Bactéria que combate Aedes aegypti chega a novos bairros

Wolbachia, um microrganismo presente em 60% dos insetos, é inserido em ovos de Aedes aegypti para reduzir transmissão de doenças

Cinco novos bairros de Niterói (RJ) começaram a receber os mosquitos com Wolbachia, aliados no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: dengue, Zika, chikungunya. Os bairros de Fonseca, Engenhoca, Cubango, Santana e São Lourenço entram na lista dos locais que receberão Aedes aegypti com Wolbachia.

Esta metodologia inovadora, sem fins lucrativos, autossustentável e complementar, que ajuda a reduzir as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti começou a ser implementada nestes bairros no início de setembro. Com os novos bairros o WMP Brasil passa a atender 29 bairros no Rio de Janeiro e 33 bairros em Niterói, totalizando 62 bairros já atendidos pelo projeto. São 909 mil pessoas beneficiadas no RJ e 373 mil em Niterói.

Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza. Ela foi inserida em ovos de Aedes aegypti na Universidade de Monash, na Austrália, onde se identificou que, uma vez presente nestes mosquitos, a capacidade de transmissão das doenças fica reduzida. O método é seguro para as pessoas e para o ambiente, pois a Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos.

De acordo com o líder do WMP no Brasil, Luciano Moreira, o método utilizado é seguro para as pessoas e para o ambiente. “Não há risco de interferência deste trabalho em outras pesquisas e ações que visam o controle dos mosquitos e de doenças transmitidas por eles. Nosso objetivo é proteger as comunidades destes municípios dessas arboviroses”.

Mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia têm capacidade reduzida de transmitir dengue, Zika, chikungunya. Ao serem soltos na natureza se reproduzem com os mosquitos de campo e geram Aedes aegypti com as mesmas características, tornando o método autossustentável, conforme ilustrado na figura abaixo. Esta iniciativa não usa qualquer tipo de modificação genética.

As liberações dos mosquitos serão feitas durante 16 semanas por técnicos da Fiocruz, em carro identificado e também por Agentes de Saúde da Prefeitura de Niterói, em pontos mapeados e pré-determinados. Após algumas semanas de liberação, armadilhas usadas para capturar mosquitos serão instaladas em residências e estabelecimentos disponibilizados por voluntários. O objetivo é monitorar o estabelecimento da população de Aedes aegypti com Wolbachia.

As liberações de mosquitos são precedidas por uma série de ações educativas e de comunicação com o objetivo de informar a população sobre o método WolbachiaEsta etapa tem o apoio e a participação de parceiros do WMP nos bairros, como lideranças comunitárias e associações de moradores, unidades de saúde, escolas e organizações não-governamentais.

armadilha para mosquito anfitriã Elizabeth
Elizabeth, que mora na Ilha do Governador, é uma das anfitriãs do projeto (Foto: ED Brasil/Fiocruz ou Projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil / Fiocruz)

Análises preliminares na região

Análises preliminares apontam que o método Wolbachia já apresenta resultados positivos na redução dos casos de dengue e chikungunya em áreas onde a Wolbachia já está estabelecida.

Os resultados ainda não são definitivos. “Pela natureza do projeto, por ser algo vivo e dinâmico, com fatores sazonais, dinâmica das doenças e população é necessário tempo para mostrar resultados”, aponta Betina Durovni, líder de epidemiologia do WMP Brasil.

De acordo com estudos estatísticos três anos seria o prazo mais adequado para análises mais robustas do ponto de vista científico. As liberações de Aedes aegypti com Wolbachia na área em estudo de Niterói tiveram início em janeiro de 2017. Em julho a área terá dois anos de observação e até o momento os resultados são considerados promissores, porém não definitivos.

Sobre o WMP Brasil

O WMP Brasil, antes chamado Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, faz parte do World Mosquito Program (WMP), uma iniciativa internacional sem fins lucrativos presente atualmente em 12 países que trabalha para proteger a comunidade global de doenças transmitidas por mosquitos. No Brasil, o projeto é conduzido pela Fiocruz.

O WMP iniciou as liberações nas áreas piloto, Jurujuba – Niterói e Tubiacanga – Ilha do Governador, em 2015. Em novembro de 2016 deu início a liberação em larga escala em Niterói e em agosto de 2017 no Rio de Janeiro. No mês de abril de 2019 o programa anunciou expansão para três novos municípios no Brasil: Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG).

PROJETO WOLBACHIA AVANÇA NO BRASIL

Uma novidade anunciada no último dia 13 pelo Ministério da Sapude foi a terceira etapa do projeto Wolbachia que conta com a parceria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e que vai ofertar linhas de financiamento específico para implantação do projeto em outros municípios.

Na nova etapa, o Ministério da Saúde e o BID vão visitar cidades com potencial interesse e situação epidemiológica compatível para implantação do projeto para avaliar a possibilidade de linhas de financiamento para desenvolvimento do projeto.

A metodologia Wolbachia é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. Consiste na liberação do Aedes com o microrganismo Wolbachia na natureza, reduzindo sua capacidade de transmissão de doenças. O projeto já está presente em seis cidades: Campo Grande/MS, Belo Horizonte/MG, Petrolina/PE, Fortaleza/CE, Foz do Iguaçu/PR e Manaus/AM. Somente em 2019, o Ministério da Saúde investiu R$ 21,7 milhões na tecnologia.

Da Redação, com Assessorias

 

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