Atividade física ajuda a diminuir e até deixar o cigarro

Rosayne Macedo
#MostreAtitude é a campanha que o Ministério da Saúde lança com foco em jovens
#MostreAtitude é a campanha que o Ministério da Saúde lança com foco em jovens
#MostreAtitude é a campanha que o Ministério da Saúde lança com foco em jovens

Seduzidos por produtos customizados, como cigarros mentolados e com outros sabores, narguilé e outros, e por maços em embalagens chamativas ao lado de balas e chocolates nos pontos de venda, os jovens são cada vez mais o alvo da indústria do tabagismo. O objetivo dos fabricantes, expresso em memorandos internos tornados públicos, é fidelizar os consumidores jovens, porque eles vão fumar durante décadas. Por isso, prevenir a iniciação deste público ao tabaco é o maior desafio das autoridades em saúde pública no Brasil.

Na carona do espírito olímpico e paralímpico, que tal incentivar um jovem a abraçar uma atividade física regular e deixar de vez o cigarro? Com este propósito, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) lançam, nesta segunda-feira (29), Dia Nacional de Combate ao Fumo, a campanha #MostreAtitude: sem o cigarro, sua vida ganha mais saúde. O evento de lançamento da campanha reúne atletas e especialistas da área de saúde na Casa Brasil, na nova região portuária do Rio.

A campanha, segundo o ministério, quer mostrar principalmente ao jovem brasileiro que um estilo de vida saudável, focado na prática esportiva, é incompatível com o consumo de cigarros. E que a prática esportiva pode substituir o cigarro como ferramenta de identificação e aceitação do jovem pelo grupo de amigos. A atividade física regular também é associada com benefícios psicológicos, ao aumentar a capacidade de crianças, adolescentes e jovens de controlar sintomas de ansiedade e depressão. Do mesmo modo, garantem especialistas, contribui com o desenvolvimento ao criar oportunidades para que eles se expressem e sejam mais autoconfiantes.

Divulgada nas redes sociais, a campanha #MostreAtitude: sem o cigarro, sua vida ganha mais saúde conta com cartaz e folheto, distribuídos nacionalmente pelas secretarias de saúde dos estados e disponíveis para download no hotsite www.inca.gov.br/wcm/dncf/2016, onde estão informações detalhadas sobre o tema.

Campanha envolve pneumologistas e pacientes

Também a partir desta segunda-feira (29), a Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio (SOPTERJ) inicia entre seus associados uma campanha multiplicadora para sugerir aos médicos pneumologistas que pratiquem esporte e que estimulem seus pacientes a adquirirem o hábito de correr e/ou caminhar regularmente, para manter os bons níveis de serotonina e dopamina, o que auxilia na minimização da vontade de fumar e, além de tudo, restituem o prazer e fortalecem a decisão tomada.

Para o pneumologista responsável pela comissão de tabagismo da SOPTERJ, Alberto José de Araújo, o desafio para vencer a dependência do cigarro pode ser superado por meio da mobilização do indivíduo por uma melhor qualidade de vida, e as atividades físicas são as mais fortes aliadas. “Em geral, as simples caminhadas e as corridas provocam aumento progressivo da auto-estima, do bem estar físico e mental, ajudando o indivíduo a superar a vontade de fumar”, afirma.

Segundo ele, quando se busca livrar-se da dependência do tabagismo, caminhar ou correr de 20 a 40 minutos pelo menos duas vezes na semana é algo prazeroso e necessário para o fumante recuperar as forças e a alegria de viver. “Ao fazer isso o indivíduo deixa de respirar mais de 7 mil substâncias nocivas, segundo estudos recentes, contidas na fumaça do cigarro e passa a liberar endorfinas ao exercitar-se. Isso provoca um bem-estar semelhante ao da liberação de dopamina quando se fuma e ainda combate o estresse e a depressão”, afirma.

Menos mortes por câncer de pulmão

Estudo inédito divulgado pelo Inca nesta segunda-feira aponta diminuição da mortalidade por câncer de pulmão entre os homens. Após décadas de elevação, a taxa padronizada (que elimina os efeitos do envelhecimento populacional) de mortalidade pela doença entre este público caiu de 18,5 por 100 mil em 2005 para 16,3 por 100 mil em 2014. Já entre as mulheres, a mortalidade por câncer de pulmão ainda não diminuiu. A taxa padronizada era de 7,7 em 2005 e aumentou para 8,8 em 2014. Nota-se que as taxas são inferiores às dos homens, mas a curva de mortalidade entre as mulheres ainda é ascendente, enquanto a curva dos homens é descendente.

A análise foi feita pela epidemiologista do Inca Mirian Carvalho de Souza, com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM) e das populações estimadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação à prevalência, o Brasil é reconhecido mundialmente pela significativa redução de fumantes no total da população de 18 anos ou mais, de 34,6%, em 1989, para 14,7%, em 2013. Sabe-se que cerca de 90% dos homens com câncer de pulmão fumaram em algum momento da vida e que o tempo que um fumante demora para desenvolver um câncer de pulmão é de pelo menos 20 anos.

A redução na prevalência de fumantes na população masculina brasileira, desde o final da década de 80, reflete a atual queda da mortalidade por câncer de pulmão entre os homens. A tendência é que a redução continue nos próximos anos. “No Brasil, as mulheres começaram a fumar depois dos homens, com a popularização de marcas de cigarros para o público feminino nas décadas de 70 e 80. A taxa de mortalidade entre as mulheres continua subindo, mas nossa previsão é que, futuramente, comece a cair, se mantivermos a tendência de queda no uso do tabaco no país” analisa a médica, epidemiologista e gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA, Liz Almeida.

De acordo com a gerente, essa tendência já foi observada nos países desenvolvidos, onde as taxas de mortalidade entre os homens começaram a declinar em meados da década de 80 e entre as mulheres só em 2010. “De qualquer forma, a redução da mortalidade entre os homens no Brasil é uma excelente notícia e demonstra de que estamos no caminho certo”, complementa Liz Almeida.

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revela que em 2013, 73,1% das pessoas que tentaram parar de fumar conseguiram tratamento, um aumento importante em relação a 2008, quando o índice era de 58,8%. O Ministério da Saúde destinou R$ 42,9 milhões para compra de medicamentos distribuídos gratuitamente para o combate ao tabagismo. Ao todo, foram 7,9 milhões de adesivos de nicotina 7mg, 8,9 milhões de adesivos de nicotina 14mg, 11,04 milhões de adesivos de nicotina 21mg, 1,6 milhão de gomas de nicotina 2mg e 33,05 milhões de unidades de cloridrato de bupropiona 150mg.  

Fonte: Ministério da Saúde e Inca