Alzheimer: quando o cuidador também precisa de cuidados

Rosayne Macedo

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Junto com os doentes, cresce o número de pessoas cuidadoras que possuem sua rotina afetada pelo Mal de Alzheimer e sofrem de estresse. Mas como cuidar do doente e também de si mesmo em meio ao estresse do dia-a-dia? Para o neurologista André Gustavo Lima, é importante também que os familiares e os cuidadores saibam como lidar com o doente, recebendo orientações sobre a natureza e as evoluções da doença.

“Os cuidados com o paciente são essenciais para que ele tenha conforto. Sempre observar as mudanças de comportamento, ter cuidados com a higiene para evitar infecções, não entrar em conflitos e principalmente ter muita paciência e amor”, afirma o especialista.

Segundo ele, é comum o familiar cuidador de pacientes com Alzheimer ter estresse. Isso ocorre devido à sobrecarga de cuidados com o doente que aumenta com a evolução da doença. O estresse gera uma situação de desgaste psicológico e físico e isso diminui a qualidade de vida, gera inquietude, desencadeia emoções e sentimentos negativos e piora o cuidado com o doente.

Ele lista vários sintomas de estresse do cuidador/familiar, como negação sobre a doença e suas conseqüências; raiva com a pessoa doente ou com os outros, raiva pela doença não ter cura ou pelo fato de a pessoa doente não compreender o que está se passando. Quem cuida de um paciente com Alzheimer sofre ainda com isolamento social de amigos e das atividades que antes traziam prazer; ansiedade em relação a um novo dia ou ao que o futuro reserva.

A depressão pode atingir seu espírito e sua habilidade de enfrentamento e a exaustão pode tornar quase impossível realizar as tarefas do dia-a-dia. Com isso, surge a insônia inicial causada por uma série de preocupações. A irritação altera o humor e desencadeia respostas e ações negativas, como falta de concentração e surgimento de problemas de saúde, tanto físico quanto psicologicamente. “As consequências desse estresse são insônia, ganho ou perda de peso, ansiedade, depressão, sedentarismo, piorra na saúde cardiovascular, entre outros”.

Algumas dicas podem ajudar ao familiar cuidador a diminuir o estresse diário: aumentar o conhecimento sobre a doença; evitar o esgotamento praticando atividades físicas; ter um sono reparador; organizar rotinas e fazer um gerenciamento dos cuidados diários; tratar transtornos de humor e ansiedade, socializar (conversar com os amigos, se divertir, ter otimismo em relação à vida), manter a aparência bem cuidada, tirar um momento para si, meditar, exercitar a espiritualidade e se preciso participar de grupos de apoio. Além disso, procurar dividir as tarefas, tirar umas pequenas férias, contratar um cuidador e programar turnos livres ajudam a combater o estresse, manter o ânimo e a energia para continuar.

Novo medicamento na rede pública

O Alzheimer é dividido em três fases: inicial, moderada e avançada, e em cada uma delas os sintomas vão se intensificando até chegar à necessidade de uma supervisão contínua. O paciente não passa de um estágio direto para o outro.  Ele se encontra, por exemplo, em um estágio entre o inicial e o intermediário ou entre o intermediário e o avançado.

O tratamento ministrado atualmente é feito através de medicamentos e programas de atividades específicos para o paciente. Os pacientes que sofrem com o Alzheimer terão mais uma opção de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento “Memantina” foi incorporado pelo Ministério da Saúde e estará à disposição da população até maio de 2018 nas unidades de saúde do país. O novo fármaco, que será ofertado em comprimidos, proporcionará melhor qualidade de vida dos pacientes com esta doença, que afeta um terço da população idosa.

A decisão da oferta do medicamento no SUS ocorreu após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em julho deste ano. “A incorporação é uma luta antiga de representantes e pacientes que sofrem com a doença. É uma conquista significativa que influenciará favoravelmente na qualidade de vida dos doentes e cuidadores”, afirmou Marco Fireman, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

O Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas sobre a Doença de Alzheimer foi criado em 2002 e atualizado em 2010 e 2013. O documento estabelece o tratamento multidisciplinar e deve envolver os diversos sinais e sintomas da doença. Apesar de não ter cura para a doença de Alzheimer, o tratamento e o cuidado adequados nos diversos pontos de atenção Rede SUS podem proporcionar uma maior sobrevida e mais qualidade de vida. O tratamento proporciona alívio dos sintomas e a estabilização ou retardo da progressão da doença, proporcionando mais autonomia e independência funcional pelo maior tempo possível.

Por isso a importância do trabalho multidisciplinar ofertados nos serviços especializados em reabilitação, com a presença de fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e suporte psicológico e familiar, buscando evitar e/ou retardar a perda das funcionalidades e habilidades cognitivas. Tais serviços são ofertados na Rede SUS nos Centros Especializados em Reabilitação. Atualmente, o Brasil conta com 139 Centros Especializados em Reabilitação habilitados pelo Ministério da Saúde para realizar diagnóstico e ofertar o tratamento.

Fonte: Ministério da Saúde e André Gustavo Lima

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