscular, mas também no fortalecimento do cérebro, o que previne doenças e melhora a qualidade de vida.

Segundo o Freeletics, aplicativo de exercícios físicos e estilo de vida com uso de inteligência artificial, adultos que se exercitam por pelo menos 150 minutos por semana não só têm uma chance menor de desenvolver doenças relacionadas ao envelhecimento, como Alzheimer e demência, mas também têm densidade óssea mais forte e corações mais saudáveis, além de melhorar o humor e ajudar a reorganizar o cérebro.

Como exercitar o corpo para alimentar a mente

Para Liora Bels, especialista em bem-estar do Freeletics, exercícios regulares podem melhorar a motivação, o foco e a memória. “As atividades físicas podem proporcionar benefícios maiores para o cérebro do que para qualquer outra área do corpo”, destaca.

“O cérebro é um órgão extremamente importante, pois determina como nos sentimos, pensamos e como agimos em certas situações. Ele não é apenas crucial para a vida cotidiana, mas também tem a capacidade de se adaptar e evoluir com base nas circunstâncias em que nos encontramos. E da mesma forma como podemos trabalhar nossos bíceps, também podemos trabalhar nosso cérebro, tornando-o mais forte e flexível”, ressalta.

Segundo a profissional, isso acontece porque o exercício promove a produção de uma proteína no cérebro chamada Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro ou BDNF. “O BDNF é como um fertilizante para a mente. Ele ajuda a desenvolver novas células cerebrais, criar novas sinapses e impactar positivamente os neurotransmissores. Estes conectam as diferentes áreas do nosso cérebro para que a estrutura funcione em conjunto”, explica.

“Quando treinamos, neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina são disparados e aumentam nossos níveis de motivação, humor, foco e tempos de reação. Essas sinapses não são apenas relacionadas ao exercício, o cérebro também as usa para aprender com mais eficácia e melhorar a memória”, completa Liora.

Além disso, as atividades físicas liberam os hormônios da felicidade, conhecidos como endorfinas. E ter um novo suprimento desses neurotransmissores pode ajudar na clareza mental, controle emocional, maior concentração e sentimentos de euforia.

“Muito parecido com o sono, o exercício ajuda a eliminar os resíduos metabólicos que o cérebro libera como um subproduto de sua atividade, aumentando sua capacidade de operar em um nível ideal. Desse modo, ao se exercitar pelo menos 3 a 5 vezes na semana por um mínimo de 30 minutos, é possível colher benefícios de curto prazo, como maior concentração, e benefícios de longo prazo, como proteção contra doenças”, pontua a especialista do Freeletics.

Cada exercício traz um benefício diferente

De acordo com Liora, exercícios aeróbicos como correr ou pular corda são excelentes para o cérebro. “Esse tipo de exercício não só ajuda a manter um sistema cardiovascular saudável, mas também ajuda na saúde do cérebro, preparando para o aprendizado, melhorando as vias neurais por todo o corpo, liberando dopamina, serotonina e proteínas chamadas fatores de crescimento”, conta.

Já o treino de resistência ou força ajuda a fortalecer o corpo por meio de padrões diferentes de movimento, corrige desequilíbrios causados por longas horas na posição sentada e melhora a resistência postural. “Isso é muito importante, especialmente quem está acostumado a ficar sentado por longos períodos de tempo”, revela.

Os exercícios de mobilidade, como alongamento e ioga, ajudam a melhorar ou a manter a capacidade do corpo de se mover por meio de posturas sem dor e, assim como o treino de resistência, são usados para corrigir desequilíbrios.

Liora também destaca que o momento ideal para se exercitar depende exclusivamente da própria pessoa. “Ninguém é igual. Os tempos de treino ideais são afetados pela rotina e cronotipo do indivíduo (seu ritmo circadiano particular). Duas pessoas podem ter sensações diferentes ao treinarem às 10h da manhã”, explica.

“O treino de baixo impacto (cardio/mobilidade em estado estacionário) pode ser feito no início do dia, e o treino de alto impacto/alto rendimento, mais tarde (musculação, HIIT, sprints etc). No entanto, essas regras não são rígidas. O mais importante é que o treino seja concluído”, completa.

Frequência de exercícios

“Quando nos exercitamos, fortalecemos as vias neurais existentes e também criamos novas vias. O mesmo ocorre quando estamos aprendendo uma nova habilidade. Ganhar uma habilidade de nível intermediário em uma série de atividades diferentes pode ajudar a manter o cérebro adaptável e maleável para novos estímulos, aumentando a capacidade de resolver problemas e aprender coisas novas com maior velocidade”, argumenta a especialista.

Ao realizar variados tipos de treino, o corpo está sendo forçado a ter que se coordenar em um padrão desconhecido e, portanto, se adaptar ao novo estímulo. Embora fazer algum exercício físico seja sempre melhor do que nenhum, para colher os benefícios cognitivos a longo prazo, Liora recomenda a realização de atividades que satisfaçam o gosto das pessoas.

“Assim, é mais fácil manter os bons hábitos e ser consistente. Ao fazer isso, a mente ficará mais focada, energizada, clara e é provável que consiga melhorar seu desempenho em todas as áreas da vida”, conclui.

Alimentação saudável e atividade física

Thaysi Bernadi, nutricionista do Armazém Fit Store, ressalta que existe uma forte ligação entre a alimentação saudável e a saúde mental. Isso porque, quando nos alimentamos bem, ingerimos diversos nutrientes excelentes para o bom funcionamento do corpo como um todo.

“É muito importante levarmos para conhecimento público o poder que os alimentos têm para o corpo e a mente. Por exemplo, o ácido fólico é um antidepressivo natural, e pode ser encontrado em alimentos como o tomate. As frutas cítricas diminuem o cortisol que é um hormônio do stress e, também, ajuda no bom funcionamento do sistema nervoso. Já o carboidrato integral, gera disposição e dá energia para enfrentar o dia-a-dia. Mas claro, é necessário seguir uma boa orientação nutricional”, aborda.

Já a prática de exercícios físicos, alivia o mau-humor, inibi a indisposição e gera a sensação de prazer e bem-estar. “Além disso, aumenta a concentração, reduz o stress, diminui a ansiedade, melhora significativamente o humor, a qualidade de vida, além de gerar autoconfiança – indispensável para aqueles que sofrem transtornos emocionais, como crises de ansiedade. E são vários exercícios, de fácil alcance, que as pessoas podem praticar, como corrida, caminhada ou academia, por exemplo”.

Thaysi Bernardi explica que ter uma boa noite de sono é fundamental para manter a mente sadia e o corpo descansado. Por isso, é preciso adotar alguns hábitos noturnos. “Tomar um banho quente, evitar o uso de telas por pelo menos 1h antes de dormir e não ingerir alimentos estimulantes, como doces, comidas gordurosas e cafeínas. Vale ressaltar que a prática do exercício físico também ajuda a ter uma noite tranquila de sono”, fala.

Pandemia aumenta casos de depressão e ansiedade

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), antes da pandemia, o Brasil já era o país mais ansioso do mundo e, também, apresentava a maior incidência de depressão da América Latina, impactando cerca de 12 milhões de pessoas.

Contudo, o cenário de solidão, insegurança, angústia e instabilidade econômica, ocasionado pela pandemia, agravou a situação. Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revelou um aumento de 90% nos casos de depressão. Já o número de pessoas com crises de ansiedade e sintomas de estresse agudo praticamente dobrou entre março e abril de 2020.

Outra pesquisa, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), demonstrou que, entre maio, junho e julho do ano passado, 80% da população brasileira se tornou mais ansiosa.

O país mais ansioso do mundo

Com os impactos emocionais que a pandemia vem provocando, o Brasil se consolidou como o país mais ansioso do mundo em 2020. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase 20 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade, o que inclui transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, estresse pós-traumático e ataques de pânico.

Desde 2015, o CVV (Centro de Valorização da Vida) promove o Setembro Amarelo, campanha voltada a salvar vidas, com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção do suicídio.

Especializada em alimentação saudável e natural, a rede de franquias, Armazém Fit Store, criou uma campanha em apoio ao Setembro Amarelo – o “Saúde Mental no Setembro Amarelo”. Com o objetivo alertar a sociedade sobre a importância do cuidado físico e mental como prevenção ao suicídio, promover o bem-estar e, gerar conscientização diante do tema, a marca convidou uma psicóloga para debater o assunto nas redes sociais.

A campanha aborda a importância da alimentação saudável, aliada a rotina de atividades físicas, junto a bons hábitos noturnos, como práticas fundamentais para a preservação da vida. Fatores considerados primordiais para vencer a depressão e ansiedade, que são as duas principais motivadoras do suicídio. Com foco no Instagram, Facebook e Whatsapp, a franquia preparou uma série de cinco vídeos onde a psicóloga dá dicas, esclarece informações importantes e fala sobre o assunto de forma geral.

 

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

In the news
Leia Mais