Chegada de insumos da China permitirá 12,2 milhões de doses da vacina de Oxford

Uma única dose da vacina ChAdOx1, que no Brasil é produzida pela Fiocruz, apresentou eficácia de 94% para hospitalização na Escócia

Redação
Uma única dose da vacina ChAdOx1, que no Brasil é produzida pela Fiocruz, apresentou eficácia de 94% para hospitalização na Escócia (Foto: Divulgação)

Chega neste sábado (27/2) ao Rio de Janeiro mais uma remessa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para a vacina Covid-19, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Os insumos serão suficientes para a produção de cerca de 12,2 milhões de doses e chegarão a uma temperatura de -55ºC.

Vinda da China, a nova remessa completa a quantidade de insumos necessários para a produção das 15  milhões de doses da vacina previstas para o mês de março. O primeiro lote de IFA chegou à Fiocruz no dia 6/2, em quantitativo suficiente para 2,8 milhões de doses, que já estão sendo processadas.

As vacinas serão entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) após o deferimento do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cuja análise tem seguido de forma paralela à produção. Até junho, a Fundação vai receber lotes de IFA para totalizar a produção de 100,4 milhões de doses da vacina. 

Estudo na Escócia demonstra efetividade da vacina de Oxford

Esta semana, foi divulgado o primeiro estudo sobre a efetividade da vacina produzida pela farmacêutica AstraZeneca, a mesma que a Fiocruz tem parceria, em condições reais, ou seja, mediram o impacto real da vacinação na redução de hospitalizações por Covid-19 em uma população vacinada. Na Escócia, 22% da população já foram vacinadas com a primeira dose dos imunizantes da AstraZeneca ou da Pfizer até o dia 18 de fevereiro.

Os pesquisadores escoceses analisaram um conjunto de dados cobrindo toda a população escocesa de 5,4 milhões, dos quais 1,3 milhão foram vacinados. Ao comparar os vacinados com os não vacinados, os cientistas viram fortes evidências de proteção. 

Segundo o estudo, ainda em preprint, uma única dose da vacina ChAdOx1, que no Brasil é produzida pela Fiocruz, apresentou efetividade de 94% para hospitalização entre 28 e 34 dias após a vacinação. Para a vacina produzida pela Pfizer, a efetividade ficou em 85% no mesmo período. Os resultados também demonstraram altos índices de efetividade em idosos acima de 80 anos, com um efeito da vacina de 81% na média entre as duas vacinas.

De dezembro até meados de fevereiro, mais de 8 mil pessoas foram internadas com Covid-19 na Escócia. Destas, apenas 58 vieram do grupo vacinado. Os dados confirmam o que já havia sido demonstrado nos estudos clínicos de fase de eficácia da vacina.

Segundo os pesquisadores, a efetividade de ambas as vacinas aumenta com o tempo, até atingir seu melhor patamar entre 28 e 34 dias após a vacinação. Mas ainda não há dados suficientes sobre sua efetividade após esse período em uma população vacinada. Também ainda não há informações sobre os resultados após a segunda dose, uma vez que o Reino Unido está utilizando o intervalo de 12 semanas entre as doses.

Processamento da vacina

O IFA para a produção da vacina de Oxford no Brasil embarcou em Xangai, na China, nesta sexta-feira, às 7h35 – horário local, e tem chegada prevista para as 17h50 de sábado (27/2), no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, de onde seguirá para a instituição. Após a chegada do IFA em Bio-Manguinhos/Fiocruz, amostras serão enviadas para o controle de qualidade.

Com a liberação dos resultados das amostras, será realizado o descongelamento, seguido do processamento final, que acontece em quatro etapas: formulação, envase e recravação, inspeção e rotulagem e embalagem. Na formulação, o IFA é descongelado e diluído para receber estabilizadores, responsáveis por garantir a integridade e preservação do princípio ativo.

Na etapa de envase e recravação, o líquido da vacina é inserido de forma automatizada em frascos esterilizados, sendo fechados com uma rolha de borracha específica e encaminhados para a recravação, onde recebem um lacre de segurança.

Logo após ocorre a fase de inspeção dos frascos e, por último, é realizada a etapa de rotulagem e embalagem, onde as vacinas recebem rótulos com identificação, número de lote, data de fabricação, validade e demais informações técnicas. Na sequência, as vacinas seguem para serem embaladas.

Durante o processamento da vacina, são retiradas amostras de todos os lotes, que são encaminhadas para um rígido controle de qualidade interno a fim de garantir sua segurança e eficácia. Após o resultado, as vacinas são liberadas para entrega.

Da Agência Fioccruz, com Redação

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