Apesar de queda em casos, Rio deve manter isolamento, alerta Fiocruz

Pesquisa mostra que medida contribuiu para reduzir números da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), presente na maioria dos quadros graves da Covid-19

novo relatório semanal do sistema InfoGripe, divulgado nesta sexta-feira (12) pela Fiocruz mostra que houve uma queda de novos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – principal manifestação da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus – no Estado do Rio de Janeiro na segunda quinzena de maio deste ano e na primeira semana de junho, porém, ainda com valores semanais altos.

De acordo com o coordenador do InfoGripe Marcelo Gomes, a diminuição ocorrida no período se deve às medidas de distanciamento social adotadas no estado devido à pandemia do novo coronavírus. “Do ponto de vista epidemiológico, a flexibilização das medidas de distanciamento social facilita a disseminação de vírus respiratórios e, portanto, podem levar a uma retomada do crescimento no número de novos casos”, pontuou.

O pesquisador alertou que, apesar dessa queda da SRAG, o Estado do Rio deve manter o distanciamento social até que se tenha maior segurança em relação à queda sustentável e para o sistema de saúde não ser sobrecarregado ou entrar em colapso, caso ocorra um crescimento do número de casos. Na visão do pesquisador, esse resultado pode ser efeito da diminuição do ritmo de 10 a 15 dias antes.

Gomes destaca que, como o número de casos novos semanais ainda está bem alto, os efeitos da nova onda de flexibilização podem repercutir mais à frente. “Vários lugares que flexibilizaram antes do momento tiveram piora no quadro”. Como o vírus ainda está circulando e o número de casos ainda é alto, a flexibilização facilita a transmissão e, com isso, pode levar à retomada do crescimento”, ressaltou.

As análises se referem ao período de 31 de maio a 6 de junho e têm como base os dados inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-gripe) até 7 de junho. Para fins de comparação, no Estado do Rio de Janeiro, até a vigésima terceira semana em 2019 (ano em que se observou uma temporada de SRAG considerada elevada), foram 1.411 registros de síndrome, independentemente da presença de febre.

Este ano, no mesmo período, mesmo com dados incompletos por conta da oportunidade de digitação (tempo entre a data de primeiros sintomas e inserção do caso no sistema nacional de informação) já são 18.204 registros, o que representa um aumento percentual de 1.397%.

Gomes observou que, ao considerar a estimativa de casos recentes, desenvolvida para compensar esse atraso, o aumento sobe para 1.875%. Mesmo se comparado com o total de casos notificados em 2019, o aumento observado nas notificações até o momento seria de 779% (1.059% considerando a estimativa com base no atraso de digitação).

A atualização referente ao período de 31 de maio a 6 de junho mostra que a segunda quinzena de maio foi de queda sustentada, ou seja, de sequência de semanas consecutivas de queda no número de novos casos semanais no estado do Rio de Janeiro. Porém, os casos semanais continuam bem acima do limiar de atividade muito alta para o estado, que é baseado no padrão histórico”, informou o coordenador do sistema.

O pesquisador explicou que o limiar de atividade muito alta, utilizado para identificar temporadas cuja incidência é considerada significativamente elevada, é de 0,35 casos semanais por 100 mil habitantes no Estado do Rio de Janeiro. Para a Semana Epidemiológica 23, a estimativa é de que tenham ocorrido cerca de 10,4 casos por 100 mil habitantes, podendo variar entre 6,8 a 16,4.

Sobrecarga na rede hospitalar

Outro ponto importante, afirmou Gomes, para fins de reavaliação das políticas de distanciamento social por gestores públicos, é levar em conta esses dados em conjunto com dados sobre as capacidades do sistema de saúde para enfrentar o crescimento do número de casos, como taxa de ocupação de leitos e de UTIs, conforme abordado em nota técnica elaborada pela Fiocruz.

Conforme destacado em boletins anteriores, observou o pesquisador, diversos estados já relatam sobrecarga excessiva na sua rede hospitalar. Alguns deles já apresentam capacidade máxima ou próxima da máxima.

O coordenador do InfoGripe chamou atenção ainda que, para fins de embasamento de ações relacionadas a distanciamento social, é fundamental analisar os dados em conjunto com a taxa de ocupação de leitos e UTIs das respectivas regionais de saúde. Isso porque a análise mostra que o número de novos casos semanais de SRAG ainda se encontra elevado mesmo nos estados que apresentaram queda.

Marcelo Gomes afirmou ainda que dada a heterogeneidade espacial da disseminação da Covid-19 no país e estados, recomenda-se que sejam feitas avaliações locais, uma vez que a situação dos grandes centros urbanos é potencialmente distinta da evolução no interior de cada estado. “A situação das grandes regiões do país serve de base para análise de situação, mas não deve ser o único indicador para tomada de decisões locais”, frisou.

Casos de SRAG no país

Em todo o Brasil, foi registrado um total de 159.180 casos já reportados no ano, sendo 63.868 (40,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 49.886 (31,3%) negativos, e cerca de 32.783 (20,6%) aguardando resultado laboratorial. Levando em conta a oportunidade de digitação, estima-se que já ocorreram 191.327 casos de SRAG, podendo variar entre 179.178 e 208.432 até o término da semana 23. Entre os positivos, 0,6% foram de Influenza A, 0,2% Influenza B, 0,1% vírus sincicial respiratório (VSR), e 98,2% Sars-CoV-2 (Covid-19).

Ao considerar a presença de febre nos registros, conforme definição internacional de SRAG, o total de casos notificados foi 122.952, com estimativa de 144.097 [136.596 – 156.796]. Para fins de comparação, o total de registros em todo o ano de 2019 e 2016 foram de 39.429 e 39,871 casos, respectivamente. O total de registros de hospitalizações ou óbitos no Sivep-gripe, independente de sintomas, é de 229.910 casos, com estimativa atual de 285.895.

Óbitos por SRAG no país

Já foram reportados no ano 33.811 de óbitos de SRAG – independente da presença de febre, sendo 20.245 (59,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.048 (26,8%) negativos. Há cerca de 2.185 (6,5%) aguardando resultado. Levando em conta a oportunidade de digitação, estima-se que já ocorreram 37.986 óbitos de SRAG, podendo variar entre 36.257 e 40.693 até o término da semana 23. Entre os positivos, 0,6% Influenza A, 0,2% Influenza B, 0,1% vírus sincicial respiratório (VSR), e 98,2% Sars-CoV-2 (Covid-19).

Considerando a presença de febre nos registros, conforme definição internacional de SRAG, o total de casos notificados foi de 25.646, com estimativa de 28.434. Para fins de comparação, o total de registros em todo o ano de 2019 e 2016 foi de 3.811 e 4.785 óbitos, respectivamente. Quanto ao total de registros de óbitos no Sivep-gripe, independente de sintomas, é de 52.855, com estimativa atual de 61.233.

Os dados de óbitos têm sofrido alto impacto por conta da oportunidade de digitação, afetando significativamente as análises para semanas recentes, em particular a qualidade do modelo de estimativa de casos recentes”, salientou Marcelo Gomes.

Da Fiocruz, com Redação

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