Chikungunya dispara no Rio: casos aumentam 720%

Em 2018, no período de janeiro a 13 de novembro,  a Secretaria de Estado de Saúde do Rio registrou 36.102 casos de chikungunya , com 16 óbitos. Especialista ensina como usar repelente

Redação
mosquito da dengue

Céu azul, sol intenso e chuvas fortes anunciam que o verão está chegando! E com ele uma grande preocupação chamada chikungunya. No Rio de Janeiro, até 27 de outubro, o aumento de casos da doença já é de 720%, passando de 4.293 casos em 2017 para 32.245 no mesmo período de 2018. Uma incidência de 210,8 casos/ 100 mil habitantes, segundo informou nesta terça-feira (13) o Ministério da Saúde.

Já a Secretaria de Estado de Saúde do Rio divulgou que em 2018, no período de janeiro a 13 de novembro, foram registrados 36.102 casos de chikungunya , com 16 óbitos. No mesmo período, a dengue apresentou 13.886 notificações e dois óbitos. Já a zika teve 2.223 casos, sem registro de morte.

O verão, estação mais quente do ano, começa em 21 de dezembro, mas é preciso já alertar a população em relação às medidas de prevenção e controle. É que as chuvas de verão favorecem a proliferação de mosquitos transmissores de dengue, chikungunya e zika. O vírus é transmitido principalmente pela picada dos mosquitos  Aedes aegypti ou Aedes albopictus. 

O principal grupo de risco são os recém-nascidos, mas qualquer pessoa que tenha sido picada pelo mosquito Aedes aegypti pode desenvolver a doença”, adverte a dermatologista Gabriella Albuquerque, da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro.

Principais sintomas: como reconhecer

A  chikungunya (uma palavra difícil de escrever e que significa ‘homem que anda torto’) tem sintomas semelhantes com a dengue, mas o que define as duas doenças é a sorologia através do exame de sangue. “Nos casos da chikungunya devemos nos atentar que ela pode durar por mais de sete dias”, ressalta a dra Gabriella.

Após a picada do mosquito, os sintomas aparecem de dois a dez dias, podendo chegar a 12 dias. Esse é o chamado período de incubação. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas.

Os principais sintomas são febre acima de 38,5 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos. O paciente também pode sentir dor de cabeça e musculares, além de ter manchas vermelhas na pele.

Ela acomete as articulações, por isso o repouso é fundamental para evitar que o quadro clínico se prolongue, além do uso de compressas frias sobre as articulações, e a ingestão de bastante liquido. O analgésico (no caso o Paracetamol) deve ser feito de forma regular a cada 6 horas. Casos mais graves merecem internação e fisioterapia”, ressalta a médica.

Dermatologista recomenda uso de repelentes

A dra. Gabriella recomenda algumas práticas que podem contribuir para prevenir a proliferação desses insetos como: manter suas casas e quintais limpos; armazenar o lixo de forma correta e  expondo-o  somente no dia da coleta; não deixar plantas com água; e claro fazer uso do repelente diariamente em todo o corpo.

“Os repelentes são substâncias aplicadas na pele, roupas ou superfícies que desencorajam a aproximação do mosquito. Recomendo o uso dos repelentes com DEET ou Piperadina são os mais utilizados em todo o mundo e podem ser aplicados tanto nas roupas quanto na pele exposta. A dica é reaplicar até três vezes ao dia em crianças a partir de três anos de idade”, ressalta.

As crianças com menos de dois anos e até mesmo gestantes devem aplicar apenas duas vezes ao dia. “Não deixe de lavar as mãos após o uso do produto e dê banho nas crianças antes de dormir. Infelizmente, os repelentes estão contraindicados em menores de seis meses de vida, nestes casos, sugere-se a proteção com mosquiteiros e tela , informa a dra. Gabriella.

Outras dicas são cobrir os filhos com roupas de manga e calça cumpridas quando tiver que sair nos horários de maior risco, como início da manhã e final da tarde. “O ideal é fazer uso de roupas de cores neutras e evitar o uso de fragrâncias. Os perfumes e o colorido das roupas atraem os insetos”, declara a médica.

Aumento de casos de dengue e zika em todo o país

Dados epidemiológicos de janeiro a outubro de 2018 apontam que alguns estados apresentam aumento de casos de dengue e zika, em comparação com o mesmo período de 2017, de acordo com o Ministério da Saúde.

Para dengue, houve aumento de 41%, passando de 9.715 casos em 2017 para 13.765 em 2018, com incidência de 82,3 casos/100 mil habitantes. Já em relação ao zika, houve redução de 12%, passando de 2.378 casos em 2017 para 2.072 neste ano, com incidência de 12,4 casos/100 mil habitantes.

CHIKUNGUNYA – Até 27 de outubro, foram registrados 80.940 casos de febre chikungunya, o que representa uma taxa de incidência de 39,0 casos/100 mil habitantes. A redução é de 55,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 182.587 casos.

A taxa de incidência no mesmo período de 2017 foi de 87,9 casos/100 mil/habitantes. Neste ano, foram confirmados laboratorialmente 34 óbitos. No mesmo período do ano passado, foram 189 mortes confirmadas.

No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre eles, destacam-se Mato Grosso e Rio de Janeiro, que registram as maiores incidências, com 394,5/100 mil habitantes no MS e  210,8 casos/100 mil habitantes no Rio.

DENGUE – Até 27 de outubro, foram notificados 220.921 casos de dengue em todo o país, uma pequena redução em relação ao mesmo período de 2017 (223.171). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 106,4 casos/100 mil habitantes. Com relação ao número de óbitos, a queda é de 22,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 167 mortes em 2017 para 130 neste ano.

No total, 12 estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre eles, destacam-se Goiás, Rio Grande do Norte e Acre, que registram as maiores incidências, com 1.025 casos/100 mil habitantes em Goiás; 624,4 casos/100 mil habitantes no Rio Grande do Norte e 420,8 casos/100 mil habitantes no Acre. As informações completas estão no Boletim Epidemiológico – Semana 43.

ZIKA – Foram registrados 7.544 casos prováveis de zika em todo país, até 27 de outubro, uma redução de 54,6% em relação a 2017 (176.616). A taxa de incidência passou de 8,0 em 2017 para 3,6 neste ano. No total, sete estados apresentam aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre eles, destaca-se o Rio Grande do Norte, com 14,9 casos/100 mil habitantes.

Da Agência Saúde, com Redação (atualizado em 14/11/18, às 19h)

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