Colesterol alto na infância, como combater?

Doença atinge um quinto das crianças brasileiras e pode provocar problemas no coração se não for tratada adequadamente. Alimentos com gorduras trans são o principal risco

Redação
Sarah, de 9 anos, fez o teste para saber como anda seu nível de colesterol (Fotos: Maurício Bazílio/SES)

Muita gente não sabe, mas o colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas. Em pequena quantidade, o colesterol é bom e necessário para o organismo. O problema é quando ocorre um acúmulo na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento de aterosclerose, explicam médicos. E quando isso ocorre na infância?

De acordo com o IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione), a doença que acomete um quinto das crianças do Brasil.  As novas tecnologias, o sedentarismo e a alimentação inadequada constituem-se em sérios vilões para o organismo.

Hoje, as crianças ficam muito tempo em computadores, celulares e videogames. São horas sem atividade física e por conta disso podem acabar se tornando sedentárias. Outro problema são os alimentos industrializados, como hambúrguer e refrigerante que contém alto teor de colesterol e devem ser evitados”, alerta a endocrinologista do IEDE, Cynthia Valério.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é que, no máximo, 7% das calorias da dieta venham de gorduras saturadas. Um dos problemas enfrentados é a ingestão de colesterol encontrado nos alimentos com gorduras trans, como lasanhas, margarinas e biscoitos recheados. Estes alimentos, consumidos em excesso, podem provocar aterosclerose, infarto e AVC. Por isso, a precaução deve começar deste cedo.

As medidas ideais, segundo a Sbem, são: crianças antes da puberdade – 180mg/dl do colesterol total e adultos – 200mg/dl. Quando o LDL de colesterol de uma criança for maior do que 130 mg/dl é a hora de o responsável procurar o pediatra ou endocrinologista, explica o diretor do IEDE, Ricardo Meirelles. “O nível de LDL colesterol deve ficar abaixo de 110 mg/dL. Para isso, deve ocorre uma mudança de hábito com práticas esportivas e uma alimentação balanceada com 50% de verduras e legumes, 25% de carboidratos e 25% em proteínas”, esclarece Ricardo.

Evento alerta mães e crianças

Em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Colesterol,  o Iede promoveu, nesta quinta-feira (8), em sua unidade, uma programação. Com o tema “Colesterol no alvo: proteja o coração de seus filhos”, endocrinologistas e pediatras fizeram palestras sobre as principais causas, os riscos e como evitar o colesterol alto na infância. Nutricionistas orientaram sobre alimentos com maior teor de gordura saturada e gordura trans.

Houve ainda coleta de sangue das crianças entre 2 e 14 anos para avaliação de perfil lipídico, conforme indicação médica, além de outras atividades. Josiane Resende Mendes, de 37 anos, aproveitou a campanha para levar a filha Sarah Victória Resende, de 9 anos, para fazer o exame. “Ao saber do evento trouxe minha filha como forma de prevenção. Só assim, fico sabendo se sua alimentação está correta ou não”, comentou a moradora do Engenho Novo.

A iniciativa chama a atenção para a necessidade de manter o colesterol controlado, evitando o surgimento das doenças cardiovasculares. O evento foca na  detecção precoce de casos de hipercolesterolemia familiar (causa genética de dislipidemia e importante causa de doença cardiovascular precoce na fase adulta) e conscientização da população quanto à necessidade da adoção de um estilo de vida saudável desde a infância.

“O evento será muito importante para realizar um levantamento sobre o nível de conhecimento das famílias, e como é avaliado e tratado o problema do colesterol alto na infância. Atualmente, sabemos que há um grande desconhecimento sobre o assunto. É importante destacar que, na presença de níveis de colesterol elevados desde a infância, os riscos da criança desenvolver doença cardiovascular na fase adulta são altos”, disse Cynthia.

A ação é promovida pelo Departamento de Dislipidemia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Principal causa é genética

A principal causa do colesterol alto é genética. Em média, a cada 300 a 500 nascimentos, uma criança é afetada com problemas do metabolismo do colesterol, que pode se manifestar na primeira infância ou já na vida adulta. “Por isso é importante saber o histórico de saúde familiar das crianças”, alerta Osmar Monte, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo – SBEM-SP.

Alimentação com redução de gordura de origem animal e rica em fibras vegetais ajuda a reduzir o colesterol. Medicamentos podem ser associados em alguns casos e de acordo com a faixa etária do paciente.

Mesmo com um cenário que requer atenção, ainda há quem não procure ajuda médica. Um estudo da SBC aponta que 11% das pessoas nunca fizeram exame de colesterol, enquanto 70% realizam apenas após os 45 anos.

Os exames laboratoriais são importantes para este acompanhamento bem como exames cardiológicos específicos para a condição/doença da pessoa. A Tomografia Computadorizada das artérias coronárias é capaz de identificar alguma obstrução arterial destes vasos que pode ser decorrente de um controle inadequado dos níveis de colesterol pelo paciente”, afirma o responsável técnico do Anchieta Diagnósticos, Dr. Anderson Benine Belezia.

Fazer visitas regulares a um especialista médico e utilizar a medicação recomendada e de forma correta ajudam não apenas a prevenir as DCVs, mas proporcionam melhor qualidade de vida. E isso é fundamental, sendo lembrado neste dia 8 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Colesterol, quando se iniciam as campanhas de conscientização, como explica o cardiologista da CardioAnchieta, Dr. Bruno Jardim.

Da Redação, com Assessorias