SUS reforça apoio à saúde mental para minimizar impactos da ‘quarta onda’

Redação
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Neste sábado, 10 de outubro, é celebrado o  Dia Mundial da Saúde Mental, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre os cuidados com doenças mentais e a prevenção ao suicídio. No ano em que a discussão sobre saúde mental ganha destaque no contexto global da pandemia de Covid-19, a data chega como um indispensável lembrete de que não basta falar a respeito: é preciso agir – e investir – nessa área.

A OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aproveitam esse dia para reforçar o apelo por aumento nos investimentos em saúde mental em todo o mundo e ampliação do acesso aos serviços. De acordo com a ONU, a data este ano vem em um momento em que nossas vidas diárias mudaram consideravelmente, como resultado da pandemia da Covid-19.

Os últimos meses trouxeram muitos desafios: para os trabalhadores da área de saúde, prestando cuidados em circunstâncias difíceis; para os estudantes, adaptando-se a ter aulas em casa, com pouco contato com professores e amigos; para os trabalhadores cuja subsistência está ameaçada; para o grande número de pessoas presas na pobreza; e para as pessoas com condições de saúde mental, muitas delas experimentando um isolamento social ainda maior do que antes. E isto para não dizer nada de gerir a dor da perda de um ente querido, às vezes sem poder dizer adeus”.

O Ministério da Saúde afirma que está atento à chamada ‘quarta onda’, relacionada ao aumento de casos de doença mental, incentivando ampliação da rede de assistência, para garantir cuidado a todos. Através de um questionário online, divididos em três fases, o Ministério da Saúde está reunindo informações e monitorando a situação da saúde mental dos brasileiros neste ano. 

Dados preliminares da primeira etapa da pesquisa mostraram que a ansiedade é o transtorno mais presente no período. As outras duas etapas ainda estão em andamento e também investigam o uso de álcool e outras drogas durante a pandemia, assim como a procura dos participantes por serviços de saúde mental. Os resultados finais do estudo serão divulgados após o final da terceira fase, em meados de dezembro de 2020. O objetivo é acompanhar a evolução dos participantes das fases iniciais da pesquisa com relação aos transtornos citados. 

Este ano, o cenário provocado pela Covid-19 trouxe um grande desafio para a sociedade devido às novas formas de convívio e de trabalho. O momento pós pandemia no preocupa. As pessoas estão adoecendo, necessitando de cuidados. E é muito importante buscar ajuda, até para que possamos prevenir quadros mais graves. Realmente, a saúde mental do mundo está comprometida em função de tudo que estamos vivendo”, destaca a coordenadora de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Maria Dilma Alves Teodoro.

Investimentos em saúde mental no país

No Dia Mundial da Saúde Mental, o Ministério da Saúde informou que está reforçando o compromisso em defesa da saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS). De janeiro a julho deste ano, foram realizados mais de 165 mil atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e na Atenção Primária. A pasta anunciou que destinou aos municípios brasileiros cerca de R$ 649 milhões para compra de medicamentos para os tratamentos relacionados à saúde mental.

A liberação do recurso tem como objetivo reduzir os impactos na saúde mental da população brasileira em decorrência das medidas ao combate da Covid-19 e atende à Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela OMS.

A pasta lançou uma série de ações com o objetivo de informar à população sobre questões relacionadas a doenças mentais. Entre elas, estão o programa “Mentalize”, no YouTube do Ministério da Saúde, e a disponibilização de cursos online e gratuitos sobre prevenção do suicídio e da automutilação com as “Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida”, que estão com inscrições abertas até o dia 26 de outubro através do site prevencaoevida.com.br.

Ampliação dos serviços de atenção psicossocial

Durante a pandemia da Covid-19, a pasta recomendou aos gestores dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) a não interromperem os atendimentos, porém, tomando todas as medidas de prevenção para evitar a disseminação do coronavírus. Segundo dados preliminares de 2020, de janeiro a julho foram realizados 165.562.84 atendimentos de saúde mental em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e em estabelecimentos da Atenção Primária à Saúde.

Nós estamos trabalhando para que possamos ampliar nossa rede de assistência para que a nossa população seja atendida de uma forma responsável, adequada e igual para todos. Nesse período da pandemia, nós incentivamos a abertura de novos serviços, visando sempre o cuidado e a melhor atenção à nossa população”, explica a coordenadora de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Maria Dilma Alves Teodoro.

A RAPS amplia o acesso da população à atenção psicossocial através do acolhimento, acompanhamento contínuo e atenção às urgências e emergências, de forma a promover vínculos e garantir os direitos das pessoas que precisam de tratamento. Atualmente, a rede funciona em todos os estados brasileiros, contando com:

  • • 42 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 144 Consultórios de Rua; 
  • • 2.657 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); 
  • • 66 Unidades de Acolhimento (Adulto e Infantojuvenil);
  • • 1.641 Leitos em Hospitais Gerais; 
  • • 13.877 Leitos em Hospitais Psiquiátricos; 
  • • 50 Equipes multiprofissionais de atenção especializada em Saúde Mental; 
  • • 691 Residências Terapêuticas (SRT). 

Mais recursos para implantar novos serviços

Neste ano, já foram investidos R$ 1,1 milhão para implantação de novos serviços para atendimento à saúde mental, o que proporcionou a abertura de 24 novos CAPS, 11 Serviços de Residência Terapêutica (SRT), 1 Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil e 40 novos leitos de saúde mental em hospital geral. Também foram habilitados 21 Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada de Saúde Mental para atendimento ambulatorial.

Por meio da Portaria nº 2.516, de 21 de setembro de 2020, foi firmada a transferência de recursos financeiros de custeio para aquisição de medicamentos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica utilizados no âmbito da saúde mental, com impacto orçamentário de R$ 649.833.472,83.

Entre as ações realizadas pela pasta durante o ano, está o Projeto Telepsi, realizado em parceria com o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, que oferece teleconsulta psicológica e psiquiátrica para profissionais do SUS que estão no enfrentamento à Covid-19 e recentemente ampliada para trabalhadores dos serviços essenciais.

Mais investimentos na saúde mental no Estado do Rio

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde afirma que vem fazendo o dever de casa e tem ampliado consideravelmente os repasses aos municípios para ações e programas do setor por meio das políticas de cofinanciamento implementadas em 2019, que possibilitam a ampliação, qualificação e inovação em toda a rede de atendimento e atenção psicossocial.

Em 2020, considerando o total aprovado para o Programa de Cofinanciamento, Fomento e Inovação da Rede de Atenção Psicossocial do Estado do Rio de Janeiro (COFI-RAPS) e outros repasses aos municípios, foram quase R$ 53 milhões, valor mais de 10 vezes superior aos cerca de R$ 5 milhões repassados em 2018, chegando a 96% dos municípios. A Secretaria faz o monitoramento de como os repasses são empregados por meio da Coordenação de Atenção Psicossocial.

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Para a superintendente de Atenção Psicossocial e Populações Vulneráveis (SAPV) da SES-RJ, Karen Athié, o trabalho que vem sendo realizado no estado do Rio de Janeiro coloca na linha de frente a discussão sobre as lacunas de cuidado em saúde mental e direitos humanos à luz da equidade, um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nós temos associado essa discussão às especificidades de populações que estão em situações de maior vulnerabilidade, considerando as necessidades e particularidades de cada uma para fomentar a construção de políticas que sejam inclusivas no campo da justiça social e oferta dos cuidados em saúde mental”, afirma Karen.

Demanda crescente, retorno exponencial

A emergência sanitária gerada pela pandemia do novo coronavírus exerceu e continua a representar um impacto notável sobre a saúde mental de toda a população, multiplicando casos de depressão, ansiedade, crise de pânico, abuso de álcool e outras drogas e diversas formas de violência. A expectativa é que a demanda por cuidados e apoio psicossocial continue a crescer nos próximos meses e anos.

Nós temos uma luta importante pela frente, que se divide em várias áreas, tanto no que se refere ao estigma e preconceito que ainda existem em relação ao adoecimento mental, quanto em questões como o sofrimento emocional gerado pelo trabalho, cada vez mais prevalente nos dias de hoje, o alcoolismo, a dependência química e as situações de vulnerabilidade relacionadas à pobreza, falta de estrutura e oferta de cuidados que são básicos à vida das pessoas”, ressalta a superintendente da SAPV.

Segundo a OMS, a economia global perde mais de US$ 1 trilhão ao ano devido à depressão e à ansiedade, e o investimento em larga escala no tratamento desses transtornos é traduzido em um retorno cinco vezes maior em termos econômicos. Apesar disso, de acordo com a consultora em saúde mental da OPAS/OMS no Brasil, Catarina Dahl, ainda existe um descompasso entre a carga global de doenças atribuídas às condições mentais e a disponibilidade dos serviços de saúde mental.

Com a pandemia, essa situação se agravou ainda mais. Estamos sentindo os impactos em nossa saúde mental e também na oferta e no funcionamento dos serviços. Mais do que nunca, é necessário investir”, conclui a especialista.

Cristo Redentor e Maracanã são iluminados de verde

Para trazer ainda mais destaque e ampliar a conscientização sobre o tema que o Cristo Redentor e o Maracanã – lugares símbolos do Estado do Rio de Janeiro – serão iluminados em verde neste sábado, como parte das ações da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) para marcar a data.

“A promoção e a valorização da Saúde Mental, especialmente dentro de um mundo tão tenso e conflitante, exigem das autoridades governamentais e das famílias e instituições de várias expressões humanas, atitudes que darão esperanças às pessoas que sofrem psiquicamente e querem ser cuidadas com competência e amor”, destaca o bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antonio Augusto Dias Duarte.

Segundo ele, o Dia Mundial da Saúde Mental representa um sinal verde da esperança para tantos que sofrem interiormente e desejam ser reconhecidos na sua dignidade e potencialidade familiar e social. “Cuidar de quem cuida e deixar-se cuidar são sinais dessa esperança destacada pela cor verde que iluminará o Cristo Redentor na noite do 10 de outubro”, afirma.

Com Assessorias