Câncer de mama: humanização traz resultados no tratamento

Estudo feito por oncologistas do Rio mostrou que abordagem humanizada pelo telefone aumentou aderência ao tratamento, com menos complicações e mortes

Redação

Um projeto desenvolvido por duas oncologistas do Rio de Janeiro vem comprovando na prática o que muitos profissionais da área de saúde já sabem quando o assunto é tratamento de doenças crônicas ou graves como o câncer: a humanização no atendimento faz toda a diferença para o paciente. Simples ligações telefônicas realizadas sistematicamente por uma profissional de saúde para acompanhar mulheres com câncer de mama contribuíram para aumentar a adesão ao tratamento, resultando em benefícios diretos para as pacientes no enfrentamento da doença.

O estudo realizado pela Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico, unidade do Grupo Oncoclínicas, foi destaque na sessão de pôsteres do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica – Asco 2019, em Chicago (EUA). Durante os 17 meses da pesquisa,  foram realizadas avaliações telefônicas para 200 pacientes, com média de idade de 52,4 anos, que concluíram o tratamento. Nos telefonemas, eram coletadas informações mais detalhadas, sendo possível detectar as toxicidades e efeitos colaterais mais intensos dessas pacientes antes do surgimento de adversidades mais graves.

Das 200 pacientes ouvidas, 9 apresentaram progressão do câncer e quatro foram a óbito, números considerados baixos pelas pesquisadoras. No geral, a taxa de sobrevivência foi de 99,2% e 95,1%, respectivamente. Do total de pacientes, 65%, ou 139 delas, receberam quimioterapia auxiliar. O grupo restante (30,5%) recebeu quimioterapia auxiliar programada. Durante o diagnóstico, 50 pacientes (25%) estavam no estágio 1; 101 (50,5%) no estágio 2; e 49 (24,5%) no estágio 3.  A comparação entre atividade de pesquisa de toxicidade feita antes e depois revelou que não há diferenças significativas em relação à idade, uso de touca térmica (crioterapia), tempo de quimioterapia e fator estimulante.

Para a oncologista Daniele Ferreira Neves, uma das autoras do estudo, juntamente, com a oncologista Juliana Ominelli, o trabalho demonstra os resultados positivos das avaliações por telefone, comprovando a eficácia da abordagem humanizada na estratégia de garantir a aderência das pacientes ao tratamento. “Os benefícios dessas avaliações são evidentes porque permitiram reduzir, significativamente, o tempo de atraso do tratamento quando comparado às pacientes que não receberam as ligações da equipe interdisciplinar. E também, porque, muitas vezes, as pacientes não relatam os efeitos colaterais aos médicos ou não retornam à nossa unidade”, completa a médica.

Ela explica que nessa pesquisa, foi feito contato telefônico pela enfermeira especializada em cuidado oncológico, com mulheres em tratamento de câncer de mama, cinco dias depois de cada ciclo da quimioterapia. A partir desse trabalho, foram coletadas informações mais detalhadas, sendo possível detectar as  taxas de toxicidade e avaliar os efeitos colaterais mais intensos dessas pacientes antes do surgimento de adversidades mais graves. No dia a dia do atendimento da clínica, o trabalho envolve uma equipe multidisciplinar – composta por enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos e oncologistas.

Equilíbrio emocional é aliado no tratamento

A cada ano, a luta contra o câncer de mama conta com um importante aliado: o Outubro Rosa, um mês inteiro dedicado à conscientização, à prevenção e ao diagnóstico da doença. A campanha chama a atenção para diferentes estágios do câncer de mama e seus procedimentos adequados, sendo que um deles tem merecido atenção especial: a humanização do tratamento. Muitos oncologistas e psicólogos especialistas na área observam o equilíbrio psicoafetivo como aliado e agente motivador dos pacientes.

Estados depressivos ou eufóricos em excesso podem causar redução de imunidade e surgimento de outras doenças associadas (comorbidades). Por isso, um tratamento com foco na humanização tem mais chances de êxito. Todos os pacientes, falando especificamente os de câncer de mama, devem ser tratados como um indivíduo único e inteiro, considerando sua condição física, emocional e social”, salienta a oncologista da Oncoclínica, Susanne Crocamo.

Segundo a especialista, o equilíbrio emocional é extremamente importante para o tratamento do câncer de mama. “Quanto mais confiança e segurança o paciente sentir em relação ao seu médico, ao tratamento e à equipe multidisciplinar que o acompanha, melhores serão os resultados, em relação à eficácia do combate à doença e a possíveis efeitos colaterais”, diz.

Apoio familiar e de amigos

O suporte familiar e apoio dos amigos têm efeito igualmente positivo no tratamento de pacientes com câncer de mama, mas deve ser manifestado e compartilhado com cautela e delicadeza: “Os sentimentos e a vontade do paciente devem ser compreendidos e considerados, porém, o ideal é não supervalorizar e nem desvalorizar a situação. Sempre que possível, mencione outros assuntos que promovam o bem-estar e que não tenham somente a doença como foco”, orienta Susanne.

É, também, importante compreender momentos de desânimo e tristeza, sem julgamentos. Ser uma boa companhia, dando carinho, atenção e segurança ao paciente, também é um forte incentivo dessa fase. O paciente deve se sentir esperançoso, olhando para si mesmo e para sua realidade com tranquilidade”, completa a médica.

Fonte: Oncoclínicas, com Redação

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