Como controlar a raiva, evitar uma explosão e ainda usá-la a seu favor

Uma das autoras de ‘Raiva Quem Não Tem? – Guia de Gerenciamento da Raiva’, psicóloga Isabel Stepanski dá dicas em exclusiva ao ViDA & Ação

Rosayne Macedo

Você já se sentiu furioso em alguma situação e acabou perdendo o controle, adotando atitudes das quais depois até se arrependeu ou sentiu vergonha? Pois é, a raiva é um sentimento inerente ao ser humano, mas, de forma exagerada, pode causar sérios impactos na vida social de uma pessoa e até indicar uma patologia que deve ser tratada. Mas é possível controlar as explosões de raiva no dia a dia?

A psicóloga Isabel Stepanski, professora da FGV/Brasília e Ibmec, garante que sim. Ela é uma das autoras do livro ‘Raiva: quem não tem? – Guia de Gerenciamento da Raiva’, recém-lançado pela Editora Senac São Paulo. Neste rápido bate-papo para a seção #LerFazBem do Portal ViDA & Ação, Isabel explica como esta emoção ocorre no organismo e dá dicas para evitar um acesso de raiva – e se arrepender depois!

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Segundo Isabel, a questão não é sentir raiva, mas não conseguir controlar a raiva. “A raiva uma emoção como qualquer outra. As emoções não são boas nem ruins. Elas simplesmente são. O que nós fazemos a partir desta emoção é que pode ter um efeito positivo ou negativo”, ressalta. Ela explica que a raiva é uma emoção primitiva, que se manifesta como uma mudança fisiológica no organismo, gerando um comando cerebral.

Isabel Stepanski, psicóloga e professora da FGV/Brasília e Ibmec, é uma das autoras do ‘Guia de Gerenciamento da Raiva’ (Foto: Divulgação)

“Ter raiva é ótimo, significa que você é humano e está reagindo a um estímulo externo”, destaca a especialista. “Muitas vezes escutamos alguém dizer que ficou cega de raiva, que foi lá, quebrou coisas ou bateu em alguém. Isso sim, é preocupante. Crises frequentes, que depois se arrepende, pede desculpas. Deve-se ter um certo cuidado com essas crises”, adverte.

Episódios de raiva que não conseguem ser controlados devem ser um sinal de alerta, especialmente se acompanhados de pensamentos recorrentes de vingança. Segundo ela, quando a raiva fica muito exacerbada e a pessoa não consegue controlar, é saudável identificar que precisa de uma ajuda profissional, inclusive por meio da Psiquiatria, por meio de medicamentos, quando os recursos de autocontrole não forem suficientes.

Isabel lembra ainda que uma noite mal dormida, a fome ou uma enxaqueca podem predispor a manifestações mais intensas de raiva. Esta emoção descontrolada pode causar graves impactos nos relacionamentos interpessoais, gerando consequências negativas. “Você tem a emoção, não é a emoção que tem você”, pondera.

Sobre pessoas que recebem a pecha de ‘temperamento explosivo’, ela questiona. “Há algumas crenças de que ‘eu nasci assim’ ou ‘minha família toda é assim’. Mas existem os cromossomos e também os ‘como somos’. É, portanto, preciso se construir a partir de quem a gente quer ser e como quer manter nossas relações”, diz Isabel. E é a partir desse autoconhecimento vem a transformação.

Dicas para controlar a raiva

A psicóloga Isabel Stepanski finalizou a entrevista ao ViDA & Ação com três dicas práticas para administrar a raiva e ter uma vida mais saudável. Confira:

1 – RESPIRAR – É uma dica simples, mas o tempo da respiração pode ser suficiente para se tomar uma atitude mais racional, mais coerente, e não simplesmente reativa. Daí a importância de conhecer as reações do corpo;

2 – EVITE SITUAÇÕES – É bom evitar noite mal dormida, estar cansado, com vontade de comer ou outra condição que predisponha à raiva. “Não trate de assuntos difíceis quando se percebe uma situação como essas”, recomenda;

3 – EXERCÍCIO FÍSICO – É importante manter uma atividade física regular, como a yoga e até mesmo uma luta, para tirar essa energia do corpo. Pode ser também desenhar, escrever no papel o que te irrita ou outra atividade.

SOBRE O LIVRO

O isolamento social, necessário por conta da pandemia, despertou diversos sentimentos nas pessoas. Com planos adiados, restrições de deslocamento e outras medidas que afetaram diretamente o cotidiano, muitos passaram a se sentir frustrados. Segundo o estudo da Uerj, os sentimentos de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80% durante a quarentena. A somatização de emoções aumenta a irritabilidade, o que gera a perda de paciência em situações comuns do dia a dia.

Para as consultoras organizacionais Isabel Stepanski, Maria Eugênia Costa e Patrícia Santos, administrar a raiva é uma competência básica para o desenvolvimento emocional. Na obra, as autoras mostram não só como gerenciar a raiva, mas como aproveitar o que ela pode oferecer de bom. O objetivo é contornar uma situação de raiva, impedindo que chegue àquele ponto sem volta, no qual a lucidez perde para a irracionalidade.

Especialistas no tema, com foco na dimensão humana das empresas, as autoras conseguem levar o leitor a um processo franco de auto-percepção. Com esta publicação, além do impacto positivo na vida profissional do leitor, o Senac São Paulo busca resgatar a qualidade emocional nas relações interpessoais, em todos os níveis.

SOBRE AS AUTORAS

Isabel Stepanski é psicóloga com MBA em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial e pós-graduada em Psicopedagogia, jogos cooperativos e dinâmica de grupos. Possui certificação em Coaching Ontológico pela Newfield, no Chile, e diploma em Coaching em contextos organizacionais pela Universidade de Londres, no México. É especialista em anger management pela National Anger Management Association (Nama) em Nova York. Atua com capacitação e consultoria na área de desenvolvimento humano e é professora da FGV/Brasília e do Ibmec, além de outras instituições.

Maria Eugênia B. Costa tem graduação em Filosofia e é educadora com mestrado e doutorado nos Estados Unidos. Possui certificação internacional pela Newfield e é especialista em anger management pela Nama, em Nova York. Além de ser coach de executivos, atua como consultora na área de comportamento organizacional com desenvolvimento de equipes, criatividade e desenvolvimento gerencial. É também docente em cursos de pós-graduação.

Patrícia Santos é graduada em Marketing com mestrado em Engenharia de Produção e Qualidade. Possui MBA em gestão estratégica de vendas e em marketing digital com ênfase em Neuromarketing, além de especialização em Administração de Empresas. Participou de diversos cursos de aperfeiçoamento, entre eles gestão de criatividade e inovação pelo Disney Institute, nos Estados Unidos. É especialista em anger management pela Nama, em NovaYork. Atua como palestrante, consultora de empresas e docente em cursos de pós-graduação.

FICHA TÉCNICA

Raiva: quem não tem? – guia de gerenciamento da raiva

Autoras: Isabel Stepanski, Maria Eugênia B. Costa, Patrícia Santos

Páginas: 160

Preço: R﹩ 48

Onde comprar: https://www.livrariasenac.com.br

Editora: Senac São Paulo

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