Atendimento psicológico online é tão eficaz quanto o presencial, diz especialista

Atendimento on-line tem o mesmo vínculo, qualidade e ética do atendimento presencial, diz psicóloga

Redação

Autorizado em 2018, o atendimento psicológico on-line vinha sendo uma ótima ferramenta à correria do dia a dia, para quem precisava de ajuda, mas nunca tinha tempo. Com as mudanças drásticas causadas pela pandemia de coronavírus, hoje, o atendimento on-line é fundamental para que psicólogos possam atender seus pacientes de forma segura e eficaz, sem precisar sair do isolamento.

De acordo com a psicóloga clínica, especialista em saúde e hospitalar, Daiana Peixé, a terapia on-line é uma sessão de terapia por vídeo-chamada, possível para todos que tenham conexão com internet. O atendimento on-line tem o mesmo vínculo, qualidade e ética do atendimento presencial. A data e hora da terapia são agendadas com antecedência. “O paciente pode ficar tranquilo; é um atendimento psicológico normal, e a única diferença está no meio de comunicação, que antes era presencial e agora é pela internet”, esclarece.

Quem utiliza essa modalidade de consulta garante que não muda em nada do atendimento tradicional. Juliana Travassos é uma dessas pessoas. A engenheira ambiental tem 37 anos, e hoje, mora na Dinamarca. Ela faz terapia on-line desde que se mudou para o país, e mesmo tendo opções por lá, diz que se sente mais segura e que preferiu o atendimento on-line pois ele otimiza o seu tempo. “A terapia on-line salvou a sua vida! Mudou-a por completo, trazendo autoconhecimento, autoestima, ensinando a ser uma pessoa melhor. E de quebra, emagreci 15kg”, conta.

Ainda de acordo com a psicóloga, interromper o tratamento, ainda mais nesse período, pode trazer as mais diversas sensações, como solidão, estresses, conflitos internos, desconforto emocional, angústia, depressão, e, é claro, ansiedade.

O homem não sabe viver isolado. Não somos ilhas. Precisamos de constante interação com o outro para nosso autoconhecimento e desenvolvimento. O confinamento leva a uma preocupação extra com o estado emocional das pessoas, principalmente para quem já trata depressão e ansiedade, já que ficar em casa gera uma angústia ainda maior. A terapia faz com que essas pessoas se sintam ouvidas e acolhidas, gerando alívio e tranquilidade, o que é de extrema importância neste momento”, complementa Daiana.

Para quem ainda não se sente seguro, a psicóloga reforça que os benefícios são os mesmos da presencial, apenas o paciente fica em casa, sem precisar ir até o consultório. “Busque um local tranquilo, que você se sinta à vontade. Se não quiser que ninguém ouça, separe um fone de ouvido. Vivemos em um dos países com as maiores taxas de depressão e ansiedade do mundo, não podemos descuidar. A terapia, mesmo que on-line, é uma aliada nesse momento tão novo e tão difícil”, finaliza. 

Vale lembrar, ainda, que cada quadro é único e ele deve ser avaliado pelo psicólogo responsável. E que terapia online não é indicada em casos de urgência e emergência, como ideação suicida e situação de desastre.

Dados estatísticos

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, a depressão afeta mais de 264 milhões de pessoas em todo o mundo. Há cerca de 3 anos, a OMS fez uma estimativa de que em 2020 a depressão seria a doença mais incapacitante do mundo; este dado alarmante preocupa países ao redor do mundo, no entanto, ainda existem algumas iniciativas para a prevenção e o tratamento.

Estima-se que 76% a 85% das pessoas que sofrem de transtornos mentais não tenham acesso ao tratamento adequado. O Brasil é o país da América Latina com maior índice de casos de depressão e é considerado o país mais ansioso do mundo. O suicídio é a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, segundo a OMS.

Para mudar esta realidade, algumas iniciativas têm surgido justamente no ambiente que mais contribui para o agravamento da doença, que é o virtual, com a questão das redes sociais e os aplicativos de celular. Para atender a demanda de casos de depressão, ansiedade e tentativas de suicídios, em meio pandemia do coronavírus,