Como vovós, filhos e netos podem conviver melhor na velhice

Guia de utilidade pública, escrito por Ulisses Tavares, é permeado de bom humor. Um livro instigante para velhinhxs e seus netinhxs

Redação
longevidade

Artista multiplataforma muito antes da invenção da internet, Ulisses Tavares, de 67 anos, descreve-se hoje como operário da palavra. Mas, a verdade é que sua longa trajetória como escritor, poeta, terapeuta, jornalista, dramaturgo, roteirista, professor e ator, dentre tantas outras definições possíveis, torna praticamente impossível resumir em poucas palavras sua atuação.

Talvez, a melhor forma de o descrever, a que mais lhe agradaria, seria ancorada em seu projeto atual: um livro de e para idosos. Afinal, dois aprendizados que toda essa experiência lhe permite transmitir são o de que “o passado já passou” e o de que “aceitar o presente, mesmo não desejado ou previsto, faz parte do pacote do envelhecimento”.

Com ilustrações de Paulo Caruso, Engate uma 3ª e  em frentelançado no final do ano passado e já na 3ª edição, surgiu da constatação de que, no Século 21, as vidas de jovens e velhos podem ser muito parecidas. Não por acaso, Tavares descreve seu livro como um Guia para velhinxs que netinhxs também devem ler, como diz o subtítulo da capa. Ou seja, trata-se de uma obra para ser apreciada em família, com dicas e tiradas para uma vida mais feliz – e leve – em qualquer idade.

“Jovens não usam camisinha porque nasceram pós-aids. Velhos não usam porque viveram pré-aids. Jovens se atiram em busca do prazer a qualquer custo. Velhos também, para tirar o atraso. Jovens são vítimas do mundo virtual porque acham que sabem tudo. Velhos, porque não sabem nada. E por aí vai. Ambos, jovens e velhos, se ferram igualmente no século 21″, resume Tavares, do auge de seus 67 anos, muito bem-vividos.

Apesar de tantas semelhanças, a dificuldade de integração de um contingente cada vez mais significativo de idosos chamou a atenção do autor, que alerta para a falta de protagonismo dessa população, apesar do alargamento da expectativa da vida. “Os idosos, em sua maioria, não percebem sua força, mesmo que numérica, e se conformam em ser invisíveis, coitadinhos, fim de feira. Se esquecem que a xepa da feira pode render uma sopa bem saborosa e criativa”, afirma.

O livro mostra, justamente, que a vida pode ser boa em qualquer estágio, seja na juventude ou na velhice, desde que o indivíduo aprenda a aceitar suas limitações e se concentre no presente. “É preciso viver o hoje, o agora, e abdicar das velhas ideias e ideais”, pondera Tavares.

É por isso que Engate uma 3ª e  em frente pode ser entendido como um livro de utilidade pública. Afinal, além de dar dicas úteis e estimular a busca de qualidade da vida na terceira idade, a obra, se lida por netinhos e netinhas, não deixa de funcionar como um choque de realidade, chamando a atenção tanto para situações inusitadas, como o sexo na velhice, quanto para puxões de orelha necessários em jovens, por assim dizer, “folgados”.

“Não transforme o lar de seus avós em depósito do que não cabe em sua casa. E, principalmente, a mensagem sobre um flagelo da sociedade brasileira: não faça filhos para seus avós criarem. Eles já pagaram os pecados criando a tranqueira de seus pais, que originaram a tranqueira que é você, jovenzinho ou jovencita sem noção”, reflete Tavares.

Porém, talvez a dica mais preciosa para quem já entrou na 3ª idade, seja com relação à finitude de nossa condição, que não deve ser, de maneira alguma, antecipada.”Não me preocupo muito com a vida após a morte, mas com a morte em vida”, diz. “De repente, você acorda velho e pronto. A alma é a mesma, mas o corpo e tudo que o cerca é outro. O tesão, a dúvida, a dívida, está tudo igual. Só que tudo mudou”.

E como superar esse desafio? “Pensar na morte. Isso ajuda muito a acalmar a mente, primeiro, e em seguida, realisticamente, tomar decisões de mudanças”, ensina Tavares. “Jovens não pensam na morte porque se acham imortais e por isso morrem bem antes do tempo biológico, por susto, bala ou vício. Mas, tem muito velho que desperdiça seu dia por absoluta falta de coragem e alienação. Ou, mais frequente, vive em um passado que não volta mais. E fica rabugento e solitário. O jovem foge para dentro do celular. O velho para dentro de sua cachola parada no tempo. Burrice pouca é bobagem”.

Lições preciosas como essa essas, em textos curtos, cheios de bom humor e complementados pelo traço perspicaz de Caruso, dão o tom da deliciosa obra, à venda no site www.poetaulissestavares.com.br ou por telefone (11) 3865-3936, por apenas R$ 20,00 e entrega gratuita em domicílio.

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