Pandemônio político: Bolsonaro culpa adversários por evolução da pandemia

Para presidente, medidas duras de governadores de São Paulo e Rio não achataram a curva. Brasil registra 85.380 casos de coronavírus e 5.901 mortes da doença

Com mais 435 mortes pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil registrou nesta quinta-feira (30) 5.901 óbitos pela Covid-19, que já infectou 85.380 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Governo Federal “fez de tudo” para conter a crise do novo coronavírus no país e insistiu que cabe aos governos locais gerir os recursos liberados e tomar medidas. “Governadores e prefeitos que tomaram medidas bastante rígidas não achataram a curva”, afirmou.

Sem qualquer evidência, ele se referia a São Paulo e Rio de Janeiro, que começam a enfrentar uma escalada de casos e chegam próximos à ocupação máxima de seus equipamentos de saúde. Sem apresentar provas, Bolsonaro acusou o Governo de João Doria (PSDB) de inflar o número de mortes para fazer uso político da crise. “É o governador ‘gravatinha’ fazendo politicalha”, desdenhou.

Especialistas afirmam que as medidas de isolamento social contribuíram para que o número de vítimas não fosse maior e até o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, mudou de discurso. “Ninguém está pensando em relaxar o isolamento. Neste momento, ninguém está pensando em flexibilizar nada”, disse o ministro. “Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida, mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência”, acrescentou. “O número de 1.000 (mortes por dia), se tivermos um crescimento significativo na pandemia, é possível acontecer. Não quer dizer que vai acontecer”, seguiu.

De acordo com um estudo do Imperial College de Londres, o Brasil pode registrar 9.700 mortes por Covid-19 até o próximo domingo e tem, neste momento, a pior situação do mundo com o número de casos “em provável crescimento” e um registro “muito grande” de óbitos. A previsão mais otimista da instituição era de 5.600 óbitos até o fim desta semana, um número já ultrapassado pela realidade brasileira.

No Rio de Janeiro, o segundo estado mais afetado pela pandemia depois de São Paulo, com 854 mortes e 9.453 casos de Covid-19, a projeção feita pelas autoridades é alarmante. Mais de mil pacientes — 361 deles em estado grave— com sintomas compatíveis com a doença aguardavam, nesta quinta-feira, por uma vaga em UTI ou enfermaria.

Rio pode ter 140 mil infectados pelo novo coronavírus

 

No Estado de São Paulo, epicentro dos casos do novo coronavírus no país — com 28.698 casos confirmados e 2.375 óbitos—, a taxa de ocupação dos leitos de UTI na capital e região metropolitana para tratar pacientes com covid-19 chegou a 89%. Por conta disso, o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, anunciou que hospitais do interior do Estado serão utilizados para tratar os doentes da região da Grande São Paulo.

Membros do Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo reuniram-se com o ministro da Saúde para pedir quatro milhões de testes rápidos, 100 respiradores para o Hospital das Clínicas já nos próximos dias e repasse de 292 milhões de reais para habilitar 2049 leitos de UTI, além de máscaras e equipamentos de proteção individual (EPIs).

Embora o Governo do Estado prepare um plano de retomada de algumas atividades a partir do dia 10 de maio, a capital paulista não flexibilizará as medidas de isolamento, conforme afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. Ele argumenta que a cidade ainda não está preparada para o adotar essa medida e disse que a equipe do prefeito Bruno Covas estuda endurecer a quarentena em algumas áreas da cidade, com a possibilidade de bloquear avenidas.

“Já é uma decisão tomada. Nós não temos como relaxar as medidas de isolamento social a partir do dia 10 de maio. Na capital é absolutamente impossível”, disse, em entrevista à TV Globo na manhã desta quinta.

Cientistas cobram plano emergencial

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lançou uma carta nesta quinta-feira cobrando do Governo Bolsonaro e do Ministério da Saúde ações mais ações contundentes para traçar um plano emergencial contra a pandemia. O grupo, que engloba mais de 40 entidades científicas, diz que “se nada for feito nos próximos dias, os pronunciamentos do ministério se resumirão a informar o número de mortos”.

“Há um plano para o uso dos leitos hospitalares de modo integrado? Diversos países fizeram a integração das redes hospitalares públicas e privadas por decisões dos governantes, com ótimos resultados na distribuição e atendimento dos doentes mais graves”, questiona a entidade.

Situação do coronavírus no Brasil até dia 30

O Ministério da Saúde registrou 85.380 casos de coronavírus e 5.901 mortes da doença no Brasil até as 14h desta quinta-feira (30), segundo informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país. Nas últimas 24 horas, foram 7.218 casos novos e 435 novos óbitos. Dos 85.380 casos confirmados, 35.935 estão recuperados (42%) e outros 43.544 estão em acompanhamento.

Atualmente, todos os estados brasileiros registram casos e mortes por coronavírus. São Paulo concentra a maior parte das notificações, com 28.698 casos e 2.375 mortes. Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 9.453 casos e 854 óbitos. O estado que registra menos notificações é Tocantins, com 137 confirmações e três mortes.

Confira aqui a apresentação

 

▶️ 85.380 diagnosticados com COVID-19
▶️ 5.901 óbitos (7%)
▶️ 43.544 em acompanhamento* (51%)
▶️ 35.935 recuperados* (42%)
▶️ 1.539 óbitos em investigação
*estimativas sujeitas a revisão.

Grupos de risco – Pessoas acima de 60 anos se enquadram no grupo de risco, mesmo que não tenham nenhum problema de saúde associado. Além disso, pessoas de qualquer idade que tenham comorbidades, como cardiopatia, diabetes, pneumopatia, doença neurológica ou renal, imunodepressão, obesidade, asma, entre outras, também precisam redobrar os cuidados nas medidas de prevenção ao coronavírus.

Veja o detalhamento por UF de casos e mortes por coronavírus
Assista, na íntegra, à coletiva com atualização dos casos – 30.04.2002

Com Assessorias

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