Assistência hospitalar: mais importante que gerenciar números é cuidar de vidas

Rosayne Macedo

Ary Marcos Vieira, de 20 anos, sofreu um acidente automobilístico e precisou ficar três meses internado, incluindo 45 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Público do Leste do Pará. “Todo o acompanhamento e atendimento realizado pela equipe do hospital foi ótimo. Não foi somente ele que foi muito bem cuidado, mas nós também. A equipe nos acolheu como família, dando informações constantes, atendimento imediato e suporte emocional”, disse a irmã do rapaz, Irislene Vieira. Só quem já teve um ente querido em uma unidade de terapia intensiva, muitas vezes entre a vida e a morte, seja por acidentes trágicos ou por doenças crônicas em estado terminal, sabe o quanto é importante o atendimento especializado e humanizado.

Os resultados podem ser facilmente mensuráveis, porém, mais do que gerenciar números, garantindo a eficiência dos leitos, empresas especializadas em assistência médica hospitalar, especialmente em UTIs, têm que cuidar de vidas. E por isso é importante que o trabalho resulte também na satisfação das famílias e, muitas vezes, no prolongamento da vida dos pacientes. “Há todo um contexto de emoções familiares e sociais envolvidos nesse processo. Existem muitas técnicas para promover a melhor qualidade de assistência que podem e devem ser empregadas com o objetivo de atingir o melhor resultado”, ressalta César Bortoluzo, líder executivo da Delphos Medicina, Consultoria e Gestão.

Criada e gerenciada por médicos com vasta visão do problema, a Delphos  presta consultoria a equipes de assistência hospitalar. Seus gestores já atuaram em oito hospitais estaduais do Rio e hoje a empresa está presente em três hospitais, entre os quais, o hospital do Pará. Segundo Bortoluzo, a comunicação e a liderança dentro da equipe multiprofissional e destes com pacientes e famílias propiciam melhores chances de lidar com o sucesso dos procedimentos e também com a inevitabilidade da morte em muitos casos.

“O hospital é onde mais morrem pessoas. A qualidade no atendimento implica em gasto maior. Porém, se faz mal feito, faz duas vezes. Não ensinamos o médico a ser médico, nem a enfermeira a ser enfermeira, mas atuamos num primeiro momento nas habilidades não técnicas, de acordo com normas da Associação Brasileira de Medicina Intensiva”, resume o médico Bortoluzo, especialista em Medicina Intensiva com mais de 20 anos de experiência na área e também líder executivo da Delphos.

Como tripulantes de um avião: nada pode sair errado

Segundo ele, os critérios de segurança para uma equipe médica numa unidade intensiva são semelhantes aos usados para tripulantes de um avião. “O relacionamento entre a equipe é fundamental para driblar as divergências na hora de um procedimento”, destaca. E esta comunicação interna é fundamental também na hora de envolver as famílias. Rezende ressalta que gerenciar o tempo de permanência no hospital – e precisamente em um leito de UTI – é fundamental não apenas para reduzir os custos da empresa hospitalar. “Se a equipe demorar a agir, pode custar caro e complicar a situação do paciente”, explica.

As equipes assistenciais (que envolvem médicos, enfermeiros e auxiliares) são constituídas por profissionais já formados para isso, mas que muitas vezes não tem desenvolvidas as necessárias habilidades de organização de processos assistenciais, trabalho em equipe, liderança, comunicação e empatia, tanto entre os integrantes da equipe como com os pacientes e seus familiares. “Desenvolver ou ampliar as muitas variáveis não técnicas nas equipes multiprofissionais promove, comprovadamente, a melhoria na qualidade da assistência”, ressalta o médico.

As melhorias mais significativas promovidas pela gestão da Delphos representam impactos nos indicadores de resultados, como a redução da taxa de mortalidade global, que sofreu queda de 22% . O trabalho contribui ainda com a redução do tempo de permanência dos pacientes na UTI, de até 27%, e de 23% no hospital, expondo-os a menor risco de complicações. Como reflexo, é registrado aumento de 20% no número de pacientes atendidos por leito, ou saídas por leito, o que implica em redução de custos por tratamento de cada paciente, uma vez que 80% dos custos da UTI são fixos. Na unidade do Pará, houve redução de 35% no tempo de Permanência na UTI, que passou de 6,5 para 4,2 dias. Somente nesta unidade foram mais de 4 mil horas de treinamento/homem a cerca de 120 colaboradores.  A empresa já forneceu mais de 38 mil horas de treinamento a mais de 750 colaboradores.

 

Cuidados paliativos: medicina na terminalidade da vida

Quando o assunto é a terminalidade da vida, a relação equipe médica e família se torna ainda mais evidente. Cuidar para que o paciente tenha o mínimo de sofrimento físico e emocional, para que receba uma assistência humanizada e enxergue o processo de morte de uma forma mais natural, promovendo uma mudança de paradigmas no tratamento de doenças graves e sem cura são os preceitos dos Cuidados Paliativos, área da medicina reconhecida em 2002 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo dados da entidade, a cada ano cerca de 40 milhões de pessoas no mundo precisam desse tipo de assistência, mas apenas 14% têm acesso ao recurso.

A OMS orienta que as ações paliativas sejam desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogo, assistente social e profissionais da área de reabilitação, de acordo com a necessidade de cada paciente. O modelo de intervenção definido pela organização é indicado no início do diagnóstico e deve acompanhar o paciente até a fase final de sua vida. As práticas paliativas também envolvem a família, oferecendo orientações, apoio social e espiritual, além de intervenções psicoterapêuticas do diagnóstico à fase do luto.

Pesquisa de 2015 realizada pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit revela que o Brasil ocupa apenas o 42º lugar no “Índice de Qualidade de Morte” (Death Quality Index), que avaliou a prática de cuidados paliativos em 80 países. Infraestrutura deficiente, obstáculos na distribuição de medicamentos e dificuldade no esclarecimento de preconceitos em relação à morte são alguns dos problemas enfrentados pelos profissionais da saúde e população brasileira.

Por aqui, os cuidados paliativos têm avançado, mas ainda são incipientes; inciativas isoladas e discussões sobre métodos paliativos foram iniciados em 1970, mas somente em 1990 foram registrados serviços organizados na área, ainda que de forma experimental. Em 2009, a prática dos Cuidados Paliativos foi incluída no Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina, como princípio fundamental. No ano seguinte, a Medicina Paliativa foi reconhecida como área de atuação médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O assunto foi tema, entre os dias 21 e 22 de abril, de um curso internacional avançado, realizado em São Paulo. Por aqui, essa área da medicina ainda é um pouco invisível na maioria das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), principalmente na rede pública de saúde, porém, cada vez mais se torna fundamental não somente para oferecer ao paciente a chance de melhor qualidade de vida ou sobrevida, mas, principalmente, como um alento às famílias que assistem à dor de seus entes queridos.

Fonte: Instituto Paliar e Delphos

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