Atenção especial com os idosos no verão

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Se as crianças já sofrem mais com as altas temperaturas, imagine os idosos? Nos dias mais longos do verão, o idoso pode ficar mais inquieto, desconfortável. Este período do ano exige cuidados especiais na terceira idade, já que, segundo especialistas, os idosos enfrentam maior dificuldade em perceber os sinais que o corpo envia, avisando que algo está errado.

“Os idosos, normalmente, fazem uso de medicamentos. Há também alteração do metabolismo. O hipertenso, que faz uso de diurético, tem a urina aumentada e, consequentemente, se não tiver reposição correta, pode sofrer alguns distúrbios e se desidratar com mais facilidade. Por isso, a água é essencial para bom funcionamento do organismo, principalmente no caso do idoso”, explica o neurologista André Gustavo Lima.

Segundo ele, é necessário adotar medidas que possam favorecer a hidratação do organismo e reduzir o calor corporal para evitar a hipertemia, que ocorre quando a temperatura do corpo fica acima de 37,4°C e a temperatura do organismo deve girar em torno de 36 graus. “Quando há uma elevação, o organismo utiliza várias estratégias para resfriá-lo, como o suor. Então, o corpo se desidratada, não ocorre a sudorese, e a temperatura pode aumentar, causando sérios riscos à saúde do idoso, principalmente nas temperaturas elevadas e sensação térmica muito alta”, ressalta.

Alguns sintomas podem servir de alerta como, por exemplo, dores abdominais, contraturas musculares (câimbras), vômito, dor de cabeça, tontura, fraqueza, excesso ou falta de suor, sintomas neurológicos como irritabilidade, alucinações, delírios, convulsões e coma. Fatores que podem anteceder a hipertemia e agravá-la são as doenças pré-existentes, como insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, enfisema, asma, demências ou comprometimentos da cognição.

“Quando a temperatura está muito elevada, as proteínas do corpo, bem como membranas celulares e enzimas (especialmente na região do cérebro), podem ser destruídas ou apresentar um mal funcionamento. Quando o calor do ambiente é extremo, afeta os órgãos internos e causa lesões no coração, nas células musculares, vasos sanguíneos, o que ao prejudicar os órgãos internos pode levar a pessoa à morte”, explica o médico.

Golpes de calor

Outro fator importante e que deve ser ressaltado são os golpes de calor, uma forma de doença pelo calor potencialmente fatal. A temperatura corporal sobe para valores iguais ou superiores a 40,5ºC e a pessoa desenvolve alterações neurológicas, tais como confusão mental ou inconsciência. O calor excessivo pode afetar os órgãos internos, causando a destruição das células musculares cardíacas e dos vasos sanguíneos e o diagnóstico pode levar à morte.

Uma das causas principais para o golpe de calor é o golpe não relacionado com o esforço, ou seja, pessoas que apresentam uma dificuldade , uma capacidade menor de regular a temperatura corporal. A desidratação , devido ao fato de ingerir pouca água, não se hidratar corretamente, pode ser uma causa importante.

Riscos da desidratação

Márcia Umbelino, clínica geral e geriatra, explica que a desidratação é mais comum do que se pensa entre os idosos. “Em pacientes idosos ou em estado de confusão mental, os mecanismos que regulam a sede estão alterados, como no Alzheimer, podendo acontecer progressiva desidratação sem que surja sensação de sede. A desidratação é de alta prevalência na prática diária, mas na maioria das vezes ela é autolimitada e benigna, ou seja, repondo o líquido e eletrólitos muitas vezes melhora a sintomatologia. Contudo, em crianças e idosos nos quais não são instituídas medidas terapêuticas imediatas, pode ser até fatal por colapso cardiovascular, insuficiência renal, além de haver a possibilidade de gerar um caso de confusão mental aguda”, explica.

A desidratação é a perda anormal de água pelo organismo por ingestão insuficiente ou eliminação aumentada. Por exemplo, diarreias, vômitos, transpiração excessiva, excreção urinária excessiva, diabetes e uso de diuréticos. A desidratação deve ser sempre considerada em conjunto com alterações eletrolíticas, especialmente do íon sódio, e deve ser avaliada clinicamente e com apoio laboratorial sempre que possível. Entre as causas principais estão a ingestão insuficiente (comum em idosos, já que muitas vezes não sentem sede), gastroenterite aguda, enteroculite aguda, processos infecciosos, o uso de diuréticos, febre alta, uso de laxantes e corticoides, vômito, diabete, diarreia.

Ainda segundo a médica, a desidratação, muitas vezes, gera um aumento da incidência de trombose venosa profunda, confusão mental, infartos agudos do miocárdio, e AVCs isquêmicos. Há um aumento considerável da incidência no verão. Os principais sintomas são sede – pode ocorrer ou não nos idosos, mucosas secas, pele fria, com turgor e elasticidade diminuída, câimbras, pulso débil, anúria (ausência da urina), hipotensão etc. “É preciso, portanto, que levemos em consideração uma causa tão fácil de ser analisada e resolvida, mas que pode gerar tantas complicações sérias na prática clínica”, ressalta.

Confira algumas dicas de especialistas:

– A ingestão de líquidos deve ser incorporada à rotina, independentemente se o idoso está em casa ou não, ele deve ter sempre uma garrafinha à mão.

– Mantenha a casa mais clara, arejada e nao esquecer o repelente para evitar dengue, zika e chikungunha

– Dê preferência a roupas leves e claras.

– Evite atividades externas nos horários mais quentes do dia. Use sempre filtro solar, chapéu ou boné.

– Evite tomar cafeína e álcool, pois são bebidas que contribuem para a desidratação.

– Caso o idoso sinta cansaço, náuseas, tonturas ou dores de cabeça ( o calor causa a vasodilatação das artérias que é um fator importante para a cefaleia) deve sair imediatamente do sol e procurar um local fresco, arejado e ingerir bastante água.

– Se os sintomas persistirem, é recomendável procurar orientação médica.

Da Redação, com assessorias

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