Às vésperas do Réveillon de 2012, ela perdeu um braço. E ganhou uma nova vida

Rosayne Macedo

 

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Às vésperas do Réveillon de 2012, Kareemi sofreu um acidente de ônibus em que perdeu o braço direito. E mudou radicalmente sua vida. Para melhor, garante. “A forma de ver o mundo, minha vida, meu trabalho, mudaram para muito melhor! Hoje, tudo faz muito mais sentido”, conta a jornalista de 37 anos, em entrevista exclusiva – por email, através de sua assessoria de imprensa – ao VIDA & Ação.

Kareemi (nome em sânscrito que ela adotou após o acidente que significa generosidade – o sobrenome dela não é divulgado) é casada, mãe, empreendedora digital. Atualmente se dedica a orientar mulheres a desenvolver autoconfiança, amor-próprio e autoestima – os chamados ‘3 As’. “As mulheres, hoje, vivem a maior parte dos seus conflitos devido à falta de ‘3 As’ em suas vidas. E é nisso que colaboro, de modo que possa fazê-las compreender essa questão e transformar suas vidas”, afirma.

A jornalista diz que a ausência do membro a fez redescobrir e mudar completamente sua relação com o próprio corpo, a partir de uma percepção contrária à dos padrões de beleza impostos pela sociedade. “Quando perdi o braço, ganhei meu corpo inteiro, pois ganhei consciência corporal”, comenta.  Ela afirma ter vivido uma espécie de ‘upgrade’ físico e emocional quase que instantaneamente, logo depois do acidente.  “Antes, eu era muito mental, desconectada do corpo e do real motivo de vivermos através dele”.

Com base nessa forma de viver e pensar, Kareemi tem focado seu trabalho no público feminino que procura por exemplos e histórias reais de vida, independentemente da aparência física. “A beleza floresce de dentro para fora”, afirma.  Esses 3 ‘As’, aliás, se tornaram a base das ações de Desenvolvimento Humano que a palestrante motivacional executa hoje, presencial e virtualmente, em que também difunde o conceito da “Ginecologia Emocional”.

 

Ginecologia Emocional

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A experiência pessoal com o acidente também contribuiu para que Kareemi comprovasse a capacidade do ser humano de criar e curar doenças físicas conforme as emoções – algo trabalhado em áreas como Metafísica e Medicina Tradicional Chinesa. Adepta do parto humanizado, ela também é propagadora da Ginecologia Natural, um conhecimento ancestral andino ainda pouco difundido no Brasil, que se baseia no uso de tratamentos naturais para a cura de doenças ginecológicas. Passou a promover rodas de conversa entre mulheres com o objetivo de auxiliá-las a identificar a raiz emocional de seus problemas ginecológicos.

Esses encontros evoluíram para a criação de um workshop de “Ginecologia Emocional” – termo criado por ela -, lançado neste ano. “Mesmo que essa não tenha sido minha intenção, percebo que a forma como me redescobri após uma experiência transformadora com meu corpo acabou criando um caminho prático de autoconhecimento, que inspira mulheres a serem mais realizadas a partir da leitura precisa do
impacto de suas emoções no corpo”, conclui.

Para Kareemi, todos os problemas ginecológicos, bem como todos os problemas de saúde, têm sua origem emocional. “Esse conhecimento é milenar. Civilizações orientais e asiáticas seguem esses conhecimentos até hoje. Porém, nós mulheres, temos o útero como uma espécie de bússola emocional/comportamental que nos responde imediatamente quando algo se desequilibra em nossas emoções”. Segundo ela, irregularidades no ciclo menstrual, TPM, ou problemas mais graves como miomas e endometriose, por exemplo, explicam exatamente para qual emoção ou comportamento, a mulher deve olhar e tratar terapeuticamente para reverter o problema a partir de sua real origem.

Para estar em paz com sua saúde, a mulher precisa encontrar um caminho de autoconhecimento, conhecimentos ancestrais femininos e mudanças de hábitos ginecológicos, que dão autonomia à mulher a fim dela compreender tudo isso e assim saber a origem dos problemas que se desencadearam. “Esse caminho eu “desenhei” em forma de um workshop online, com base em anos de estudos, conhecimentos e minhas próprias experiências buscando a cura para a síndrome dos ovários policísticos.  Podem também ser associados tratamentos alopáticos (para tratar sintomas agudos), ou naturais, como os da Ginecologia Natural ou Medicina Ayurvédica – cada caso é um caso”.

Confira a entrevista exclusiva de Kareemi ao ViDA & Ação:

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– No dia 28 de dezembro faz 6 anos do acidente em que perdeu o braço. O que mudou na sua vida desde então?
KAREEMI: Tudo mudou! A forma de ver o mundo, minha vida, meu trabalho, mudaram para muito melhor! Hoje, tudo faz muito mais sentido.

– Você já sofreu algum tipo de preconceito. Se positivo, qual e como enfrentou?
KAREEMI: Nunca. Possivelmente, porque é muito transparente e contagiante a minha auto-aceitação, autoestima e indiferença com a ausência de um braço.

– Dizem que as mulheres têm vocação para a ‘sofrência’. Você acredita nisso? Elas sofrem mais que os homens?
KAREEMI: Somos mais emocionais, isso significa que demonstramos mais todos os nossos sentimentos e emoções, justamente por sermos direcionadas por eles. Isso vale tanto para o sofrimento, quanto para a alegria, o amor e tudo mais que o ser humano sente.
– A mulher vem se destacando cada vez mais e vencendo preconceitos. Mas ainda estamos longe da sonhada igualdade de direitos. Quais suas dicas para as mulheres que desejam fortalecer sua autoconfiança?
KAREEMI: Acredito que focar no seu autoconhecimento e desenvolvimento, estando conscientes de nossos talentos, força e poder de transformação, estamos dirigindo nossa energia a nós mesmas. Quanto mais envolvidas com nosso centro de criação, mais fortes, confiantes e determinadas estaremos.

– Todo mundo tem dias que está mais triste ou sem energia. O que fazer para recuperar a autoconfiança?
KAREEMI: A autoconfiança não exclui nossos “baixos”. Todo ser humano pode viver seus altos e baixos. É natural. A questão é que tendo autoconfiança, certamente, esses “baixos” têm menos efeito em nossas vidas, pois eles duram menos para quem confia em seu próprio potencial.

– Quais as dicas daria para as mulheres enfrentarem o 2018 com muito mais autoestima, autoconfiança e amor-próprio?
KAREEMI: Estar entre mulheres, participando de círculos femininos e trabalhos em grupo que fortalecem nossa energia, vitalidade e capacidade de realização. Se comparar menos com modelos de beleza, e se conscientizar mais de que cada mulher é única e tem sua própria beleza.

Dez passos essenciais para a harmonização dos 3 As

Para Kareemi, as pessoas desencadeiam parte de suas dores por falta de três ‘As’ em suas vidas: autoestima, amor-próprio e autoconfiança. “É nisso que foco meus esforços, de modo que possa fazê-las compreender e enxergar o que está ocorrendo e como podem tentar mudar”, afirma ela. Viver com leveza passou a ser seu lema, e esse equilíbrio entre mente e corpo só é conquistado – e o foi, também em seu caso – a partir da prática de dez passos essenciais para a perfeita harmonização dos chamados “3 As”.

1.       Implante o “não” na sua vida como resposta ao que não quer
“Dizer não ao outro é dizer sim a si mesmo”

2.       Coloque-se em primeiro lugar
“Se você não se coloca em primeiro lugar, as pessoas a sua volta também não te colocarão”

3.    Olhe-se no espelho e declare seu amor a si mesmo
“Levante todas as manhãs, olhe-se no espelho e diga ‘Eu te amo’”

4.    Seja menos autocrítico
“Seja compassivo consigo mesmo. Perdoe-se”

5.    Ame-se, independentemente de condições
“Se você se gostar do jeito que é, certamente fará outros passarem a gostar de você assim também”

6.    “Se ache”
“Se você ‘se achar’ (no melhor sentido), vai transmitir essa confiança, e tudo ao seu redor vai vibrar nesse sentido também”

7.    Seja digno de merecer o melhor
“Sinta-se capaz do muito que não te disseram que você é capaz”

8.    Reposicione seu modelo mental operante (mindset), tornando-o positivo e favorável a si mesmo
“Crie a sua realidade, aceite o que vier – e como vier – e viva pleno”

9.    Escreva as críticas recebidas num papel e o queime
“O fogo tem o papel de promover a transmutação. Enquanto o papel estiver queimando, você vai sentir muita gratidão por seus ofensores, como forma de se libertar dessas críticas e aceitar-se como realmente é”

10.   Dê menos importância ao que falam de você
“E perdoe sinceramente as críticas”

Para saber mais sobre Desenvolvimento Humano, com ênfase em mudanças de padrão comportamental, acesse www.kareemi.com. Acompanhe Kareemi também no FacebookYouTube e Instagram.

 

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