Asma grave: paciente tem direito a novos tratamentos no SUS e planos

Corticoides e broncodilatadores nem sempre controlam asma grave. Para esses pacientes, recomendam-se imunobiológicos, garantidos no SUS e ANS

Raíssa e a filha Giovanna, que convive com a asma grave (Foto: Divulgação)

Considerada uma das doenças crônicas mais incidentes no mundo e causa importante de absenteísmo nas escolas e no trabalho, a asma tem como os principais sintomas a falta de ar, fôlego curto, chiado, sibilos e sensação de aperto no peito. O Brasil tem a sexta maior prevalência de asma do mundo – estima-se que 20 milhões de pessoas convivem com essa enfermidade. 

Um estudo apontou que de 5% a 10% dos asmáticos não conseguem o controle clínico da doença, embora tenham o diagnóstico preciso. Este quadro é chamado de asma grave, quando a doença se manifesta de forma mais intensa, com sintomas mais constantes, debilitantes e nem sempre controlados com a medicação tradicionalmente usada.

Este é o caso da estudante Giovanna, de 9 anos, que tem a versão mais severa da asma. Sua mãe, a universitária Raissa Cipriano, que cursa Fisioterapia da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista (SP), viveu o dilema do impacto inicial do diagnóstico inesperado e tardio da doença. 

“Quando descobrimos que era asma grave, após uma série de hospitalizações e passagem pela UTI, ficamos em choque, mas tivemos que ser fortes, práticos, para encarar a condição e procurar ajuda médica. Não é fácil empoderar-se da situação de uma hora para outra. E a associação de paciente tem papel fundamental nesse processo”, relata.  

Hoje, Raíssa preside a Associação Brasileira de Asma Grave (Asbag), que não só promove programas educacionais para esclarecer as dúvidas dos pacientes com asma grave e seus familiares, como tem a missão de dar apoio para que as pessoas façam valer os seus direitos, incluído assessoria médica e jurídica em casos especiais.

Asma grave atinge até 10% dos pacientes

Realizado no Departamento de Pneumologia do Instituto do Coração (Incor),  o estudo selecionou 128 pacientes entre 2500 pessoas com asma grave e apontou que o tratamento adequado comprovou a eficácia na redução dos sintomas e exacerbações, melhora a qualidade de vida e na função pulmonar, alcançando o controle da asma, controlando a inflamação das vias aéreas e reduzindo as taxas de mortalidade

A grande maioria (90,5%) dos pacientes com asma grave foram hospitalizados pelo menos uma vez devido à exacerbação pela doença. Nos casos mais graves, 50% necessitaram de internação em UTI devido a uma exacerbação e 38% reportaram intubação.  Para os especialistas, os corticosteroides inalados e broncodilatadores nem sempre mantêm a doença controlada. Para esses pacientes, é recomendado o uso de imunobiológicos, medicamentos de ponta.

Assim como muitas doenças, a asma grave não tem cura, mas o seu controle é possível. No mesmo dia do início do inverno, 21 de junho, é celebrado também o Dia Nacional de Controle da Asma, para reforçar ainda mais os cuidados com infecções respiratórias comuns nesta época do ano. A data também serve de alerta sobre os direitos dos pacientes com asma grave no país.

Agora, os pacientes com asma grave têm direito a uma terapia alvo de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela saúde complementar (planos de saúde), uma vez que também existem imunobiológicos incorporados no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)Além disso, os pacientes têm direito a consultar-se regularmente com um médico especialista, o pneumologista ou o alergista, realizar os exames para acompanhamento da doença, como sangue, radiografias e testes de função respiratória.

Para o pneumologista Rodrigo Athanazio, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a descoberta de qualquer doença é preocupante. A asma grave, por exemplo, nos coloca em estado de alerta e desperta um turbilhão de emoções, mas também exige proatividade em busca do tratamento.

Para esses pacientes, o uso dos imunobiológicos é recomendado com segurança e eficácia. Felizmente, temos acesso ao SUS, um dos maiores e mais completos sistemas de saúde pública do mundo, e justamente por isso é importante entender quais os direitos que temos como pacientes”, esclarece.

A tradicional bombinha, com corticosteroides inalados, nem sempre funciona para pacientes de asma grave (Reprodução de internet)

Acesso a medicamento garantido nas redes pública e privada 

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) é responsável pela assessoria ao Ministério da Saúde (MS) nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como na constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica.  

Em 2021, após oito anos, a Conitec atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Asma para contemplar a incorporação de medicamentos imunobiológicos como terapia coadjuvante ao tratamento de pacientes com asma grave refratária ao tratamento convencional

Agora os pacientes com asma grave têm direito a uma terapia alvo de forma gratuita pelo SUS e pela saúde complementar (planos de saúde), uma vez que também existem imunobiológicos incorporados no Rol de Medicamentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Isso se traduz como uma vitória para os pacientes asmáticos graves que ficavam reféns do uso de altas doses de corticoide oral para tentar o controle da asma. Medicamentos esses que, com uso prolongado, podem trazer muitos eventos adversos ao paciente como diabetes, glaucoma, osteoporose, entre outros.

A disponibilidade gratuita de novos tratamentos é apenas um dos direitos dos pacientes com asma grave. No SUS, os asmáticos também podem consultar-se regularmente com um médico especialista, o pneumologista ou o alergista; realizar os exames para acompanhamento da doença, como sangue, radiografias e testes de função respiratória, recursos essenciais para manter a doença sob controle  

Segundo Athanazio, o paciente precisa entender que é necessário ir a consultas regulares, submeter-se a exames de controle e aderir à terapia prescrita pelo médico. “É fundamental que o paciente aprenda a gerir essa doença para que mantenha a qualidade de vida bem como faça valer os seus direitos como paciente”, conclui o especialista.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

In the news
Leia Mais