Como ser sustentável (e saudável) em tempos de pandemia?

Live que comemora 4 anos do ViDA & Ação nas redes sociais está entre os 1.850 eventos da agenda da ONU para o Dia Mundial do Meio Ambiente

Redação

Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) simboliza a oportunidade de repensarmos a nossa relação com a natureza. Neste ano, o Programa das Nações Unidos para o Meio Ambiente (PNUMA) nos convida a utilizar esse momento complexo e difícil que a pandemia nos impôs para repensarmos nossas ações em relação ao meio ambiente. Em um contexto de pandemia global, que reafirmou a interdependência entre saúde humana e saúde do planeta, e tendo quase 1 milhão de espécies ameaçadas de extinção, é hora de refletir sobre o que nos trouxe até aqui e de agir pela natureza.

Nem sempre tomamos consciência, mas desde o alimento que consumimos à água que bebemos, o ar que respiramos e, inclusive, muitos medicamentos que salvam vidas, todos são providos pela natureza. Quando perdemos a biodiversidade, perdemos esses serviços dos quais dependemos para existir”, alerta a representante do PNUMA no Brasil, Denise Hamú.

A proposta da ONU é nos unir virtualmente e marcar a semana com uma série de atividades para estimular reflexões sobre o momento atual, destacar a interdependência entre a saúde humana e a saúde do planeta e buscar entendimentos sobre como construir um mundo melhor no pós-pandemia – #PelaNatureza.

Especializado em saúde, bem-estar e atitude sustentável, o ViDA & Ação também se integra a esta iniciativa global. A #live “Como ser sustentável em tempos de pandemia”, promovida pelo portal, foi um das 1.850 atividades registradas no mapa de eventos da ONU em todo o mundo para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A live também marca os 4 anos do portal, criado em 5 de junho de 2016. Para celebrar, a editora Rosayne Macedo convidou as jornalistas Elizabeth Oliveira e Flávia Ribeiro para um bate papo sobre saúde, sustentabilidade e consumo. A transmissão ocorreu no Facebook do Portal ViDA & Ação e está disponível também no canal @vidaeacao no Youtube e no Instagram @vidaeacao.

Elizabeth Oliveira é pesquisadora do Gapis/UFRJ, colaboradora do site O Eco e outras mídias socioambientais, além de integrar a Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA). Flávia Ribeiro é especializada em Marketing (ESPM) e Responsabilidade Social Corporativa e Terceiro Setor (UFRJ) e atua como consultora nas áreas de Comunicação e Sustentabilidade.

PNUMA traz atividades transmitidas pelas redes sociais

Desde o início da semana, o PNUMA traz diversas atividades transmitidas pelas redes sociais para promover encontros virtuais repletos de ideias, trocas e inspirações. Entre os assuntos discutidos estão como ser sustentável na quarentena, efeitos do aquecimento global na biodiversidade e nos recifes de coral, agroecologia e a interdependência na teia da vida e educação para o desenvolvimento sustentável. A programação completa está disponível no site do PNUMA.

Denise Hamú lembrou que estamos vivendo uma crise sem precedentes, em todas as dimensões. “Temos que fazer diferente como indivíduos e realizar muito mais como sociedades. Fenômenos recentes têm nos alertado para a profunda interdependência de todos os seres na teia da vida”, destacou a repEesentante do PNUMA, que participou da mesa “Qual será o mundo pós-Covid-19” nesta sexta, juntamente com Ailton Krenak e Christiane Torloni, sob a moderação de Sergio Besserman.

Nós, humanos, sofremos cada vez mais diretamente as consequências da destruição de habitats, que ultrapassam fronteiras físicas e políticas, por exemplo. A natureza está nos mandando uma mensagem. Por isso, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o PNUMA convida cada pessoa a reiniciar sua relação com a natureza e refletir sobre como podemos, como indivíduos e como sociedade, reconstruir um mundo diferente no pós-pandemia.”

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Biodiversidade é o tema deste ano

O tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2020 é biodiversidade. A campanha #HoraDaNatureza é um apelo à ação global para combater a crescente perda de espécies e a degradação ambiental, além de chamar a atenção para a relação entre a saúde humana e a saúde do planeta.

Com demandas crescentes, os seres humanos estão sobrecarregando a natureza. Nos últimos 50 anos, a população mundial dobrou, a economia global quase quadruplicou e o comércio cresceu quase dez vezes.

A crise da Covid-19 evidenciou que, ao destruir a biodiversidade, se destrói o próprio sistema que sustenta a vida humana. Ao perturbar o delicado equilíbrio da natureza, são criadas as condições ideais para a propagação de patógenos – incluindo os diferentes tipos de coronavírus.

O PNUMA é solidário com as bilhões de pessoas em todo o mundo que estão sofrendo com o impacto da pandemia global da Covid-19. Agora, a prioridade é limitar sua propagação e proteger as pessoas.

À medida que os países reabrirem as fronteiras e os governos aprovarem pacotes de estímulo para a criação de empregos, a redução da pobreza, o desenvolvimento e o crescimento econômico, será necessária uma melhor reconstrução.

Para isso, é preciso aproveitar oportunidades de investimentos sustentáveis, como energia renovável, construções inteligentes, contratos públicos ecológicos e transporte público – guiados pelos princípios e padrões de produção e consumo sustentáveis.

Políticas públicas mal coordenadas podem piorar a situação de desigualdade e insustentabilidade em que vivemos e reverter as conquistas alcançadas no desenvolvimento e na redução da pobreza.

Ao mudar radicalmente o relacionamento com a natureza, é possível evitar futuras pandemias e buscar um planeta mais saudável e sustentável que funcione para todas e todos.

Lenine no Museu do Amanhã

Às 17 horas desta sexta-feira (5), o cantor e ativista ambiental Lenine tocará os clássicos de sua carreira no canal do Youtube do Museu do Amanhã e do PNUMA. Ele irá intercalar músicas e conversas com o curador do Museu, Luiz Alberto Oliveira, abordando questões como a importância da arte e da ciência em tempos de pandemia, e a possível relação, para ele, da criação musical com a criação de orquídeas.

Botânico autodidata, colecionador de orquídeas (ou “orquidoido”, como prefere) e apoiador engajado de grupos socioambientais, Lenine conta que transformou a música em uma ferramenta de conscientização para causas que defende.

O meu fazer música sempre esteve atrelado ao desejo de ser repórter do meu tempo. As questões que me comovem e que me incomodam sempre foram a matéria do que componho e canto. O meio ambiente sempre esteve presente nas minhas atenções.”

Já o Green Nation orquestrou uma Mega Live no dia 5, a partir das 10 horas, marcando o Dia do Meio Ambiente. Durante seis horas seguidas, artistas, filósofos, cientistas, lideranças e educadores compartilharão suas visões sobre temas como os desafios do ensino digital, a situação atual das queimadas e do desmatamento na Amazônia e o futuro pós-pandemia. A transmissão será pelo You Tube e pelo Facebook do Green Nation.

Para reforçar o caráter de cooperação e coletividade do Dia Mundial do Meio Ambiente, o PNUMA articulou uma rede de organizações parceiras em todas as regiões do país. De 1 a 7 de junho, SOS Pantanal, Onçafari, Centro Sabiá, Projeto Coral Vivo, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Saúde e Alegria, Uma Gota no Oceano, Instituto Alana, Instituto Lixo Zero, Route Brasil e Engajamundo promovem diversos diálogos e atividades em suas redes sociais.

Hora da Natureza: Reflexões sobre o Amanhã

Outro evento organizado em parceria com o Museu do Amanhã aconteceu na quinta-feira (4), reunindo Rosiska Darcy, Sebastião Salgado e Fábio Scarano para uma conversa de alto nível sobre meio ambiente, ser humano e os futuros possíveis que desejamos construir. Durante o bate-papo “Hora da Natureza: reflexões sobre o amanhã”, o fotógrafo iniciou com uma fala contundente sobre a relação da humanidade com a natureza e pediu um “retorno espiritual ao planeta”.

A história da humanidade é uma história de predação. Urbanizamos quase todas as cidades, mas chegamos no ponto máximo, um ponto de quase não retorno. Nos transformamos em ‘aliens’ em nosso planeta, e hoje um vírus, um micro-organismo, se transformou numa potência colossal. Precisamos agora fazer um esforço muito grande para retornar ao planeta, porque ele não é mais capaz de aguentar nosso alto nível de consumo”, conclamou Salgado.

Rosiska Darcy lembrou que a noção de sustentabilidade e de que os recursos da natureza não são renováveis “jamais entraram no espírito das pessoas” e no nosso estilo de vida. Ela apontou como um dos sintomas dessa afirmação a relação que criamos com o nosso tempo.

O tempo é recurso não renovável e que nem homem mais rico do mundo não compra, porque a morte não vende. Tratamos o tempo como se fosse possível viver em múltiplas vidas, que não cabem nas 24 horas do dia, que extrapolam o amanhã e que são, por essa impossibilidade, fonte terrível de estresse e depressão. Ora, insistimos em viver vidas insustentáveis. Com a pandemia, a máquina do mundo parou, o vírus pôs a humanidade em carne viva e a flecha do tempo se inverteu.”

Os dois apontaram que a alternativa para a humanidade é agir para preservar a natureza, restabelecendo o diálogo entre as pessoas, o cuidado com as espécies e com as comunidades. Professor de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fábio Scarano ressaltou a importância da combinação entre a regeneração da natureza com a própria regeneração da humanidade, o que a crise do coronavírus vem para corroborar.

A crise da biodiversidade provocada pelas mudanças climáticas veio ao encontro de uma crise humanitária e sanitária que impõe para todos o surgimento de um novo normal, no qual precisamos nos reconectar com a natureza.”

Para Ricardo Piquet, diretor-presidente do IDG, instituto que faz a gestão do Museu do Amanhã, a maneira como a humanidade tem avançado sobre os recursos naturais é uma das causas para a emergência dessa nova pandemia.

Essa crise nos trouxe muitos desafios e um deles é reforçar a importância de agirmos para evitar as consequências das mudanças climáticas no planeta. Portanto, devemos refletir sobre como estamos lidamos com o meio ambiente e aproveitar a oportunidade para transformarmos a nossa forma de viver, de consumir e passar a respeitar os limites da natureza”, defende Piquet.

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Um milhão de espécies podem desaparecer por ação do homem

Em meados do ano passado, a comunidade científica internacional alertou para a crise da biodiversidade no planeta. Liderado pela ONU, o estudo apontou o risco do desaparecimento de um milhão de espécies de animais e vegetais da Natureza, ameaçadas pela atuação do homem. Poucos meses antes, a ONU Meio Ambiente havia declarado a Década da Restauração, período entre 2021 a 2030, que congrega diversas frentes de trabalho e iniciativas para a restauração dos ecossistemas globais.   

É nesse contexto e já vislumbrando ações nos parques e atrativos turísticos que administra, que o Grupo Cataratas anuncia a renovação do Memorando de Entendimentos (MoU) com o PNUMA. O grupo faz a gestão de seis parques e atrativos no Brasil, utilizando o turismo como ferramenta de educação ambiental e de inspiração para a conservação do meio ambiente.

A iniciativa coincide com as ações da Semana Mundial do Meio Ambiente, que acontece em parceria com a organização, como forma de propor que as pessoas repensem sua relação com a natureza, colocando o Meio Ambiente no centro das decisões.   

Intitulada “Hora do Natureza” a campanha mundial do PNUMA para 2020 traz discussões importantes sobre o colapso do meio ambiente e o chamamento para que todos possamos trabalhar para reverter essa situação.  

Por ano, recebemos mais de 5 milhões de visitantes em nossos parques e não mediremos esforços para impactar o máximo de pessoas com a mensagem da conservação. Algumas ações já vêm apresentando resultados expressivos, como a redução de consumo de plástico em nossas operações, boas práticas na cadeia produtiva de fornecedores e parceiros. São essas boas ideias que precisamos levar a mais e mais pessoas, fazendo com que elas se sintam parte da mudança que o planeta precisa”, explica Pablo Morbis, presidente do Grupo Cataratas.  

Noronha ganha ações de preservação

Memorando de Entendimentos prevê, ainda, um estudo que irá levantar alternativas inovadoras para os desafios estruturais que impactam ambientalmente o arquipélago de Noronha e colocam em risco um dos ecossistemas mais ricos do planeta.    

Atualmente, cerca de 90% da energia da ilha provêm da combustão de óleo diesel, gerando um consumo de 15 mil litros por dia. O abastecimento de água, que se dá por meio do processo de dessalinização, é caro e pouco efetivo, e a falta do saneamento básico afeta cerca de 40% da ilha. A gestão de resíduos sólidos também será um tema abordado nesse estudo.  

O Grupo Cataratas  Parceiro do PNUMA desde 2017, neste ano preparou uma semana intensa de atividades em seus canais digitais. Até segunda-feira (8), fará lives no youtube.com/grupocataratas para levar ao público um conteúdo educativo e interessante sobre diversos assuntos relacionados à conservação da natureza, além de mostrar o trabalho de bastidores das equipes nos parques.  

O Centro de Visitantes Paineiras também trará uma novidade: será o lançamento de duas câmeras que ficarão ao vivo, 24 horas por dia, com as vistas do Cristo Redentor e do Morro Dois Irmãos. A primeira será inaugurada no dia 1º e a segunda no dia 4, ambas às 10h.  Outro destaque é o painel “Agora somos BioParque do Rio: um novo conceito de zoológico!”. Confira a programação completa: https://bit.ly/2zIHSGP 

Sobre a data

Com objetivo de promover ações ambientais e sensibilizar a comunidade global sobre a necessidade de proteger o planeta, o Dia Mundial do Meio Ambiente é a principal data das Nações Unidas para impulsionar a sensibilização e encorajar ações em todo o planeta em prol da proteção ambiental, incentivando governos, empresas, organizações e indivíduos a concentrarem seus esforços em uma questão ambiental premente.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido na Conferência de Estocolmo, na Suécia, pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 1972. Celebrada no dia 5 de junho, a data visa a conscientização da população mundial sobre as questões ambientais, principalmente aquelas que dizem respeito à preservação ambiental. A data cresceu e se tornou uma plataforma global para a divulgação de ações públicas pelo meio ambiente em mais de 100 países.

Neste ano, a Colômbia sedia a data, em parceria com a Alemanha, com eventos online e ao vivo transmitidos de Bogotá. Além do país anfitrião, serão realizados outros eventos e celebrações online pelo mundo. Devido à pandemia de Covid-19, toda a programação é realizada virtualmente. Para saber mais, acesse o site do Dia Mundial do Meio Ambiente 2020 aqui

Explore a natureza sem sair de casa

Embora a população esteja em casa, para combater a pandemia do novo coronavírus, o site do Dia Mundial do Meio Ambiente oferece diversas ferramentas para impulsionar a ação coletiva #Pela Natureza. O Guia Prático do PNUMA sugere atividades para cada setor da sociedade se engajar neste período.

Já o quiz testa os conhecimentos do usuário sobre a biodiversidade. O interativo “Explore a Natureza” leva o usuário a 25 lugares icônicos, como as Cataratas do Iguaçú e a Capadócia, explica sobre espécies locais ameaçadas e testa o conhecimento sobre o assunto.

Programação

10h: Mega Live Green Nation – facebook.com/greennationbrasil ; youtube.com/GreenNationFest

17h: Papo Musical com Lenine – youtube.com/PNUMABrasil e youtube.com/museudoamanha

17h*: Diálogos sobre Educação para Desenvolvimento Sustentável, com Fundação Amazonas Sustentável (Google meet)

17h: Biodiversidade marinha e os lixos nos mares – Zoom e YouTube do Instituto Lixo Zero

17:30h Reflexões sobre consumo e natureza – Instagram do Instituto Alana @institutoalana

18h: Troca de ideias com jovens do Engajamundo – No zoom

19h: Compostagem com libras – Nas plataformas zoom e YouTube do Instituto Lixo Zero

20h: Webinar sobre Conservação e Biodiversidade – No Youtube e Facebook da SOS Pantanal.

Com Assessoria ONU Brasil