Como despistar a morte? Só vivendo plenamente!

A lição que mortes súbitas e chocantes como a do jornalista Ricardo Boechat traz para todos. Veja outras reflexões que se multiplicaram pelas redes sociais

Ricardo Boechat era um dos mais respeitados e controversos jornalistas brasileiros (Fotomontagem Portal Comunique-se)

A queda do helicóptero que matou o jornalista Ricardo Boechat, aos 66 anos, no início da tarde desta segunda-feira (11), inundou o Facebook, o Twitter, o Instagram e o Whatsapp – para lembrar as principais redes sociais e aplicativos para interação – de reflexões sobre vida e morte.

Veja abaixo o texto publicado pela jornalista Rosayne Macedo, editora-chefe de ViDA & Ação. Confira também outras mensagens que se multiplicaram pela internet, propondo mudanças no modo como vivemos, diante da incerteza da morte.

A lição que a morte nos traz

“Não existe morte mais fácil, dessas que levam a gente de uma hora pra outra e não nos deixam sofrer. Toda morte, qualquer que seja a vítima, qualquer que seja a idade, qualquer que seja a causa, é mesmo difícil pra quem fica: pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos, amigos, colegas, vizinhos… Até os inimigos sofrem com a perda para sempre.

Mortes abruptas como assassinatos e acidentes são mais chocantes porque provam nossa vulnerabilidade como seres humanos. E quando a vítima é alguém com notoriedade, nos fazem refletir ainda mais sobre a efemeridade da nossa existência. Buscamos em vão explicações pra terminalidade da vida, nossa única certeza.

Já perdi um irmão aos 24 anos, meu pai aos 51 e minha mãe, aos 65, por causas diversas. Nenhuma compreensível ou suportável até hoje. O primeiro foi vítima de um acidente de moto – não teve sequer socorro médico. Morreu instantaneamente numa curva da vida, ao colidir de frente com um ônibus, quando acelerava para chegar mais rápido em casa e festejar os 3 meses do seu primeiro filho. O caixão teve que ser lacrado.

Dois anos e meio depois, partia meu pai, vítima de erro médico ao adquirir uma infecção hospitalar não diagnosticada a tempo, após uma cirurgia para retirar pedra dos rins. Foi tomado por uma septicemia com a qual ainda lutou bravamente por exatos 100 dias. Um sofrimento que acompanhei dia a dia ao abandonar o trabalho na redação de um grande jornal para cuidar dele no hospital, a 360 quilômetros de distância, na vã esperança de vê-lo sair vivo dali.

Minha mãe, já debilitada pela diabetes, coração e pelo transtorno bipolar, viria mais tarde, aos 58 anos, a sofrer um AVC isquêmico que a deixou sem falar e sem andar. Foram sete anos sobre uma cama, dependendo da ajuda de familiares e de cuidadoras. Uma delas a deixou cair da cama e aquela queda foi fatídica. Durou mais alguns meses e se foi, completamente alheia ao que acontecia ao redor. Já morrera em vida. A doença que a maltratou tanto também impôs grande sofrimento a todos que acompanhavam sua luta. Descansou, como dizem.

De fato, não existe mesmo nenhuma explicação plausível para a morte, por mais que nos esforcemos em descobri-la. Há os que acreditam em outra vida. Há os que acreditam em carma. Há os que não acreditam em nada.

O certo é que nunca estamos plenamente prontos pra aceitar ou compreender nossa finitude. Mas cada morte, seja de perto ou de longe, nos deixa uma lição. Não somos perenes. Fluímos pela vida tentando despistar a morte. Uma hora dessas ela nos acerta em cheio e não dá pra fugir. Então, só nos resta viver… E viver em plenitude.

Vai em paz, Ricardo Boechat. Seu legado para o Jornalismo brasileiro fica na História. Nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas jornalistas que com ele conviveram em tantos anos de carreira, por várias redações. 😢 (Rosayne Macedo – 11/02/19)

E toca o barco… (autor desconhecido)

“Ouvi o Boechat hoje de manhã. Agora não mais vive. Um dos meninos do Flamengo só dormiu no CT porque no dia seguinte iria a uma festa. Outro foi enterrado no seu aniversário. Um dos mortos de Brumadinho não estava na escala de trabalho, mas fora chamado no dia anterior. Outro dia choveu no Rio, um fenômeno que acontece com certa frequência, e sete pessoas morreram. A morte tem disso, não liga muito pra nossa agenda.

Em pouco tempo, vimos a morte chegando de formas diferentes mas sempre com a mesma agudez. A morte é a conclusão óbvia da vida. E diante dela não podemos usar como defesa que ninguém nos avisou. Uma cultura que ascendeu o Humanismo como regra finge valorizar a vida, mas a faz de forma tão superficial que deixa de tratar a morte como deveria.

E por não tratar dela, somos pegos de surpresa a cada dia. Não quero parecer mórbido, mas no dia que eu entendi que em breve período de tempo não estaremos mais aqui minha vida foi mais feliz. Vi que sou um em 7 bilhões. Portanto, faço aqui um apelo à reflexão. Tão urgente que vim aqui escrever.

Valorize as coisas boas. Viva bem. Não se mate de trabalhar. Tenha pessoas queridas por perto e, principalmente, tenha seus períodos de solidão. Seja produtivo mas tenha dias de uma notável e gloriosa ociosidade. E como diria o próprio Boechat, toca o barco! Afinal, o rio corre e um dia a gente chega ao mar…” (Autor desconhecido – 11/02/19)

Toque a campainha e saia correndo (por Cássia Lacerda)

“Que 2019 está me ensinando “a duras penas” o quanto nossa existência é efêmera.
Cada dia, cada notícia, cada acontecimento; ratifica que preciso (precisamos) viver mais; com mais intensidade, mais verdade, mais doação, mais loucuras, mais realizações..
É como muitos já cantaram, e em prosas e versos declamaram: Não guarde a roupa nova, não deixe de dizer que ama; se doe; perdoe!
Faça a viagem dos sonhos, torne real o amor proibido, tome um vinho, faça as pazes com o vizinho…
Compre seu carro, complete sua coleção, seja criança, reveja os amigos, visite os parentes. ..
Tome banho de chuva!
Cante pelas ruas!
Toque uma campanhia e saia correndo!
Ria de você; ria dos outros – Respeite; respeite-se!
Tome um porre de você, do que te faz bem, do que te deixa feliz.
Porque de repente um pneu estoura, uma barragem se rompe, um alojamento pega fogo, um ônibus capota; uma chuva torrencial…
Uma bala nos acha, o coração para, um helicóptero cai…
Viva segundo as suas crenças e deixe o outro viver as dele; não julgue, não perca tempo; crie a esperança dos reencontros.
Pai, mãe, irmãos, amigos… Reconheça a importância de todos, e suporte em amor a individualidade de cada um.
Sorria mais!
Conte mais piadas!
Esbraveje se necessário, mas depois lute pela calmaria, pela paz, pela harmonia. ..
Viva! Só estamos em fevereiro, e tantos que amamos já se foram; num sopro, num instante..
Viva hoje; pois não há como prever como “as águas de março” irão “fechar o nosso verão”.

Estamos todos na fila (autor desconhecido)

“Estamos todos na fila…
A cada minuto alguém deixa esse mundo pra trás. Não sabemos quantas pessoas estão na nossa frente.
Não dá pra voltar pro “fim da fila”.
Não dá pra sair da fila.
Nem evitar essa fila.
Então, enquanto esperamos a nossa vez:
Faça valer a pena cada momento vivido aqui na Terra.
Tenha um propósito.
Motive pessoas!
Elogie mais, critique menos.
Faça um “ninguém” se sentir um alguém do seu lado.
Faça alguém sorrir.
Faça a diferença.
Faça amor.
Faça as pazes.
Faça com que as pessoas se sintam amadas.
Tenha tempo pra você.
Faça pequenos momentos serem grandes.
Faça tudo que tiver que fazer e vá além.
Viva novas experiências.
Prove novos sabores.
Não tenha arrependimentos por ter tentado além do que devia, por ter valorizado alguém mais do que deveria, por ter feito mais ou menos do que podia.
Tudo está no lugar certo.
As coisas só acontecem quando têm que acontecer.
Releve.
Não guarde mágoas.
Guarde apenas os aprendizados.
Liberte o rancor.
Transborde o amor.
Doe amor.
Ame, mesmo quem não merece.
Ame, sem querer receber nada em troca.
Ame, pelo simples fato de vc vibrar amor e ser amor.
Mas sempre, ame a si mesmo antes de qualquer coisa.

Esteja preparado para partir a qualquer momento.

Vc não sabe seu lugar na fila, então se prepare pra deixar aqui apenas boas lembranças. Suas mãos vão embora vazias.
Não dá pra levar malas, nem bens…
Se prepare DIARIAMENTE pra levar consigo, somente aquilo que tens guardado no coração.”

 

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