Cariocas desconhecem os riscos da pré-diabetes, diz Ibope

Com mais diabéticos que todas as demais capitais brasileiras (10% da população, contra 8% do país), Rio de Janeiro precisa investir mais em informação sobre a doença

Redação
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Como está sua taxa de glicose? Passou de 99 mg/dl no último exame de sangue? Ou você nem lembra quando fez seu último hemograma? Pois é bom ficar atento à pré-diabetes (condição em que o nível de glicose no sangue em jejum fica entre 100 mg/dl e 125 mg/dl), principalmente se você mora no Rio de Janeiro.

Uma pesquisa recente do Ibope sobre a pré-diabetes apontou que os cariocas possuem maior desconhecimento sobre a pré-diabetes do que o restante do país. Talvez isso explique o fato de que a cidade do Rio seja a líder no ranking entre as capitais com maior índice de diabéticos no Brasil: 10,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Embora a estimativa seja de que quase 15 milhões de pessoas convivam com pré-diabetes no Brasil, o levantamento encomendado pela Merck mostra que 42% da população desconhecem o termo e suas consequências. E apenas 42% dos participantes da pesquisa acreditam que quando não tratado, o pré-diabetes pode levar à doença.

Quando falamos em prática de atividade física, um dos principais fatores no combate à diabetes, 25% dos brasileiros não praticam enquanto 29% dos cariocas são sedentários. Entre os respondentes da pesquisa, no corte nacional, 8% são diabéticos. Já no corte regional para o Rio de Janeiro, 10% são diabéticos.

Na última década, o percentual de homens e mulheres cariocas que apresentaram diagnóstico médico de diabetes aumentou quase 50%, segundo dados da pesquisa “Vigitel Brasil 2016”, do Ministério da Saúde.

Maioria ignora que pressão alta é agravante

Poucas pessoas conhecem os fatores de risco para a diabetes. 76% dos brasileiros entrevistados acreditam que a simples ingestão de doces isolada já é causa de surgimento da doença, enquanto apenas 34% sabem que pressão alta é um agravante. Já entre os cariocas, 43% não fazem esta relação.

É importante as pessoas saberem que o que leva ao pré-diabetes são diversos fatores de risco combinados como sobrepeso, sedentarismo, histórico familiar e rotina alimentar”, afirma o médico João Eduardo Nunes Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Os fatores que representam risco para o desenvolvimento do pré-diabetes também são desconhecidos pelos brasileiros. A pesquisa mostra que 55% dos brasileiros estão na faixa do sobrepeso, o que isoladamente já é um fator causal importante, e 66% não praticam atividade física regularmente.

Quase metade (47%) não teve diagnóstico de pré-diabetes

A pesquisa foi conduzida em outubro com 2 mil brasileiros para identificar o grau de conhecimento sobre o tema e as suas causas. O objetivo é alertar e ajudar na prevenção do diabetes, que atinge 8% da população brasileira e cresceu mais da metade (61,8%) nos  últimos 10 anos.

Entre as pessoas com diabetes envolvidas na pesquisa, 47% não tiveram o diagnóstico de pré-diabetes. “Essas pessoas ficaram sem uma segunda chance de evitar uma doença para se preocuparem pelo resto da vida”, afirma Dr João Eduardo.

O pré-diabetes é uma categoria de risco aumentado para o desenvolvimento do diabetes mellitus. Conhecê-lo é importante para tentarmos reverter alguns quadros com mudanças de hábitos e controlarmos o desenvolvimento da doença”, afirma o médico, que é também coordenador da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O diagnóstico de pré-diabetes pode ajudar a postergar e em alguns casos até mesmo representar uma segunda chance evitar a evolução para o diabetes, doença crônica sem cura. A situação do controle glicêmico também é um fator preocupante. Segundo a SBD, 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com a doença fora de controle.

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Quando saber se você está pré-diabético

O termo é utilizado para definir a categoria de risco aumentado para o desenvolvimento do diabetes mellitus. A sua identificação é feita pela medição dos níveis de glicose no sangue (glicemia): quando estão mais altos do que o considerado normal, porém, não o suficiente para estabelecer um diagnóstico de diabetes.

Estima-se que cerca de 70% dos indivíduos com glicemia de jejum alterada e/ou tolerância à glicose diminuída, quando não tratados, desenvolvem o diabetes mellitus tipo 2 (DM2).

Entre as recomendações para evitar o desenvolvimento da condição, está a mudança de estilo de vida com reeducação alimentar e prática de atividade física para perda de peso.

O acompanhamento com o médico endocrinologista e o nutricionista são essenciais durante essa jornada. Em alguns casos, além da adoção de tais medidas, o especialista pode prescrever também tratamento com medicamentos.

Fonte: Merck, com Redação

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