Amamentar melhora o QI da criança e protege a mãe

Rosayne Macedo

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Nesta  Semana Mundial de Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto), o Blog Vida & Ação publica uma série de matérias sobre a importância deste que é o mais primitivo e mais natural e belo ato da espécie humana. Afinal, o homem é um animal mamífero, geneticamente programado para receber os benefícios do leite materno e do ato de amamentar. Mas, desde, pelo menos, os anos 60, fomos modificando e artificializando a alimentação das crianças, seja pela entrada da mulher no mercado de trabalho, seja por pressão da indústria alimentícia.

Levantamento da  revista científica The Lancet aponta que os gastos com saúde associados à ausência de aleitamento materno somam mais de US$ 300 bilhões no mundo. No Brasil, por exemplo, se as taxas de aleitamento chegassem a 90%, a economia seria de US$ 6 milhões, com melhorias cognitivas e anticorpos para o bebê e a redução do índice de câncer de mama e de ovários para a mãe.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 68% das crianças brasileiras são amamentadas na primeira hora de vida, 50% seguem mamando até completar o primeiro ano de idade e 25% são amamentadas até o segundo ano. Os dados colocam o país em posição de destaque em estudo recente publicado pela revista inglesa The Lancet – especializada na área da saúde –, que aponta o Brasil como um dos que mais vêm avançando em políticas de estímulo ao hábito de amamentar.

A Semana tem o intuito de promover e conscientizar sobre a importância da amamentação, tanto para os bebês quanto para a saúde das mães. Também conhecida como Agosto Dourado, a cada ano, propõe uma discussão diferente. Em 2017, o tema é “Proteger a amamentação: construindo alianças sem conflitos de interesse. Nesta edição inicial, trazemos informações de especialistas de dois centros especializados em cuidar de bebês e suas mães: o Prontobaby – Hospital da Criança e o Hospital Vitória, no Rio de Janeiro.

Programa de Aleitamento ajuda mães a amamentar bebês internados no Rio

Dados mostram que crianças que são amamentadas por mais tempo têm melhor desenvolvimento intelectual – um aumento médio de 3 pontos no QI, reduzindo o risco de distúrbio de déficit de atenção e distúrbios generalizados de desenvolvimento e comportamentais. Além disso, a cada ano que uma mãe amamenta, o risco de desenvolvimento de câncer de mama invasivo é reduzido em 6%. E o bebê também segue mais protegido de infecções, diarreias e alergias.

“Hoje já se sabe que a amamentação é um fator protetor para várias doenças tanto para mãe, quanto para o bebê, além de ter um impacto positivo no neurodesenvolvimento, melhorando o QI da criança. É importante estimular e garantir que pelo menos nos seis primeiros meses de vida essa seja a opção de alimento preferencial e se possível, exclusiva”, ressalta a nutróloga pediátrica especialista em aleitamento Aline Magnino, do Prontobaby – Hospital da Criança.

Especialista há mais de 10 anos em apoiar famílias a vencer os desafios iniciais da amamentação, Aline é coordenadora médica da Unidade de Internação e conhece de perto os desafios enfrentados pelas mães, especialmente aquelas cujas crianças precisam ficar internadas. Segundo a médica, vencer as barreiras emocionais decorrentes do ambiente hospitalar, que provocam tensão, preocupação, agitação e, somado a isso o distanciamento de mãe e bebê, tornam ainda mais difícil manter a produção do leite materno. Mas, para ela batalha é recompensada a cada bebê amamentado.

“No hospital, nosso desafio é diário, mas temos tido muito sucesso! Nós incentivamos todas mães a ordenharem o próprio leite em casa e trazerem diariamente, a fim de oferecermos a seu filho. Isso é possível, até mesmo, via sonda gástrica, caso o bebê não possa se alimentar diretamente no seio materno. E esse ato é muito importante, especialmente nesses casos, não só por ser o melhor nutriente para a criança, mas também por propiciar o fortalecimento do vínculo mãe-bebê”, destaca.

Proteção da mãe contra doenças cardíacas e diabetes

“O leite materno é um alimento completo, pois é rico em sais minerais e contém todos os nutrientes fundamentais para o desenvolvimento saudável do bebê, além de ser melhor digerido do que os outros tipos de leite. Ele é capaz de suprir, sozinho, as necessidades nutricionais das crianças nos primeiros seis meses e continua sendo uma importante fonte de proteínas, gorduras e vitaminas até o segundo ano de vida”, explica a médica Maria da Glória Neiva, diretora do Núcleo de Pediatria do Hospital Vitória, na Barra da Tijuca.

Ela  enfatiza que, por possuir diversos fatores imunológicos que protegem contra infecções, nenhum outro alimento é tão eficaz para a saúde do bebê. A especialista recorda a indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de alimentar os bebês exclusivamente com o leite humano e, somente depois de seis meses, oferecer nutrição sólida, como frutas e papinhas. “É de extrema importância que os pais recebam e as famílias sigam essa orientação, pois o leite materno traz numerosos ganhos, como a evolução do desenvolvimento motor e cognitivo. Sem falar que estudos mostram que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca, de dermatites e de outros problemas, como a asma brônquica”, pontua.

A pediatra do Hospital Vitória ressalta, ainda, que as crianças amamentadas costumam ter seu peso dobrado do nascimento até os seis meses de vida. “Se seu filho está ganhando peso adequadamente com o leite materno, então está recebendo nutrientes suficientes. É normal que ocorra uma perda de peso nos primeiros quatro dias após o nascimento. No entanto, o bebê vai recuperar o que perdeu em até 15 dias. O normal é que a criança ganhe, em média, 200 gramas a cada semana”, enfatiza.

Outra questão que a médica destaca é a falsa ideia de que a amamentação só é benéfica para os bebês. A especialista menciona um estudo publicado no American Journal of Obstetrics, que coloca a amamentação como protetor natural da mulher contra o desenvolvimento de síndromes metabólicas, como doenças cardíacas e diabetes, após a gravidez. “Outro benefício é o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho. Acreditamos que a amamentação traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe. Uma amamentação prazerosa, o ‘olho no olho’ e o contato contínuo entre mãe e filho certamente fortalecem os laços afetivos”, enfatiza.

Dicas rápidas da especialista

·         Não tenha receio de amamentar seu bebê exclusivamente com o leite materno até os seis meses. Todo leite materno é forte e adequado para o crescimento e o desenvolvimento do bebê;

·         Ofereça o leite sempre que o bebê solicitar, independente do horário, pois é a melhor forma de mantê-lo bem nutrido. Quanto mais seu bebê mamar, mais leite você terá;

·         Evite bicos, chupetas, chuquinhas ou mamadeiras. Todos esses produtos prejudicam a amamentação, podem causar infecções, prejudicar a fala e deformar a arcada dentária da criança;

·         Não fique com dúvidas! Pergunte e siga a orientação do pediatra que acompanha o seu bebê.

Proteção conferida pela amamentação

Para a mãe

– Prevenção da depressão pós-parto

– Proteção contra câncer de mama

– Efeito protetor contra osteoporose

– Redução de riscos de doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia e acidente vascular cerebral

Para o bebê

– Diminuição da mortalidade infantil por doenças infecciosas

– Proteção contra incidência e gravidade das diarreias e infecções respiratórias

– Melhora do desenvolvimento cognitivo e coeficiente de inteligência

– Proteção contra alergias respiratórias (asma e rinite alérgica) e dermatite atópica

– Proteção contra o câncer infantil

– Proteção contra a desnutrição e melhora no desenvolvimento e crescimento

– Proteção contra a obesidade

Mais sobre a campanha

A Semana Mundial de Aleitamento Materno é comemorada de 1º a 7 de agosto em mais de 150 países, desde 1992, como iniciativa da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba – World Alliance for Breastfeeding Action), ONG constituída por uma rede mundial de indivíduos e organizações empenhadas na proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno como um direito de mães e crianças, independente de raça, credo ou nacionalidade.

No Brasil, a coordenação da Semana de Amamentação é de responsabilidade do Ministério da Saúde e tem o apoio de Organismos Internacionais, Secretarias de Saúde Estaduais e Municipais, Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, Hospitais Amigos da Criança, Sociedades de Classe e ONGs. No Rio de Janeiro, o Grupo Prontobaby, dos hospitais Centro Pediátrico da Lagoa e Prontobaby – Hospital da Criança, que inclui a maior emergência pediátrica do estado, com seis mil atendimentos, 300 cirurgias e 600 internações mensais, organiza durante o mês de agosto diversas atividades para sensibilizar as famílias para o valor desse ato para a saúde de mãe e bebê.

Fonte: Prontobaby e Hospital Vitória

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