Alzheimer: familiares e cuidadores também precisam de apoio

Familiares e cuidadores também sofrem emocionalmente ao lidar no dia a dia com paciente de Alzheimer
Familiares e cuidadores também sofrem emocionalmente ao lidar no dia a dia com paciente de Alzheimer
Familiares e cuidadores também sofrem emocionalmente ao lidar no dia a dia com paciente de Alzheimer

Há 12 anos, Rosângela Vasconcelos recebeu o diagnóstico de Alzheimer da mãe,  Dirce Vasconcelos, hoje com 84 anos. Foi quando começou sua luta com consultas com neurologistas, exames e muitos cuidados especiais.  Uma rotina nada fácil, que afeta emocionalmente os familiares e cuidadores. Mas foi graças a um dos grupos de apoio criados para auxiliar quem convive com o Alzheimer que Rosângela encontrou mais forças para enfrentar a nova realidade.

“Ao participar dos encontros tenho uma sensação de partilha muito importante. Percebo que eu e minha família não estamos sozinhas nesta realidade e que a troca das histórias acaba confortando todos os participantes”, afirma Rosângela, que participa do Grupo de Apoio a Familiares de Pessoas com Alzheimer no Hospital Rios D’Or, em Jacarepaguá. As reuniões são mensais e gratuitas.

Segundo ela,  as orientações recebidas de profissionais ajudam muito na conduta dos cuidados com a mãe. “Também confirmam que muito do que já fiz para proporcionar melhor qualidade de vida a ela fiz foi acertado, inclusive, estimulando a prática de atividades”, conta ela.

Além dos esquecimentos e/ou repetições de histórias do passado, características iniciais do processo, a pessoa com Alzheimer tende, em estágios mais avançados, esquecer como são executadas as tarefas pessoais. “Por isso, o familiar precisa cuidar também do próprio bem-estar emocional para a condução do cuidado e, incentivar, sempre que possível, que o paciente permaneça em suas atividades”, destaca a  psicóloga Mariana Guedes, líder do grupo.

Prática de atividades físicas é importante aliado

Para especialistas, familiares e cuidadores devem permitir que os pacientes continuem desempenhando suas atividades, desde que monitorados, já que a precisão dos movimentos, inclusive dos reflexos, é reduzida pela doença.  “É importante que convivam com outras pessoas, conversem, dancem, leiam e façam outras atividades, mantendo o corpo e a mente em movimento”, afirma a fisioterapeuta do Rios D’Or, Patrícia Fernandes.

Além de manter as atividades do cotidiano, praticar exercícios físicos é outra alternativa para manter o paciente com Alzheimer ativo, estimulando os comandos do cérebro e, em alguns casos, retardando o esquecimento. Estudos da neurociência, inclusive, já comprovaram que a prática de exercícios físicos é capaz de diminuir o risco de desenvolver diversas doenças, e o Alzheimer é uma delas.

“Curiosamente, a atividade física parece ter mais influência positiva no envelhecimento cerebral e na prevenção das demências do que a manutenção de atividade intelectual pós-aposentadoria, algo que sempre foi muito repetido. Atos simples como subir escadas e caminhar podem reduzir os riscos de desenvolvimento da doença”, explica Paulo Mattos, médico e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

Segundo ele, além da prevenção, a prática de exercícios físicos pode minimizar os sintomas do Alzheimer, melhorando a “comunicação” entre as áreas cerebrais afetadas pela doença. “O exercício aumenta tanto a expressão gênica quanto a proteína do BDNF, substância que favorece a formação dos neurônios”, destaca.

O ideal é identificar dentre os hábitos anteriores ao diagnóstico da doença as ações preferidas do paciente. Rosângela, por exemplo, conta que sua mãe sempre gostou de dançar, e, em um dos encontros com as bisnetas, percebeu que Dirce sorria ao ouvir cantigas de roda. A partir daí, inclui a brincadeira na rotina da casa, beneficiando a interação familiar e, principalmente, proporcionando momentos de alegria e movimento para Dirce.

Clínica da Memória

Nesta quarta-feira (21), Dia Mundial da Conscientização da Doença de Alzheimer, especialistas lembram que a patologia é responsável por 70% dos casos de demência, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), em um universo de 47,5 milhões de pessoas. A estimativa é de que até 2050 cerca de 130 milhões de pessoas recebam o diagnóstico de Alzheimer, em sua maioria, idosos acima de 65 anos.

O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mantém no Rio de Janeiro o serviço “Memory Clinic”, primeiro do estado a oferecer os diversos exames necessários para o diagnóstico de demência. Para avaliar indivíduos com queixas de memória, o serviço utiliza os protocolos mais modernos de investigação, como avaliação clinico-neurológica, neuroimagem e neuropsicologia, além do exame de líquor.

“Muitas investigações precisam esclarecer aspectos importantes sobre a demência. Por exemplo, quais fatores determinam se o estágio intermediário, o Comprometimento Cognitivo Leve, irá progredir para demência ou não”, ressalta Paulo Mattos. Como a causa do Alzheimer ainda não é conhecida, assim como a cura, o tratamento visa atenuar os sintomas e garantir qualidade da vida ao portador da doença.

Na terça-feira, dia 27,  das 14 às 16h, um evento gratuito realizado no auditório do Hospital Rio´s Dor, vai abordar as questões que envolvem a vida de pacientes com Alzheimer e seus familiares e cuidadores, como direitos e benefícios sociais do paciente idoso, arteterapia como atividade de amparo e assistência domiciliar e a rotina de um cuidador.  Informações: (21) 2448-3549.

Fonte: Hospital Rio´s Dor

 

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