Celular é usado para vigiar aglomerações

‘Disk-Aglomeração’ começa a usar sinais de celulares no Rio. Em São Paulo, taxa de distanciamento social caiu para 55%

Redação

Na luta para evitar o avanço do novo coronavírus, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que concentram mais de 70% dos casos no país, começaram a utilizar sinais de celulares para detectar pontos de aglomeração de pessoas e, assim, agir imediatamente para dispersá-los nos comércios essenciais e áreas públicas.

No Rio, a nova ferramenta auxilia nas ações do Disk Aglomeração, em parceria com a operadora de telefonia TIM e o Centro de Operações Rio (COR). Até então, o serviço funcionava exclusivamente com base em chamados para a Central 1746. O Disk Aglomeração realizou 1.814 atendimentos em 12 dias, uma média de 150 por dia. Os bairros mais demandados são Campo Grande, Centro, Bangu, Realengo, Tijuca, Santa Cruz, Barra da Tijuca, Copacabana, Taquara e Recreio dos Bandeirantes. Veja mais aqui.

Em Paulo, foi criado o chamado “índice de isolamento social”, graças ao Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) para evitar aglomerações utilizando tecnologias digitais como os smartphones. O SIMI-SP tem como base de análise dados de telefonia móvel que indicam deslocamento dos usuários residentes em 40 municípios paulistas com população de, no mínimo, 30 mil habitantes. O sistema foi viabilizado por meio de acordo firmado com as operadoras de telefonia  Vivo, Claro, Oi e TIM.

Com 100% dos usuários de telefonia celular em São Paulo, nós podemos identificar os locais onde as pessoas estarão e onde houver concentração para analisar o percentual de isolamento e também ações de orientação e advertência, se necessário”, disse o governador João Dória no lançamento do sistema, no último dia 9.

O governo estadual afirma que as informações são captadas sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. A Secretaria de Estado da Saúde informou que a parcela que cumpriu as medidas de distanciamento social foi de 55% neste sábado (11), quando o ideal é de 70%. O índice, mensurado pelo SIMI-SP, apresentou queda de 2% em relação ao dia anterior. Na última quinta-feira (8), o percentual chegou a 47%.

Todos os registros estão em desconformidade com o valor ideal para que se evitar a propagação de covid-19, segundo o médico infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo. Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado destaca que o número de leitos disponíveis na rede de saúde será insuficiente para atender a população, caso a adesão seja mantida nesse patamar.  O índice de isolamento poderá ser visualizado no portal, a partir desta segunda-feira (13).

Rio também usa megafone e carro de som nas ruas

Prefeitura do Rio também lança mão de recursos mais “rudimentares” para conscientizar a população e evitar o contágio pelo novo coronavírus. Além do uso de megafones em diversos pontos da cidade, cinco carros foram adaptados com caixas de som acopladas para alertar sobre a higienização das mãos e a necessidade de evitar aglomerações nesse período de afastamento social.

Os veículos da Guarda Municipal estão circulando por bairros do Centro e das zonas Norte, Sul e Oeste. A mensagem lembra ainda da necessidade de manter a distância segura de 1,5 metro a 2 metros entre as pessoas. Apesar disso, em muitos bairros, ainda foi registrado um movimento acima do desejado nesses tempos de coronavírus, em que a medida que parece ser mais efetiva é o distanciamento social.

Para apertar o cerco, a prefeitura coloca os guardas municipais nas ruas para fiscalizar o comércio e coibir aglomerações de pessoas. O mais recente balanço da ação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) registra o fechamento de 2.370 estabelecimentos dos 3.127 fiscalizados em 54 ações por toda a cidade.

Governo usará dados de teles para monitorar aglomerações

Projetos semelhantes foram lançados em outros estados. O governo do Pará informou que, através de parceria com uma empresa, irá acompanhar o nível de aglomerações. A estimativa é que o isolamento esteja em 40%, considerado baixo para combater a expansão do novo coronavírus.

O programa permitirá que as autoridades estaduais possam verificar em tempo real e no recorte territorial, mapeando a dinâmica de movimentação por bairro. Essas informações servem de base para as ações de combate.

A prefeitura do Recife também anunciou, como parte do seu plano de contingenciamento da covid-19, um sistema semelhante de rastreamento dos fluxos de pessoas baseado em geolocalização na cidade de modo a identificar o cumprimento das medidas de isolamento determinadas para o município.

O governo federal também utilizará o mesmo recurso. Uma parceria deve ser firmada com as operadoras nacionais de telecomunicações (Claro, Vivo, Oi, Tim e Algar) que fornecerão dados agregados sobre a circulação de pessoas. Estes serão coletados a partir da conexão dos smartphones às antenas, chamadas tecnicamente de estações rádio base (ERB).

Google e Facebook também monitoram aglomerações

O monitoramento dos usuários de internet está sendo realizado também por grandes plataformas digitais. O Google, responsável pelos dois principais aplicativos de mapeamento (Maps e Waze) e pelo sistema operacional Android, lançou os “Relatórios de Mobilidade Comunitária”, no qual disponibiliza informações das aglomerações por localidade.

O do Brasil, datado de 29 de março, mostra a redução de aglomerações de 71% em comércios como restaurantes, shoppings e cinemas; 35% de farmácias e padarias; 70% em parques; 34% em locais de trabalho.

O relatório também faz o recorte por estado. O Google afirma que os dados são agregados e anonimizados de usuários que acionam o histórico de localização em seus dispositivos.

O Facebook lançou uma plataforma chamada “Dados para o Bem”, com ferramentas para utilização de dados tanto coletados pela empresa como de outras fontes públicas, como imagens de satélite.

Entre os produtos, figuram mapas de densidade populacional e ferramentas para organizações da sociedade civil. Os dados são disponibilizados para instituições internacionais, como as Nações Unidas, pesquisadores e entidades sem fins lucrativos.

Mapa de percepção de risco

Com o objetivo de incentivar a população a manter o comprometimento com as medidas de distanciamento social, um grupo de pesquisadores lançou um quiz em que cada um pode se submeter a uma análise para descobrir se tem agido adequadamente durante a pandemia. Reunindo os resultados individuais, a instituição atualiza, em tempo real, o Mapa de percepção de risco e comportamento sobre o novo coronavírus, desenvolvido pela empresa Quacks Interatividade Digital.

Idealizada pelo coordenador de Pesquisa e Extensão da Uninassau, Thiago Araújo, a pesquisa utiliza mapas de calor que permitem visualizar a impressão que outros moradores do bairro e da cidade do participante têm em relação à covid-19. A plataforma também fornece informações sobre o nível de prevenção adotado no dia a dia pelos habitantes.

Para a equipe do projeto, a intenção é incentivar a população a refletir sobre a possibilidade de estar minimizando os riscos da doença ou de estar agindo de modo contraditório, já que muitas pessoas podem levar a sério e, mesmo assim, não assumir um comportamento de prevenção. No quiz, o jogador responde diversas perguntas que avaliam ambos os aspectos e gera, ao final, duas pontuações, que variam de 0 a 100.

“Não basta a pessoa perceber uma doença como um risco se ela não tem atitudes ou comportamentos que as afastam ou previnem da doença. São as atitudes preventivas que podem evitar que ela fique doente e, no caso de doenças infectocontagiosas, afetar as pessoas com as quais convivem. No caso de doenças infecciosas, o comportamento individual pode ser preponderante na transmissão da doença. Em um cenário de epidemia de doenças infecciosas, a percepção de risco relacionada à saúde pode levar a mudanças de comportamentos”, argumentam os pesquisadores.

No Rio, mais de 2 mil comércios foram interditados

A corrida por ovos de chocolate, bacalhau e pescado, tradição nas mesas dos consumidores brasileiros às vésperas do domingo de Páscoa, acabou provocando aglomerações em várias cidades em todo o país no feriadão. No Rio, os agentes municipais fiscalizaram no sábado (11) um total de 28 estabelecimentos, incluindo lojas que faziam vendas presenciais de chocolates para a Páscoa e causavam filas.

Os estabelecimentos também foram orientados a evitar aglomerações e fechar suas lojas de conveniência ou pontos de venda de bebidas às 20h, conforme determina o decreto municipal.  Neste domingo de Páscoa (12/04), equipes da Seop estiveram em Rio das Pedras, na Zona Oeste, para verificar se havia comércio aberto e presença de ambulantes. Uma barraca de caldo de cana teve a sua atividade encerrada, com apreensão da moenda e do botijão de gás pelos agentes e vários ambulantes foram orientados a deixar as ruas.

Além disso, cinco lojas (entre elas, uma sorveteria e uma agência de turismo) foram fechadas. No sábado (11), as equipes atenderam os bairros de Realengo, Bangu, Irajá, Jardim Sulacap, Padre Miguel e Campo Grande. Até um jogo de futebol foi encerrado pelos agentes em Padre Miguel. A suspensão do comércio é por tempo indeterminado, em cumprimento ao decreto do prefeito Marcelo Crivella para enfrentamento do novo coronavírus (Covid-19).  Entre as exceções estão supermercados e hortifrútis; padarias (sem consumo no local); pet shops; lojas de materiais de construção; e postos de combustíveis. Saiba mais aqui.

O que precisamos é que as pessoas acreditem no vírus, porque infelizmente ele existe, se dissemina rápido e ainda tem uma curva de crescimento. Então, todos devem se proteger, além de proteger aqueles com quem estiverem no dia-a-dia”, disse o prefeito Marcelo Crivella.

Multa a estabelecimento que descumprir regras

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, determinou, nesta segunda-feira (13/04), que sejam mantidas as medidas de afastamento social adotadas na cidade, para enfrentamento ao novo coronavírus. A decisão foi tomada após quatro horas de reunião com a comunidade científica do município, com a participação de professores da UFRJ, que trabalham no detalhamento da curva dos números do avanço da doença.
Os estabelecimentos que descumprirem as normas para contenção da pandemia poderão ter alvará cassado, e está sendo cogitada multa para pessoas que insistirem em participar de reuniões maiores, em desobediência às recomendações de afastamento social. Os estabelecimentos já recebem multa diária de R$ 891,59, podem ser interditados e ter notícia crime encaminhada à delegacia e ao Ministério Público.
“Nós vamos fazer não só a punição do estabelecimento, mas também do infrator, na mesma regra do Lixo Zero (que multa quem suja vias públicas). Vamos agir com rigor contra aglomerações”, disse Crivella.
O decreto de estado de calamidade pública pedido pelo Município do Rio já foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, faltando agora a aprovação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o que poderá acontecer nesta terça-feira (14). “Com a medida, há a possibilidade de a Prefeitura tomar medidas administrativas com mais rapidez e fazer investimentos mais rápidos”, explicou Crivella.

NOVOS HORÁRIOS PARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Novas medidas para garantir o afastamento social também foram tomadas. Crivella assinou o decreto 47.359, publicado na edição desta segunda-feira (13) do Diário Oficial do Município, em que reforça os horários determinados para o funcionamento do comércio essencial autorizado a abrir as portas na cidade. A indústria passa a ter expediente que começa antes das 6h e vai até 21h. Ficam livres de cumprir o horário de fechamento, às 21h, as atividades que tiverem mais de dois turnos.
O escalonamento dos horários é mais uma medida da Prefeitura para reduzir a aglomeração de pessoas em transportes públicos e lojas, contendo assim a pandemia do novo coronavírus. Vale ressaltar que os estabelecimentos autorizados a funcionar devem respeitar o distanciamento de dois metros entre as pessoas. As empresas devem imprimir a tabela (prefeitura.rio/comercio) para afixar em seus estabelecimentos, em local de fácil visualização.
Com Prefeitura do Rio e Agências

Fonte: Agência Brasil e Prefeitura do Rio

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