Amor sem limite que vem do útero e supera qualquer barreira

Mães relatam como foi descobrir, durante a gravidez, que seus filhos possuíam algum tipo de malformação. Pré-natal foi extremamente importante para o diagnóstico final

Redação

Ser mãe não é uma tarefa fácil, e tudo começa na gravidez. Se muitas vezes, em uma gestação saudável, a mulher sente diferentes tipos de sensações, como será que funciona a cabeça de uma futura mãe que descobre que seu filho possui algum tipo de malformação?

Julianna Strobel, analista de mercado e mãe do Lucca, e a professora Ana Paula Ximenes, mãe de Valentina, passaram exatamente por isso. Hoje essas e tantas outras mães comemoram terem descoberto as malformações de seus filhos a tempo.

Cirurgias ainda dentro da barriga

Lucca foi diagnosticado ainda na barriga com miolomeningocele, uma malformação na coluna do bebê, que pode levar a deficiência motora. Julianna, moradora de Curitiba (PR), veio para o Rio de Janeiro realizar a cirurgia fetal, na Perinatal, sem saber muito bem como seria a vida de todos, inclusive, do pequeno Lucca.

A notícia virou meu mundo de ponta cabeça e não tive muito tempo para pensar. Foi tudo muito rápido. Procurei alternativas, fiz vários exames, finalizei as coisas no trabalho e fui embora para o Rio, sabendo que não poderia voltar ao trabalho até Lucca nascer”, relembra Julianna.

O bebê passou por uma cirurgia ainda no feto. “Foi um momento difícil, mas, agora, ele está crescendo saudável e feliz. Com todos os movimentos das pernas e dos braços. É uma alegria muito grande”.

Ana Paula, do Rio de Janeiro, descobriu aos sete meses de gestação que seu bebê tinha hipoplasia da cavidade esquerda, uma grave malformação no coração que possui uma taxa de mortalidade de 100%, caso a cirurgia não seja realizada.

Confusa e preocupada, recorreu à Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações, uma entidade sem fins lucrativos que auxilia famílias de crianças com cardiopatia congênita. Lá, Ana Paula foi orientada a procurar a Perinatal, por ser um dos únicos hospitais no Brasil que realizam a Cirurgia de Norwood.

“Foi a minha esperança. No dia seguinte do nascimento, Valentina foi transferida para a Perinatal Barra, onde foi operada com apenas seis dias de vida. Foram mais de dois meses de internação”, relembra .”A segunda intervenção foi no sexto mês e a terceira aos dois anos.

60% dos atendimentos são de fora do Rio

No caso do pequeno Lucca, o tratamento e recuperação só foram possíveis graças à cirurgia. “Fizemos os procedimentos na Perinatal, no Centro de Cirurgia Fetal de lá. É referência”, comenta. E não é à toa. Cerca de 60% dos atendimentos na instituição são de fora da capital. O Centro já atendeu mais de 600 pacientes para avaliações, aconselhamentos genéticos e exames diagnósticos, tendo realizado 35 procedimentos intrauterinos neste período, o que proporcionou acolhimento para as pacientes e uma melhor qualidade de vida para os fetos operados, como foi o caso do Lucca.

De acordo com Dr. Manoel de Carvalho, um dos diretores e fundadores da Perinatal, essas cirurgias precisam ser divulgadas e faltam especialistas. “Há uma carência dessa expertise completa no Brasil. Quando a gestante transita de um lugar para o outro, diversos fatores interferem na evolução da vida desses bebês, desde o estresse da mãe até a dificuldade de comunicação entre os diferentes especialistas envolvidos no processo”, explica.

Existiram complicações, mas todas já haviam sido previstas pelos médicos, eu já sabia o que esperar”, completa. Para Dra. Sandra Pereira, coordenadora de cirurgia cardíaca da Perinatal, o diagnóstico intrauterino foi decisivo para que Valentina vivesse.

“Quando Ana Paula chegou ao hospital, já havíamos analisado o caso anteriormente ao nascimento. Reconstruímos a parte mais forte do coração, fazendo desvios através das artérias. É um procedimento extremamente complexo e a taxa de mortalidade é de 100%, caso não seja realizada a cirurgia por uma equipe especializada logo nos primeiros dias de vida”, relata a Dra. Hoje Valentina já têm quatro anos e leva uma vida normal.

“É muito difícil para uma mãe passar por isso na gestação, mas hoje vejo que nada foi em vão. Ela é uma espoleta. Dança, brinca com outras crianças, leva uma vida normal”, se emociona.

A importância do pré-natal na gravidez

Casos como o de Lucca e Valentina mostram a importância do pré-natal na gravidez. “Se eu não tivesse feito todos os exames de rotina jamais descobriríamos o problema da minha filha”, conclui Ana Paula. Para Dra. Sandra, quanto antes for realizado o diagnóstico mais chances o bebê tem de sobreviver. “Não importa qual seja a patologia ou malformação, o pré-natal é fundamental. A rotina comum é que o ultrassonografista detecte a anormalidade e encaminhe a gestante para realizar o ecocardiograma fetal, no caso de cardiopatias congênitas”.

“Minha gravidez foi uma loucura. Não sei quantos quilos engordei. Fazia ultrassons segundas e quintas para ver a quantidade de líquido amniótico e a saúde do bebê, fazia exames diariamente para ver os batimentos cardíacos do bebê e ter certeza que ele estava bem e sem sofrimento. Colhiam meu sangue dia sim, dia não, para verificar se não tinha infecção, tiravam minha pressão e temperatura a cada 4 horas”, conta Julianna.

Mas para a mãe todo esse período de luta valeu a pena. “Meu filho vai fazer dois anos em julho e vive em constante desenvolvimento. Lucca está crescendo, tem os movimentos das pernas e braços normais, e eu agradeço todos os dias por esse milagre!”, finaliza.

Fonte: Perinatal, com Redação

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