Brasil tem queda de 42% nos exames preventivos entre mulheres

Números comparam 2020 com 2019 e são destacados pela Fundação do Câncer em ações para combate ao câncer do colo do útero

Tratável, evitável e com uma vacina que pode prevenir seu aparecimento já disponível gratuitamente na rede pública no Brasil, o câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais incidente no Brasil e no mundo e quarto com maior taxa de mortalidade no país.

O Ministério da Saúde estima 16.710 casos de câncer de colo de útero somente para este ano, o que corresponde a 16,35 casos novos para cada 100 mil mulheres, com taxa variável por região. O mesmo acontece com relação à mortalidade. Em 2019, ocorreram 6.596 óbitos por câncer de colo de útero no país, uma taxa de mortalidade de 5,33/100 mil mulheres.

Neste dia 17 de novembro, data em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora o primeiro ano da Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero. De acordo com a OMS, no ano passado, mais de meio milhão de mulheres tiveram câncer do colo do útero e 342 mil morreram em consequência da doença.

A OMS espera que dentro de 9 anos, os países consigam vacinar 90% das meninas com 15 anos contra o HPV, 70% das mulheres façam o teste de rastreamento aos 35 e 45 anos e que 90% das mulheres diagnosticadas estejam em tratamento contra o CCU. Caso implementada, essa estratégia poderia prevenir mais de 62 milhões de mortes por câncer do colo do útero nos próximos 100 anos.

Levantamento da Fundação do Câncer mostra que o Brasil ainda está longe desse objetivo tanto na vacinação contra o HPV, especialmente em meninos, quanto no rastreio, diagnóstico e tratamento do problema. Para piorar, os dados levantados apontam que houve queda de 42% no número de exames preventivos durante a pandemia.

“No Brasil, há ainda desafios a serem vencidos, tanto na prevenção, como no rastreio e no tratamento. Ainda estamos longe da meta da OMS para 2030, cuja fórmula é 90-70-90. ”, alerta o diretor-executivo da Fundação do Câncer e cirurgião oncológico, Luiz Augusto Maltoni.

Essa diferença é ainda maior no pós-pandemia. “O objetivo da OMS é nosso também: diminuir e erradicar o câncer do colo de útero. E isso é possível através da realização das medidas preventivas e de campanhas educativas junto à população. Precisamos lutar agora também contra os atrasos que a pandemia gerou”, destaca.

Mudanças para o futuro

Segundo a médica Flávia Miranda Corrêa, pesquisadora da Fundação do Câncer responsável pelo levantamento de dados sobre a doença pela entidade, o avanço no controle do câncer de colo de útero no Brasil nos próximos anos depende da melhora no acesso aos exames, da vacina no braço e do esclarecimento público.

“É crucial melhorar o acesso, principalmente para mulheres que nunca fizeram o preventivo ginecológico ou que o fizeram há mais de três anos. A campanha da OMS destaca que cada intervenção conta para eliminar a doença. Neste contexto, o nosso papel é pesquisar, conscientizar e auxiliar na chegada dessas mulheres ao diagnóstico e tratamento.

Nossos dados já apontam para as iniquidades e problemas a serem sanados. Inclusive as diferenças entre as regiões do Brasil, que são muito grandes. A base de dados do sistema público nos mostra como direcionar estratégias de combate, gerar informação de qualidade e agir contra o adoecimento da população”, aponta.

Outra proposta da Fundação é rever o acesso à vacina. “Quando incorporada ao SUS em 2014, a vacina quadrivalente contra HPV, que é oferecida de forma gratuita para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, tinha a primeira dose aplicada nas unidades de saúde e também nas escolas.

A partir da segunda dose, no mesmo ano, porém, a aplicação foi restrita aos serviços de saúde. A vacinação nas escolas é algo que defendemos, porque facilita o acesso. Ninguém precisa se deslocar para receber o imunizante. Nosso levantamento aponta para esta parceria entre saúde e educação como uma estratégia de sucesso n o combate ao câncer de colo de útero e outros gerados pelo HPV”, destaca Flávia.

O diretor-executivo da Fundação corrobora com a proposta: “Os boatos de que a vacina faz mal ou incentiva a iniciação sexual, não se sustentam. Vacinar na escola e trazer a educação para esta campanha é uma boa estratégia. Estudo recente publicado pela The Lancet mostrou a queda do adoecimento após a vacinação contra HPV. Daí a importância das campanhas”, destaca Maltoni.

Esclarecimento, vacinação e exames

Com altas chances de cura se diagnosticado precocemente, esse tipo de câncer é causado pelo vírus HPV. As armas para combater a doença são o esclarecimento, a vacinação em massa e a realização de exames que mostram o risco do câncer até mesmo antes que ele se desenvolva, identificando lesões precursoras.

Para marcar o o primeiro ano da Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, a Fundação do Câncer lançou seu Projeto para Fortalecimento das Ações de Prevenção Primária e Secundária do Câncer do Colo do Útero. A iniciativa contempla cinco linhas de atuação:

incentivo à produção científica;

capacitação da assistência primária e secundária;

fortalecimento das ações de prevenção,

rastreamento de mulheres assintomáticas e tratamento da doença; e a

efetiva e correta comunicação e mobilização da população sobre o câncer do colo de útero (CCU).

Cenário atual

Dados do levantamento da Fundação do Câncer sobre o cenário atual da doença no país apontam

Incidência da doença
3º tipo de câncer no país
2º tipo de câncer no Norte, Nordeste e Centro-Oeste
4º tipo de câncer no Sul
5º tipo de câncer no Sudeste

Mortalidade da doença
4ª causa de morte por câncer no país
1ª causa de morte por câncer no Norte
2ª causa de morte por câncer no Nordeste
3ª causa de morte por câncer no Centro-Oeste
5ª causa de morte por câncer no Sul
6ª causa de morte por câncer no Sudeste

Vacinação contra HPV (2020)
Em meninas: 83% receberam a 1ª dose
57% receberam a 2ª dose
Em meninos: 58% receberam a 1ª dose
36% receberam a 2ª dose

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