Cachimbo, charuto, narguilé ou cigarro light: o risco é o mesmo

Uma sessão de narguilé, que dura em média de 20 a 80 minutos, equivale a fumar cerca de cem cigarros, aponta a OMS

Redação
Narguilé: hábito por 20 a 80 minutos equivale a fumar 100 cigarros (Foto: Pixabay)

Não é só o cigarro que oferece riscos. O tabaco é perigoso em diferentes formas, como cachimbo, charuto ou narguilé. Com mais de 21 milhões de fumantes no Brasil, o tabagismo é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão de acordo com Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar de muitas pesquisas levantarem os malefícios causados pelos cigarros tradicionais, as alternativas como os cigarros light, eletrônicos ou narguilés também podem ser prejudiciais à saúde.

Produtos alternativos ao cigarro como, narguilés e cigarros eletrônicos são a mais nova moda entre os jovens. Estes produtos ganharam muita popularidade principalmente pela crença de que fazem menos mal à saúde do que o cigarro convencional e são utilizados até mesmo como um auxílio ao parar de fumar.  Muitos acreditam que a água presente no cigarro eletrônico do tipo vaporizador e no narguilé filtra as substâncias tóxicas antes de ser tragada e inalada pelo fumante. Mas isso é um mito. Qualquer tipo de produto derivado do tabaco contém nicotina e outras substâncias que podem causar câncer e outras doenças, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), conhecida como bronquite crônica e enfisemai.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, o uso de narguilé aumenta entre adolescentes de todo o Brasil. Cerca de 9% dos jovens entre 13 e 15 anos já haviam fumado o aparelho (dados de 2015). O narguilé é um cachimbo que traz um fumo feito de tabaco, melaço e frutas ou aromatizantes. Por conter água e um mecanismo de filtragem, difundiu-se a ideia de que o seu consumo pode ser menos prejudicial à saúde, mas na realidade, ele pode ser tão ruim quanto os cigarros tradicionais.

De acordo com uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), feita em 2005, uma sessão de narguilé, que dura em média de 20 a 80 minutos, equivale a fumar cerca de cem cigarros, com exposição a todos os componentes tóxicos presentes na fumaça. Por isso, Tabaco e saúde pulmonar – o uso do narguilé é o tema escolhido para o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto) deste ano pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O objetivo é conscientizar a população brasileira sobre os riscos de doenças pulmonares causadas pelo consumo de tabaco e de produtos derivados.

O narguilé, por ter uma característica diferente e ser um único cachimbo que pode ser usado por várias pessoas simultaneamente, tem reforçado o aspecto de socialização, especialmente entre os jovens. De acordo com a Pesquisa Especial sobre Tabagismo (Petab), em 2008 o Brasil tinha quase 300 mil consumidores do cachimbo de origem oriental. Nos últimos anos, o consumo cresceu e a preocupação com o contágio de doenças também, como explica o pneumologista do Hospital Anchieta, Dr. Daniel Boczar.

A oncologista do Hospital do Câncer Anchieta, Dra. Regina Hercules Vidal afirma que as outras formas de consumo de tabaco (como narguilé, charuto, cachimbo e cigarros eletrônicos) são responsáveis por ampliar em cerca de 20 vezes o risco de surgimento do câncer de pulmão e de quatro a dez vezes mais chances de desenvolver ao menos 13 outros tipos de câncer: de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga, colo de útero, ovário e alguns tipos de leucemia.

De acordo com um estudo publicado em 2015 pela OMS, estima-se que no mundo são consumidos cerca de cerca de seis trilhões de cigarros ao ano. O que explica o fato de o tabagismo ser reconhecido mundialmente como um dos principais vilões da saúde.

O uso do narguilé traz também uma série de preocupações. As essências, por terem aroma adocicado, são mais atrativas para quem fuma e menos incômodas para as pessoas ao redor, em contraste com os cigarros tradicionais. Por isso, o Dr. Mauro Gomes ressalta a importância do trabalho de conscientização da população: “embora a doença atinja mais homens e pessoas com mais de 40 anos, os jovens também devem estar cientes dos seus sintomas. Como a DPOC não tem cura, a prevenção é a melhor escolha para não desenvolver a doença. Aqui, vale pontuar que não só o cigarro traz problemas aos pulmões. Narguilé e cigarros eletrônicos também são prejudiciais à saúde”.

Tire suas dúvidas sobre o narguilé

– O que o uso constante de narguilé pode causar?

Todos os riscos inerentes ao cigarro comum podem ocorrer com o uso de narguilé. Segundo a OMS, cerca de 30% de todos os cânceres são relacionados ao cigarro. O tabagismo é responsável por 25% dos infartos e anginas; 25% das ocorrências de derrame cerebral; 85% dos pacientes com bronquite crônica e enfisema são fumantes, além de úlceras gastroduodenais, infecções respiratórias, impotência sexual e claudicação. O compartilhamento comum nessa prática aumenta o risco de herpes labial, tuberculose e hepatite C.”, destaca o pneumologista, citando estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS).

– Qual a diferença de quem fuma cigarro para quem utiliza narguilé?

A água filtra um pouco da nicotina, mas a fumaça continua carregando uma dose da substância suficiente para viciar os apreciadores do narguilé. Há outros venenos da queima do fumo – 11 vezes mais monóxido de carbono e 100 vezes mais alcatrão do que o cigarro comum.  Uma sessão de narguilé que dura de 20 minutos a uma hora, um fumante chega a engolir até 50 litros de fumaça, a mesma quantidade inalada ao se fumar 100 cigarros.

– Qual o alerta para quem faz uso diário de narguilé?

Ao parar de fumar, em poucas horas a respiração começa a voltar ao normal. Além disso, há diminuição do risco de doença cardíaca, enfisema, câncer de pulmão e do envelhecimento precoce; esperança de vida aumenta de cinco a oito anos; melhora da resistência física para exercícios; melhora da qualidade de vida e sensação de bem-estar e certeza de ter conquistado algo importante para si.

Aumenta o consumo de cigarro eletrônico

Entre as estatísticas, o aumento no uso de cigarros eletrônicos chama a atenção dos especialistas. Há pelo menos 367 milhões de usuários no mundo e a preocupação é que esses produtos sejam uma porta de entrada para a dependência da nicotina, especialmente entre os jovens.

“Os dados sobre a segurança do cigarro eletrônico são limitados até o momento e não permitem afirmar que sejam efetivos. Além disso, os usuários, constantemente, associam o cigarro eletrônico ao convencional, prolongando a dependência de nicotina. Há também o uso crescente entre adolescentes, o que gera preocupação”, afirma  Dr. Daniel Heyden Boczar.

Um estudo publicado esta semana na revista científica Thorax, realizado pela Universidade de Birmingham, revelou que o vapor inalado através do cigarro eletrônico pode debilitar as células que protegem os tecidos pulmonares. Os macrófagos alveolares – importantes células que promovem o controle de elementos estranhos no corpo – que foram expostos ao vapor apresentaram danos maiores em relação à exposição apenas ao líquido do dispositivo.

Essa não foi a primeira pesquisa que evidenciou os perigos do cigarro eletrônico. Outro estudo elaborado por pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Nova York relacionou o uso do o cigarro eletrônico ao aumento do risco de câncer e doenças cardíacas.

A oncologista Mariana Laloni, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas conta que, apesar de conter menos substâncias cancerígenas que os cigarros convencionais, o cigarro eletrônico, principalmente após o uso prolongado, ainda apresenta riscos e não deve ser considerado uma opção segura.conta que, apesar de conter menos substâncias cancerígenas que os cigarros convencionais, o cigarro eletrônico, principalmente após o uso prolongado, ainda apresenta riscos e não deve ser considerado uma opção segura.

Cigarro light  – Cientistas da Ohio State University, nos Estados Unidos, apontaram que o cigarro do tipo light pode ser a razão do aumento de um câncer chamado adenocarcinoma pulmonar, muito comum entre fumantes, bastante agressivo e de difícil remoção cirúrgica. Durante o estudo, os pesquisadores perceberam que o consumo excessivo desses cigarros pode estar diretamente ligado ao aumento dos casos nos últimos 50 anos.

Isso porque os cigarros do tipo light foram desenvolvidos com filtros minúsculos. Os furos de ventilação do filtro permitem que os fumantes inalem mais fumaça, responsável por aumentar os níveis de produtos químicos e outras toxinas no organismo. Considerada uma opção menos agressiva que os demais cigarros comercializados no mercado, hoje essa ideia já é contestada por toda a comunidade médica.

Sobre a data

Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Criado em 1986 pela Lei Federal 7.488, a data inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva.

Da Redação, com Assessorias

 

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