As 32 doenças que mais matam os brasileiros e poderiam ser evitadas

Um estudo pioneiro revela a enorme desigualdade na qualidade e no acesso a serviços de saúde dentro de países e entre diferentes países, e conclui que pessoas estão morrendo devido a causas com tratamentos amplamente conhecidos. O Brasil melhorou nos últimos 25 anos, aumentando sua pontuação de 50 em 1990 para quase 65 em 2015, com base em um índice de 0 a 100, de acordo com um estudo publicado quinta-feira (18) no periódico médico internacional The Lancet.

O sistema de saúde atual do Brasil se classifica bem na abordagem de doenças comuns evitáveis por vacinação, como difteria (pontuação 100) e sarampo (pontuação 99), assim como infecções do trato respiratório superior (pontuação 94). No entanto, o Brasil se classificou mal em outras categorias, como em distúrbios neonatais (pontuação 41) e infecções do trato respiratório inferior (pontuação 44).

O estudo é a primeira iniciativa a avaliar a qualidade e o acesso a serviços em 195 países. Os pesquisadores utilizaram um índice de Qualidade e Acesso a Serviços de Saúde (QASS), baseado em taxas de mortalidade devido a 32 causas que poderiam ser prevenidas por cuidados médicos efetivos em tempo hábil, a chamada “mortalidade tratável”.

O país com a melhor colocação foi Andorra, com pontuação totalizando 95; a menor pontuação do país foi 70, em Linfoma de Hodgkin. O país com a pior colocação foi a República Centro-Africana, com 29; o tratamento com a maior pontuação no país foi a difteria, com 65.

“O que constatamos com relação à qualidade e ao acesso a serviços de saúde é perturbador”, afirma Christopher Murray, autor principal do estudo e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washington. “Uma economia robusta não garante bons serviços de saúde, e a abundância de tecnologia médica também não garante isso. Sabemos disso porque as pessoas não estão recebendo os cuidados que seriam esperados para doenças com tratamentos estabelecidos.”

Por exemplo, tanto a Noruega como a Austrália pontuaram 90 no total, figurando entre os melhores colocados no mundo. No entanto, a Noruega pontuou 65 no tratamento de câncer testicular, e a Austrália pontuou 52 no tratamento de câncer de pele não melanoma. “Na maioria dos casos, ambos os tipos de câncer podem ser tratados com eficiência”, afirma Murray. “Não é então seriamente preocupante que pessoas estejam morrendo desses tipos de câncer em países que têm os recursos para tratá-los?”

As pontuações foram baseadas em estimativas do Estudo Global Anual do Peso de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD), uma iniciativa científica e sistemática para quantificar a magnitude dos prejuízos de saúde de todas as principais doenças, lesões e fatores de risco por idade, sexo e população. Com mais de 2.300 colaboradores em 133 países, o GBD examina mais de 300 doenças e lesões.

Além disso, foram extraídos dados do mais recente GBD, que foram avaliados usando um Índice Sociodemográfico (ISD) de taxas de educação, fertilidade e renda. O ISD vai além da distinção histórica entre países “desenvolvidos” e “em desenvolvimento”. Estudos similares anteriores se limitavam primariamente a países de alta renda, especialmente da Europa Ocidental.

Países em grande parte da África subsaariana, assim como na Ásia e no Pacífico, apresentaram as menores pontuações. Mesmo assim, muitos países nessas regiões, incluindo a China (pontuação 74) e a Etiópia (pontuação 44) apresentaram melhorias substanciais desde 1990.

O artigo indica alguns sinais favoráveis de melhoria na qualidade e no acesso à saúde. Desde 1990, vários países alcançaram progresso tal que igualaram ou superaram os níveis alcançados por outros países com desenvolvimento semelhante. Esses países incluem Turquia, Jordânia, Coreia do Sul, Maldivas, Níger, e vários países da Europa Ocidental, como Suíça, Espanha e França.

O IHME planeja atualizar anualmente a análise, “Healthcare Access and Quality Index Based on Mortality from Causes amenable to personal Healthcare in 195 Countries and Territories, 1990 – 2015: A Novel Approach to the Global Burden of Disease 2015 Study”, e visa usar os resultados para melhor entender as lacunas e oportunidades para melhoria do acesso à saúde no mundo todo.

O índice de Qualidade e Acesso a Serviços de Saúde (QASS) é uma medida resumida baseada em 32 causas que, diante de serviços de saúde de boa qualidade, não deveriam resultar em morte. Essas 32 causas foram selecionadas como parte da pesquisa que o Prof. McKee e a Dra. Ellen Noltre, coautores do estudo, iniciaram no início da década de 2000. As causas são:

  • Tuberculose
    • Doenças relacionadas a diarreia
    • Infecções do trato respiratório inferior
    • Infecções do trato respiratório superior
    • Difteria
    • Coqueluche
    • Tétano
    • Sarampo
    • Transtornos maternos
    • Transtornos neonatais
    • Câncer colorretal
    • Câncer de pele não melanoma
    • Câncer de mama
    • Câncer uterino
    • Câncer testicular
    • Linfoma de Hodgkin
    • Leucemia
    • Cardiopatia reumática
    • Doenças arteriais coronarianas
    • Doenças cerebrovasculares (derrame)
    • Cardiopatia hipertensiva
    • Doenças respiratórias crônicas
    • Úlcera péptica
    • Apendicite
    • Hérnia inguinal, femoral ou abdominal
    • Doenças biliares e da vesícula
    • Epilepsia
    • Diabetes e doenças urogenitais, sanguíneas e endócrinas
    • Doença renal crônica
    • Anomalias congênitas
    • Efeitos adversos de tratamentos médicos

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