Auto-hemoterapia para tratar covid-19 é contra-indicada, diz Anvisa

Agência diz que retirada de sangue do paciente suspeito de ter a doença, para depois ser novamente injetado no mesmo paciente, representa risco à saúde

Redação
Doadores em hemocentro da capital (Wilson Dias/Agência Brasil)

Mais uma fake news espalhada aos quatro ventos desde o início da pandemia no Brasil cai por terra. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota alertando para o perigo do uso de auto-hemoterapia, uma terapia alternativa, usada no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus (Covid-19).  O procedimento, realizado a partir da retirada de sangue do paciente suspeito de ter a doença, para depois ser novamente injetado no mesmo paciente, é defendido pelos disseminadores da prática com o argumento de que estimula o sistema imunológico contra o coronavírus.

A agência lembra que a prática não é reconhecida pelas autoridades da área e pode representar risco à saúde. “A auto-hemoterapia não é reconhecida como procedimento médico para nenhum tipo de patologia. Isso porque faltam evidências científicas que comprovem, por meio de estudos clínicos, sua eficácia e segurança. Tampouco existem informações a respeito de posologia, mecanismos de ação, interações, reações adversas”, informou a Anvisa.

No dia 24 de março, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) – representante oficial na área de terapias avançadas na Associação Médica Brasileira (AMB) – já havia divulgado nota esclarecendo que não reconhece, do ponto de vista científico, o procedimento denominado “autohemoterapia“.  “Frente a inúmeras Fake News que circulam na internet, a Associação alerta ainda para os riscos que a prática pode causar à saúde e ressalta não haver qualquer embasamento científico sobre a sua eficácia”, diz a nota (veja aqui).

Risco de contaminação

Segundo a agência, a prática traz risco de contaminação para as pessoas envolvidas e permite a transmissão de doenças infecciosas devido à manipulação inadequada do sangue. A agência alerta ainda que esta terapia alternativa pode piorar o quadro de saúde do paciente e deixá-lo ainda mais vulnerável, uma vez que essa promessa de cura estimula o abandono de tratamentos convencionais ou impossibilita o acesso a recursos terapêuticos mais eficazes.

“Tudo isso ainda é agravado pela falta de conhecimento sobre o comportamento do novo coronavírus e sua transmissibilidade pelo sangue”, alerta a Anvisa.

A avaliação é compartilhada pelos Conselhos Federais de Medicina, de Enfermagem e de Farmácia que também consideram não haver evidências científicas comprobatórias de que a auto-hemoterapia seja efetiva para tratar quaisquer doenças em seres humanos.

A aplicação é proibida por esses órgãos, que determina, que seus profissionais não realizem o procedimento em pacientes. Da mesma forma, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular não reconhece a auto-hemoterapia como procedimento terapêutico.

A Anvisa recomenda a denúncia do profissional que estiver realizando a auto-hemoterapia ao respectivo conselho de classe para tratamento da covid-19. A agência informa ainda que nesses casos, a Vigilância Sanitária local também poderá ser acionada.

Veja a nota da ABHH na íntegra:

Auto-hemoterapia não é reconhecida por especialistas

ABHH alerta para os riscos da prática e ausência de embasamento científico que comprove sua eficácia

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), frente a inúmeros questionamentos recebidos, tanto por parte de profissionais médicos como não médicos, relacionados à suposta prática hemoterápica denominada “auto-hemoterapia”, vem a público esclarecer que:
 NÃO RECONHECE do ponto de vista científico o procedimento “auto-hemoterapia”;
 Não existe na literatura médica, tanto nacional quanto internacional, qualquer estudo com evidências científicas sobre o referido tema;
 Por não existirem informações científicas sobre o referido procedimento, são desconhecidos os possíveis efeitos colaterais e complicações desta prática, podendo
colocar em risco a saúde dos pacientes a ela submetidos;
 Agrega-se a este parecer, a Resolução do Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM no 1.499/98), que em seu artigo 1º, “Proíbe aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica”.

A auto-hemoterapia é adotada por leigos e é desaconselhada por, além de não ter nenhum benefício comprovado no campo da ciência, poder apresentar inúmeros riscos à saúde.
A hemoterapia, prática terapêutica exercida por médicos hematologistas e hemoterapeutas que utiliza componentes do sangue, nada tem a ver com a chamada “auto-hemoterapia”, procedimento que consiste na aplicação intramuscular do sangue do próprio paciente.

A ABHH alerta ainda que deve-se tomar cuidado com o que se lê na Internet e procurar sempre um especialista para ter o tratamento adequado.

Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular

Com Assessoria ABHH e Agência Brasil

 

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