Novembro Azul: câncer de próstata pode causar infertilidade

Radioterapia, hormonioterapia e ou quimioterapia afetam a função da glândula masculina responsável por produzir líquido seminal que nutre os espermatozoides

Redação
O câncer de próstata deve atingir 68 mil brasileiros em 2018, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Este é o segundo tumor mais frequente em homens no Brasil, ficando atrás apenas dos tumores de pele. Apesar de ser uma doença mais frequente após os 65 anos de idade, os casos a partir dos 50 anos de idade – quando muitos homens estão em plena capacidade reprodutiva – têm sido mais frequentes.
Segundo especialistas, a doença pode levar à infertilidade porque ela mesma e os tratamentos possíveis, como radioterapia, hormonioterapia e ou quimioterapia afetam a função da glândula masculina responsável por produzir compostos importantes do líquido seminal que nutre os espermatozoides. Além disso, a depender do caso, o médico especialista pode indicar a retirada cirúrgica da glândula.
Sem a próstata, a produção do líquido seminal é afetada, ou seja, o homem fica infértil. Em casos em que não é preciso retirar a glândula, o tratamento pode eliminar a produção dos espermatozoides”, explica o urologista Joseph Monteiro, certificado em reprodução assistida pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Alternativa pode ser congelar o sêmen

O médico afirma que, em ambos os casos, as técnicas de reprodução assistida podem permitir que o homem que deseja ser pai tenha a sua fertilidade preservada. “Uma possibilidade é congelar o sêmen em uma clínica de reprodução, antes da radioterapia. Nos casos cirúrgicos, além da possibilidade do congelamento antes da cirurgia, ainda é possível obter posteriormente os espermatozoides diretamente do testículo para o processo de fertilização in vitro, no qual o óvulo é fecundado no laboratório e o embrião é transferido para o útero”, exemplifica.
Em sua fase inicial, quando o tratamento curativo é possível, o câncer de próstata é uma doença silenciosa, praticamente sem sintomas. Com seu avanço podem surgir dificuldade em urinar, perda do controle urinário, vontade frequente de urinar, principalmente à noite, sangramento ao urinar ou ao ejacular. Em casos mais avançados, podem surgir sinais como a obstrução do aparelho urinário, dores abdominais, perda de peso e apetite, anemia, cansaço e dores ósseas.
Acredita-se que o diagnóstico precoce seja devido à modernização dos equipamentos que realizam o exame e também por conta da das campanhas de conscientização do risco do câncer prostático, como o Novembro Azul, por exemplo. Dessa forma, é possível detectar a doença em pacientes que ainda desejam ter filhos e que eles tomem conhecimento dos tratamentos por meio da reprodução assistida”, reforça.

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Diagnóstico precoce pode preservar a fertilidade

Anualmente a campanha do Novembro Azul tem como objetivo informar a população sobre o que é o câncer de próstata. Um dos focos da mobilização mundial é incentivar os homens a manterem consultas de rotina com urologista. O especialista é capaz de realizar uma avaliação individualizada sobre o risco de desenvolvimento do câncer de próstata.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce de um câncer compreende duas diferentes estratégias: uma destinada ao diagnóstico em pessoas que apresentam sinais iniciais da doença (diagnóstico precoce) e outra voltada para pessoas sem nenhum sintoma e aparentemente saudáveis (rastreamento).
Homens com histórico familiar de câncer de próstata ou negros (em que a doença costuma ser mais agressiva), devem procurar um urologista após os 45 anos. Para os demais, a idade inicial é 50 anos. Nessa fase, é possível suspeitar da doença por meio de exames de sangue (dosagem de PSA), toque retal e confirmar seu diagnóstico por biópsia, quando indicado”, conclui o especialista.

Da Redação, com assessoria (atualizado em 10 de novembro de 2018)

 

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