Como dentistas e pacientes podem se proteger do novo coronavírus

Priorização de casos de urgência e emergência e apoio de teleconsultas para situações mais simples aumentam a segurança desses profissionais

Redação
O novo coronavirus se tornou uma pandemia que está causando sérios impactos em toda a população mundial. Os seus principais sintomas são febre, tosse, dor muscular e dificuldade respiratória. Algumas medidas preventivas podem ser tomadas para evitar a contaminação, como higienização das mãos, manter-se em casa e evitar aglomerações.
Todos os profissionais de saúde, independentemente da área, estão hoje na linha de frente da exposição ao coronavírus. O contato próximo com pacientes, em consultas que não podem ser adiadas, pode expor as categorias a riscos, caso não sejam tomadas as medidas de prevenção necessárias. Mas e quem trabalha com a área odontológica e está exposto diretamente com os pacientes?
Dentistas estão entre os profissionais mais especializados em proteção biológica na área de saúde para evitar contágios de origem viral e microbiológica. Para reforçar o combate à transmissão do coronavírus, atividades rotineiras, como as consultas ao dentista, foram suspensas. Logo na chegada da pandemia ao Brasil, Algumas entidades como o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomendaram que não sejam realizados alguns procedimentos, com exceção dos casos de urgência.
O CFO apresentou diversas orientações em casos de urgência e emergência odontológica frente ao coronavírus. A orientação também foi reforçada pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), que pediu aos dentistas para seguirem os protocolos divulgados pelo Ministério da Saúde.

É altamente recomendado a profissionais de saúde, entre eles cirurgiãs(ões)-dentistas, não negligenciar medidas de precaução padrão durante os procedimentos, como o uso de máscaras cirúrgicas, luvas, avental não estéril e óculos de proteção. Para procedimentos como entubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, o indicado é a precaução por aerossóis, com uso de máscara N95″, informou o Crosp, em nota.

Também são medidas consideradas importante para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus, lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.

Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool 70%.

Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Evitar contato próximo com pessoas doentes.

Ficar em casa quando estiver doente.

Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.

Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Ir ao dentista em época de coronavírus também pede atenção e cuidados. O cirurgião dentista, por exemplo, precisa fazer uma anamnese com o paciente para saber se há algum risco eminente de esse estar contaminado. Perguntas como: se o paciente teve febre, se apresentou problemas respiratórios, tais como tosse ou dificuldade respiratória nos últimos 14 dias e se participou recentemente de algum encontro, reuniões ou teve contato próximo com muitas pessoas desconhecidas são alguns dos questionamentos que devem ser feitos ao paciente.

Caso o paciente tenha respondido sim para a maioria das perguntas, a recomendação é adiar a consulta e remarcar após o prazo de 14 dias, conforme orientação do CFO – Conselho Federal de Odontologia. “Paciente que informa ter apresentado alguma infecção respiratória deve ser atendido pelo dentista somente em caso de emergência odontológica. Precisamos estar atentos para minimizar os impactos dessa pandemia”, explica José Henrique de Oliveira, cirurgião dentista e diretor do Instituto de Previdência e Assistência Odontológica INPAO Dental.

Seguindo as recomendações do CFO, o INPAO Dental reforça os principais cuidados no momento da consulta odontológica entre o cirurgião dentista e o paciente:

*Não permita que a sala de espera do consultório fique cheia. É imprescindível manter a distância entre as pessoas de – no mínimo – dois metros.

* Paciente ou acompanhante com tosse deve fazer uso da máscara cirúrgica, obrigatoriamente.

* Também é obrigatório o uso dos demais acessórios como equipamentos de proteção individual, luvas, óculos e proteção facial com máscaras e viseiras.

* Anéis, pulseiras, cordões, brincos e relógios devem ser retirados para atender pacientes.

  • * A higiene ambiental, limpando pelo menos duas vezes por dia maçanetas, banheiros e pisos do consultório, também é importante.
  • * A higienização das mãos, com água e sabonete, lavando durante 20 segundos, é outra medida fundamental.

Orientações para antes, durante e depois da consulta

 Fábio Ricardo Loureiro Sato, especialista em cirurgia bucomaxilofacial, passa algumas orientações para atendimento em tempos de Covid-19.

Antes da Consulta

Verificar até mesmo por telefone, se o paciente apresentou febre ou dificuldade respiratória nos últimos 14 dias, se esteve em contato direto com pessoas de alguma região com casos notificados ou com problemas respiratórios. Em caso positivo procurar por um atendimento médico para avaliar a possibilidade de contaminação por Covid-19 e falar para não comparecer à consulta com o dentista.

“É importante salientar que se o paciente não apresentar febre, o atendimento pode ocorrer, sempre mantendo a boa higienização tanto em quem vai ser atendido, como no profissional. A sala sempre esterilizada antes de qualquer procedimento e com álcool em gel disponível”, recomendou Fábio Sato.

Durante a Consulta

No atendimento, o profissional deve proteger as mucosas dos olhos, nariz e boca com uso de luvas, óculos de proteção e viseira, além de jalecos que devem ser preferencialmente descartáveis. Em caso de procedimentos onde serão gerados aerossóis, o ideal é o uso de máscaras de maior proteção, como as N95.

Procurar também usar o máximo possível de isolamento absoluto com diques de borracha, uso de bomba a vácuo potente e evitar uso de ultrassom de alta rotação para não minimizar a produção de aerossóis. O dentista dá outra dica importante. “Fazer bochechos iniciais com Peróxido de Hidrogênio 1% ao invés da clorexidina, que não é tão eficaz contra o vírus, é uma ótima maneira de se manter protegido.”

Após o Atendimento

Após o término do atendimento, todo resíduo gerado durante a consulta deve ser descartado em lixo para material infeccioso. As superfícies devem ser limpas com produtos desinfetantes, lembrando que a Covid-19 podem permanecer ativo nas superfícies por mais de sete dias.

“Além disso, nesse momento de pandemia, é importante a colaboração de todos os pacientes e profissionais para tentar minimizar o máximo possível o risco de contaminação e consequente propagação da Covid-19”, finalizou o Dr. Fábio Sato.

Uso de EPIS é fundamental

Para o presidente científico da Neodent, Geninho Thomé, além dos equipamentos de proteção individual (EPIs), cruciais para o controle de infecções durante atendimento emergencial, orienta-se também evitar misturar pacientes com os funcionários da clínica em salas de espera, em períodos de isolamento. “Os auxiliares indiretos devem manter um distanciamento (1,5 a 2 metros), e auxiliares diretos devem se paramentar como os dentistas e entrar no campo de atuação somente quando necessário. O atendimento deve ser eficaz e preciso para se investir em um menor tempo de exposição possível”, orienta o profissional. 

Comunicação clara entre paciente e dentista é essencial

Para facilitar o fluxo de atendimento, os pacientes podem informar claramente qual a queixa principal antes da consulta e, preferencialmente, descrever sua situação de saúde geral atual para o dentista. Em casos de dúvidas ou sinais de infecções, o momento mais oportuno para a intervenção odontológica deve ser discutida e acordada entre as partes.

“Exames preparatórios podem ser necessários, tais como radiografias e análises clínicas. Há a possibilidade de teleconsulta em alguns casos, em especial no que diz respeito a triagem, preparação do caso e diagnóstico inicial. A conversa telefônica com a descrição do que está acontecendo é importante para preparo, seleção e indicação da intervenção. Nos dias de hoje ainda são possíveis conversas por videoconferências ou envio de fotos que podem facilitar um pouco no diagnóstico inicial da afecção dos pacientes”, afirma.

Orientações sobre usos de máscaras

Geninho Thomé reforça que pessoas não diagnosticadas com a Covid-19 tem real proteção contra o risco biológico ao higienizar as mãos corretamente e ao promover o distanciamento social, que podem ser muito mais eficientes do que o uso de máscaras. O foco no uso desses equipamentos deve ser em profissionais de saúde. “O uso de máscaras exige um pequeno treinamento, que quando não respeitado resulta em aumento na frequência do perigoso hábito de levar a mão no rosto e consequente aumento das chances de infecção. Por essas razões apenas recomenda-se o uso de máscaras por pessoas que estão acometidas por algum tipo de virose e estão evitando transmitir para a população sã, nunca como prevenção à infecção”, enfatiza.

Medidas para aumentar a biossegurança

A biossegurança engloba procedimentos adaptados ao consultório para oferecer proteção e segurança ao paciente, ao médico e sua equipe. São regras e normas pré-estabelecidas que reduzem os riscos à exposição de material orgânico, como sangue, saliva e dejetos, especialmente agora, em meio a essa nova situação de crise global.

A necessidade do isolamento social é verídica e quanto mais ficarmos em casa, mais rápido venceremos esta batalha contra o Covid-19. Já sabemos que este distanciamento entre as pessoas, ter a saúde em dia e fazer a higienização das mãos são ótimas armas para mantermos nossa sanidade física e mental. O que poucas pessoas sabem é que cuidar da higiene bucal também pode ajudar a combater o corona-vírus.Pesquisas recentes mostraram que os cuidados orais em pacientes contaminados e internados na UTI, reduziram em 56% as infecções respiratórias dos mesmos.

Será que as doenças pré existentes e os cuidados rotineiros com nossa saúde também devem aguardar a liberação do isolamento social? Teoricamente sim, mas nem sempre isso é possível. Na prática, existem tratamentos que não podem ser deixados de lado, como por exemplo, os cuidados com a saúde bucal. Pensando nisso, Daniela Yano, odontologista da Clínica Sorriso Santana Estúdio Oral, reforçou todos os cuidados para que os atendimentos possam ser realizados com segurança, mesmo em tempos de pandemia.

A triagem já começa no contato telefônico. Ao adentrar na clínica a temperatura do paciente é aferida, ele recebe propés para sua circulação interna e é direcionado para higiene das mãos. Enquanto isso, a equipe técnica se paramenta para dar início ao tratamento. Quando o dentista usa o ” motorzinho”, aerossóis com saliva, bactérias e possíveis patógenos são produzidos e podem permanecer no ar por até 3 horas. Para evitar a contaminação entre profissionais e pacientes, a clínica usa sugador de aerossol e esterilizador de ar ultra-violeta. Esse capta o ar da sala e bombardeia radiação UV-C, deixando o mesmo livre de germes, bactérias, vírus e todos micro-organismos.

Ao término da consulta, um totem de luz Ultra-violeta também é acionado para contribuir na exterminação dos micro-organismos do ar e das superfícies. Assim, a equipe auxiliar pode dar início a limpeza, desinfecção química da sala, sem riscos e a sala fica totalmente estéril para o próximo atendimento. Além de tudo isso, também adquiriram equipamento Ultra -violeta para esterilizar todos os objetos que entram na clínica, desde os trabalhos laboratoriais até os materiais de consumo.

Não poderíamos ficar alheios à esta pandemia, procuramos adquirir toda esta tecnologia, para proteger nossos pacientes e seus familiares do Covid-19, como também os profissionais que trabalham na clínica. Se cada um fizer a sua parte, venceremos esta guerra contra o coronavírus“, conta Dra Daniela Yano.

Com Assessorias