‘Cirurgia reparadora é aliada, mas o mais importante é a cura’

Especialistas explicam procedimento para reconstrução da mama afetada pelo câncer, após cirurgia para retirada do tumor

foto mastectomia

Após a mastectomia, milhares de pacientes aguardam pela cirurgia plástica de reconstrução mamária, com objetivo de melhorar a aparência da região e recuperar sua autoestima. A cirurgia de reconstrução mamária é uma opção para melhorar a qualidade de vida de uma mulher submetida à remoção cirúrgica de parte ou totalidade das mamas devido ao câncer. Segundo especialistas, o procedimento se torna fundamental na hora de ajudar o estado psicológico e emocional da mulher após o tratamento.

Para o cirurgião plástico Pedro Lozano, o procedimento é ” importante aliado no pós-tratamento, mas o ponto mais importante é conquistar a cura”.  Integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, ele afirma que atualmente são conquistados resultados excelentes após a mastectomia padrão, mas o médico responsável pela cirurgia plástica deve estar de acordo com a conduta e padrões da equipe de Oncologia. Ele explica que o procedimento cirúrgico permite corrigir uma sequela da cirurgia para retirada do câncer de mama, seja um procedimento com exérese de toda a mama ou parte apenas, com o objetivo de alcançar a melhor simetrização possível das mamas.

A cirurgia para retirada do câncer de mama geralmente remove todo o tecido glandular do seio com objetivo de sanar qualquer fonte potencial para recidiva da doença. O objetivo neste procedimento é restaurar a forma e o volume perdidos, criando-se uma nova forma mamária e buscando-se a equalização contralateral, promovendo assim sua reabilitação estética”, explica o cirurgião plástico Guilherme Miranda de Freitas.

Mas para a paciente fica a dúvida: a retirada de toda a pele dificulta o processo de reconstrução mamária?
Segundo recente pesquisa publicada por médicos do Hospital Sírio-Libanês no International Journal of Radiation Oncology, os protocolos cirúrgicos atuais são menos invasivos, poupando mais a região operada, priorizando a estética e mantendo tecido mamário. O estudo questiona, inclusive, o quanto a mastectomia deve efetivamente remover e o quanto de pele remanescente é ideal prevalecer, de acordo com os protocolos oncológicos. Além disso, a pesquisa defende a importância de ter médicos diferentes para a retirada do tumor e da reconstrução.

A reconstrução pode ser realizada junto com a mastectomia ou após, ou seja, a paciente apenas faz a mastectomia e reconstrói a mama meses ou anos depois. A indicação de um ou outro vai depender do tipo de cirurgia feito pelo mastologista, necessidade de terapias adjuvantes, tipo do tumor e características do paciente”, afirma Matthias Wolfgang Mathony Weinstock, cirurgião plástico do Consulta Aqui.

Os especialistas explicam em detalhes como é feito o procedimento, o pós-operatório e o resultado final. Confira:

Como é feito o procedimento

De acordo com o Dr Guilherme, a cirurgia de reconstrução mamária é indicada a mulheres que foram submetidas a mastectomia. Pode ser basicamente realizada com tecidos próprios da pessoa ou com próteses, ou ainda numa conjunção de uso de tecidos próprios com próteses. O procedimento utiliza anestesia geral. A cirurgia de reconstrução mamária dura em média de 3 a 4 horas. O tempo de internação é de cerca de 12 a 24 horas.
Existem várias técnicas de reconstrução mamária e a escolha por uma delas é individualizada para cada caso, levando em conta o tamanho das mamas, a extensão de pele retirada, a quantidade de tecido adiposo abdominal, a presença de cicatrizes prévias, a competência dos músculos envolvidos e a preferência do paciente”, destaca Dr Guilherme.
O primeiro passo é avaliar qual a intervenção adequada em cada caso. “O cirurgião e a paciente decidem em conjunto qual a melhor técnica a ser utilizada. A reconstrução varia muito conforme as expectativas da paciente, além de considerar o resultado da mastectomia, o tamanho do tumor, idade da paciente e se há outras doenças associadas”, diz Pedro Lozano.
Toda a avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar que envolve a paciente, o mastologista, o cirurgião plástico, o oncologista, a equipe de fisioterapia e outros profissionais. Tudo para dar o melhor tratamento, ajudar a avaliar o quadro geral e se a cirurgia pode ser feita junto a ressecção do tumor ou após a recuperação. “Isso garante além de conforto, satisfação e segurança à paciente”, comenta o especialista.

 

O pós-operatório

De acordo com o Dr Guilherme, o paciente está liberado após cerca de sete dias para atividades usuais sem esforço físico. Os pontos começam a serem retirados com 15 dias. “Musculação e atividades físicas leves são permitidas após 30 dias, porém sem o uso dos braços. Os exercícios físicos pesados com o uso dos braços estão liberados após 60 dias. Recomenda-se o uso de sutiã especial de pós-operatório por no mínimo 30 dias”, acrescenta.

Os riscos de uma cirurgia como a reconstrução mamária são os mesmos de qualquer outra: absorção de gordura ou assimetrias, que podem ser corrigidas com outras cirurgias de menor porte. As próteses também podem apresentar diferença de tamanho ou contraturas (cicatrizes endurecidas ao redor das próteses) e, mais raramente, infecção.

No caso de qualquer alteração a paciente deve procurar o seu cirurgião plástico para reparação do ocorrido. Como a reconstrução mamária é feita com tecidos da própria paciente, não há riscos de rejeição. O pós-operatório requer os cuidados gerais similares a outras cirurgias: repouso relativo, cuidados com os curativos e eventuais drenos, além do uso de antibióticos e analgésicos, retornos ao consultório e seguimento no tratamento oncológico”, explica Dr Lozano.

Resultados finais

Segundo Dr Guilherme, os resultados estéticos da reconstrução mamária costumam ser bastante satisfatórios, mas não devem ser comparadas à cirurgia plástica convencional da mama, por se tratar de uma cirurgia reparadora.  Contudo, as mulheres que se submetem esta cirurgia, sentem-se muito melhor do que as que não a fazem, com evidentes vantagens na preservação de sua autoestima e autoimagem.
No geral o resultado da cirurgia de reconstrução mamária é satisfatório. A cicatriz vai depender da cirurgia que foi feita para a retirada do tumor. É importante ressaltar que os benefícios dessa cirurgia vão além do estético e visual. Maior adesão da paciente ao tratamento, manutenção da autoestima, ausência de sequelas físicas e menor chance de depressão no pós-operatório são apenas alguns dos benefícios”, finaliza Dr Lozano.
Com Assessorias