Como trabalhar a emoção da derrota no pequeno atleta

A natação é considerada um dos esportes mais completos: a idade ideal é a partir dos 4 anos
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Se perder é difícil para os adultos, imagina para as crianças? Aos pais e responsáveis que querem incentivar a prática competitiva do esporte nas crianças desde cedo, como mostramos ontem aqui no blog, é importante alertar para a importância de saber lidar com o sentimento da derrota numa competição. Enfrentar as cobranças dos próprios pais e as emoções provocadas pelos resultados das disputas é um enorme desafio para os pequenos atletas que têm que derrotar os adversários e  ainda correr contra o relógio para alcançar os melhores índices.

Marcela Lisbôa Leal, psicóloga do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, lembra que todos nós nos deparamos com frustrações desde o nascimento. “Quantas vezes caímos até dominar nossos próprios passos? O grande problema está no fato de a criança ser exposta a uma situação que demanda uma maturidade maior do que aquela que possui para enfrentá-la. Quando a criança se depara com situações-problema comuns da vida adulta, pode desenvolver um trauma por não ter maturidade e recursos psicoafetivos suficientes para lidar com aquela demanda”.

Para o cardiologista David Esteves, do Hospital Federal dos Servidores do Estado, o mais importante é que a atividade física tenha um caráter lúdico, associado ao desenvolvimento psicomotor da criança e o preparo para a vida adulta. “Sob o viés competitivo da atividade física, a criança busca extrapolar seus próprios limites, e acaba correndo o risco de perder o parâmetro do bem-estar”, alerta o médico.

Segundo especialistas, os pais devem observar com cuidado a alimentação, a saúde mental e os sinais de um possível esgotamento da criança. E o mais importante:  não esquecer que o espírito olímpico adverte: na infância, brincar e se divertir é mais importante que vencer uma disputa.

É preciso avaliar os limites das crianças

Antes de a criança ser introduzida ao seleto grupo de atletas das equipes esportivas, é necessário avaliar os seus próprios limites. “A avaliação clínica deve ser feita assim que se iniciar uma atividade competitiva, se a criança for brigar por uma equipe ou lutar contra o relógio, enfim, se houver cobrança por parte do treinador para que avance seus limites”, explica o cardiologista David.

Segundo ele, inicialmente, a avaliação inclui exame clínico e eletrocardiograma. Os resultados do exame médico é que indicam a necessidade de exames mais específicos, como o teste ergométrico e o exame da capacidade aeróbica. Quando se opta pelo esporte como forma de competição, é preciso analisar três aspectos dos esforços físicos: o cardiocirculatório, o psíquico e o osteomioarticular.

Já a ortopedista Lilian Helena comenta que nos esforços osteomioarticulares é que encontramos os maiores prejuízos à prática competitiva em idade precoce indevida. “Os músculos submetidos precocemente a trabalhos intensos podem se hipertrofiar ou mesmo se retrair, levando a compressões no nível dos ossos e a desequilíbrios articulares.  Portanto, é fundamental o equilíbrio do desenvolvimento da força e da elasticidade sem distúrbio da flexibilidade”, explica.

Como consequência da avaliação clínica tardia, patologias como as más-formações congênitas e cardiopatias hipertróficas são diagnosticadas apenas quando o atleta já ingressou na fase profissional.

Alimentação também é fundamental

Além dos cuidados com o bem-estar e com a saúde mental, é preciso dedicar atenção especial à alimentação das crianças praticantes de esportes, como alerta a nutricionista Maria Valéria Fontoura, do Hospital Federal Cardoso Fontes. “Além de permanecerem em constante desenvolvimento de massa óssea, dos dentes, músculos e sangue, as crianças que praticam atividades físicas necessitam de alimentação rica em todos os nutrientes, proporcional ao peso e adequada ao gasto energético da atividade desempenhada”, explica.

O nutricionista é o profissional que poderá analisar a dieta na infância, indicando nutrientes como vitaminas, minerais, proteínas, gorduras saudáveis e carboidratos que contribuam para o crescimento e o desenvolvimento saudável. É importante lembrar ainda o papel essencial da hidratação na manutenção da saúde e do desempenho físico.

Colaboração de Gustavo Maia (Ministério da Saúde)

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