Afinal, chocolate faz bem ou faz mal para a pele e para a saúde como um todo?

Endocrinologista, nutricionista e dermatologistas descrevem benefícios do cacau, uso na prevenção de doenças e até em tratamento estético

Preto, branco, amargo, ao leite, com castanhas, avelãs… seja qual for o tipo, o chocolate é um dos doces mais tradicionais do mundo. De diversas marcas, ingredientes e sabores, a receita vinda do cacau conquistou o paladar popular e se consolidou como um líder no mercado de alimentos. O Brasil ocupa o quinto lugar de vendas de chocolate no mundo. Por ano, cada brasileiro consome cerca de 2,6 quilos de chocolate, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).

O chocolate já faz parte da vida de muitas pessoas. A Abicab estima que o consumo é apreciado por grande parte dos brasileiros (75%) e há ainda aqueles que não o trocam por nada (35%), os conhecidos chocólatras. O produto é tão consumido que tem até o Dia Mundial do Chocolate – 7 de julho, homenageando aqueles que não perdem a oportunidade de desfrutar desse sabor delicioso.

O tão amado chocolate é comumente conhecido por estar presente no cotidiano das pessoas como sobremesas ou simples doces responsáveis por aumentar a serotonina e melhorar seu humor, sendo uma aposta constante nessas circunstâncias. Mas será que o chocolate faz mal para a saúde mesmo e para a pele, em especial?

Para o endocrinologista Guilherme Renke (@endocrinorenke), o que não é de mútuo conhecimento popular, contudo, é o fato de que o chocolate também pode ser extremamente benéfico para a saúde na prevenção de doenças e auxílio em outras partes do corpo. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e sócio fundador da Clínica Nutrindo Ideais, destaca os benefícios existentes no alimento que é queridíssimo no gosto popular. 

O cacau contém mais antioxidantes fenólicos do que a maioria dos alimentos. Flavonoides, incluindo catequina, epicatequina e procianidinas predominam na atividade antioxidante. A estrutura tricíclina dos flavonoides determina os efeitos antioxidantes que eliminam as espécies reativas de oxigênio. O conteúdo de epicatequina do cacau é o principal responsável por seu impacto favorável no endotélio vascular devido ao seu efeito na supra regulação aguda e crônica da produção de óxido nítrico”, ressalta.

Além disso, seus efeitos antioxidantes podem influenciar diretamente a resistência à insulina e, com isso, reduzir o risco de diabetes.  O consumo de chocolate também pode estimular mudanças nas vias de sinalização sensíveis ao redox envolvidas na expressão gênica e na resposta imune.

“O cacau pode proteger os nervos de lesões e inflamação, proteger a pele dos danos oxidativos da radiação UV em preparações tópicas e ter efeitos benéficos na saciedade, função cognitiva do humor”, orienta Dr. Renke.  Apesar desses, outros benefícios provenientes do chocolate não são tão conhecidos, embora devidamente benéficos. 

Chocolate amargo melhora a imunidade

Ainda segundo Dr Renke, o chocolate amargo também é rico em antioxidantes e com pelo menos cinquenta a setenta por cento de cacau aumenta o fluxo sanguíneo, melhora a saúde intestinal e alivia o estresse – todos os efeitos que podem indiretamente fortalecer o sistema imunológico.  “E além disso, o cacau é uma fonte concentrada de fibra, magnésio, potássio e arginina, um aminoácido que ajuda a dilatar os vasos sanguíneos, também”, elucida o endocrinologista.

Consumir chocolate regularmente pode ajudar a evitar ataques cardíaco. Comer qualquer tipo de chocolate mais de uma vez por semana está relacionado à uma redução de 8% no risco de doença arterial coronariana. Isso ocorre porque o chocolate – especialmente o escuro – contém nutrientes saudáveis para o coração, incluindo as já citadas flavonoides, metilxantinas, polifenóis e ácido esteárico, que podem ajudar a reduzir a inflamação e aumentar os níveis do “bom” colesterol que evita o acúmulo de placas artérias”, ressalta o especialista.

Além de todos os benefícios físicos, o chocolate pode ser devidamente positivo para a mente, visto que os aminoácidos bioativos triptofano, fenilalanina e tirosina podem ajudar a mudar a neuroquímica, culminando no efeito de “sensação boa” que um pedaço de chocolate geralmente proporciona. 

Como incluir o chocolate sem sair da dieta

Geralmente considerado um vilão das dietas, o consumo do chocolate é vetado por muitos nutricionistas. Devido a seu alto valor calórico, os muitos benefícios do produto são anulados e ele acaba sendo excluído da alimentação dos pacientes, devido ao estigma de que é engordativo e não faz bem. No entanto, o especialista Marco Quintarelli explica que, se consumido com moderação, esse alimento pode fazer parte de uma alimentação balanceada.

Ao comer chocolate, o corpo humano produz serotonina, um hormônio que está diretamente ligado à sensação de prazer e felicidade. O único risco que o alimento tão famoso pode trazer é um consumo desmedido, que pode levar ao vício e aos excessos. No entanto, esse doce pode ser um grande aliado da saúde, se comido com responsabilidade. Quatro pequenos quadradinhos são recomendáveis após uma refeição e não prejudicam o processo de emagrecimento”, comenta o nutricionista.

Quintarelli recomenda chocolates funcionais, menos processados e mais próximos do natural na hora da escolha. “Existem muitas opções no mercado que não levam tanto leite, açúcar e conservantes. São recomendáveis aqueles que possuam maior teor de cacau em sua composição. Chocolates acima de 50% de cacau devem ser prioridade para se deliciar sem sair da dieta, sendo eles mais palatáveis e trazendo benefícios, é claro, se comidos com moderação”, conclui o especialista.

Conheça os efeitos prejudiciais do chocolate

Apesar de todos os benefícios, o consumo excessivo de chocolate também oferece potenciais efeitos prejudiciais, incluindo o aumento do risco de ganho de peso, obesidade e outros malefícios. “A ingestão deve ser consciente, e não exagerada. Em uma dosagem responsável e consumo moderado, no entanto, os benefícios provavelmente superam os riscos”, finaliza Dr. Renke.

Segundo a médica Flávia Villela, especialista em Dermatologia, o consumo em excesso pode aumentar o aparecimento da acne em pessoas que já possuem pré-disposição para a doença. “Por ter um alto índice glicêmico, o chocolate estimula a produção de sebo pelas glândulas sebáceas. O aumento da oleosidade ocorre devido a um pico de insulina, responsável por levar o açúcar para dentro da célula”, explica.

A médica ressalta que o problema não é o cacau e sim o açúcar contido nas diversas opções disponíveis no mercado. “O cacau é fonte de energia e possui benefícios para a saúde. O consumo de alimentos com cacau, como chocolate meio amargo ou amargo, protege o coração, auxilia na circulação sanguínea, melhora o HDL (bom colesterol), tem efeito antioxidante, anti-inflamatório, além de relaxar e proporcionar sensação de bem-estar”, informa Flávia.

Para quem tem acne, a recomendação é o consumo do chocolate amargo ou meio amargo e em pequenas quantidades (13g ou 4 quadradinhos). Se a pessoa não conseguir deixar de saborear o chocolate ao leite e a acne piorar, uma dica é associar o consumo a tratamentos dermatológicos. “Existem tratamentos que podem ser feitos em casa, com vários produtos para uso tópico e produtos de uso sistêmico, como antibiótico e outras medicações ingeridas via oral. Também há diversas tecnologias em consultório que podem ajudar a melhorar a acne”.

Flávia alerta que a automedicação não é recomendada. “É importante sempre procurar um médico especialista porque o uso do chocolate pode provocar vários tipos de acne, em vários graus, e cada um tem um tipo de tratamento”, finaliza.

Tratamentos de beleza com chocolate

Já a dermatologista Vanessa Perusso diz que o chocolate, com seus ativos, pode ajudar na rotina de cuidados com a pele e também dos cabelos, para alegria das beauty lovers.

O cacau tem uma concentração de propriedades antioxidantes que protegem a pele da ação dos radicais livres e colaboram com o retardo do envelhecimento precoce. Além disso, outras vitaminas, minerais e ácidos graxos presentes no grão de cacau têm poderosos ativos hidratantes e revitalizantes que melhoram a hidratação da derme, combatem o ressecamento e garantem uma cútis iluminada e macia”, explica.

Segundo ela, quando usado como ativo em produtos capilares como shampoo, condicionador e máscaras de tratamento, os benefícios do grão de cacau – como compostos antioxidantes, flavonoides, vitaminas e minerais – são capazes de minimizar alguns contratempos que os fios possam vir a ter, tal como desidratação, opacidade, quebra e falta de maciez.

Vanessa afirma que produtos à base de chocolate podem ser incluídos na etapa de nutrição do cronograma capilar, por exemplo. “Por ser rico em vitaminas A, B2, B2, potássio, fósforo e magnésio, ajudam não somente a encorpar a fibra capilar. Além de torná-la mais forte e flexível, atua na saúde do couro cabeludo, fazendo com que os fios cresçam mais fortes e menos finos. Para isso, vale massagear o couro cabeludo com movimentos circulares durante a aplicação de produtos com chocolate”, explica.

Com Assessorias

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