Confirmado segundo caso de coronavírus importado no Brasil

Homem de 32 anos também veio da Itália, onde o outro paciente foi infectado. Ambos residem em São Paulo. Até sexta-feira (28) país tinha 182 casos suspeitos

Redação
Ambos os casos foram diagnosticados em hospital de São Paulo (Foto: Fiesp)

Passou para dois o número de casos confirmados de coronavírus (COVID-19), ambos importados de outro país. O segundo paciente, um homem de 32 anos, também mora em São Paulo e foi infectado na Itália, na região da Lombardia, onde o primeiro paciente – um homem de 61 anos – também foi infectado.

Os casos foram identificados na mesma unidade de saúde privada – o Hospital Israelita Albert Einstein -, mas não possuem vínculo entre si, segundo informou o Ministério da Saúde na noite deste sábado (29). De acordo com o Ministério, apesar da nova confirmação, não há mudança da situação nacional, pois não existem evidências de circulação sustentada do vírus em território brasileiro. 

Até sexta-feira (28), o país já tinha 182 casos suspeitos e 71 casos descartados. No Estado do Rio de Janeiro, o número de casos suspeitos chega a 17.  Neste domingo (1º/3) será atualizada a base de dados com informações repassadas pelo Estado de São Paulo e, na segunda-feira (2/3) serão atualizados os dados de todo o Brasil às 16 horas, informou o Ministério da Saúde.

A pasta foi informada sobre o novo caso confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. O ministério considerou como final o teste realizado pelo hospital, o exame específico para SARS-CoV2 (RT-PCR, pelo protocolo Charité), conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi orientado ao HIAE que encaminhe uma alíquota da amostra ao Instituto Adolfo Lutz para monitoramento genético do vírus.

O segundo paciente foi atendido no dia 28 de fevereiro, sexta-feira. Ele chegou em São Paulo dia 27, de voo procedente de Milão (Itália), na região da Lombardia (norte do país), quando também iniciou os sintomas. Durante o voo, usou máscara. No atendimento, foram relatados febre, tosse, dor de garganta, mialgia (dor muscular) e cefaleia (dor de cabeça). Ele recebeu a orientação de isolamento domiciliar, uma vez que o quadro clínico é leve e estável. O hospital adotou todas as medidas preventivas para transmissão por gotículas.

Segundo relato, o paciente utilizou máscara durante toda a viagem de retorno ao Brasil, acompanhado da esposa, seu único contato domiciliar, que está assintomática. Ambos estão em isolamento domiciliar e monitoramento diário pela Secretaria Municipal de Saúde São Paulo. A investigação de contatos próximos durante o voo e outros locais está em curso por meio das secretarias estadual e municipal, em conjunto com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

CORONAVÍRUS NO MUNDO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados 85.403 casos em todo o mundo. Destes, 2% (1.753) são casos novos. Atualmente, o coronavírus está confirmado em 54 países. Foram registrados 2.924 óbitos, representando uma letalidade global de 3,4%.

A China representa 93% (75.394) dos casos confirmados e 97% (2.838) do total de óbitos no mundo, representando uma letalidade de 3,6%.  Os outros 7% (6.009) ficam em outros países. Nas últimas 24 horas, foram mais 22% (1.318) de casos novos em 53 países, com 86 óbitos, representando uma letalidade de 1,4%.

No continente americano, são quatro países com casos confirmados, sendo eles: Estados Unidos da América: 62 casos, sendo 3 novos; Canadá: 14, sendo 3 novos; México: 2 casos e Brasil: 2 casos, sendo 1 novo.

Atualmente, os países com transmissão local do coronavírus são: Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja, além da China. As pessoas que passaram por esses 16 países e apresentarem febre e mais um sintoma de gripe passam a se enquadrar na definição de caso suspeito da doença pelo monitoramento brasileiro.

Mudanças nas notificações de casos suspeitos

Todas ações e medidas seguidas estão de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde e da OMS. Informações são divulgadas em coletivas e boletins epidemiológicos.  Ao longo das últimas semanas, o Ministério da Saúde vem treinando os estados para a consolidação das notificações dos casos suspeitos do coronavírus.

Com a finalização da orientação às secretarias de saúde estaduais, a partir do dia 2 de março, segunda-feira, o Ministério da Saúde inicia um novo fluxo e adotará integralmente os dados repassados pelos gestores locais. Antes, cada notificação era reanalisada pela equipe da pasta.

A ação de descentralização da consolidação dos casos busca dar agilidade de resposta à doença. Os ajustes do novo fluxo estão sendo realizados neste fim de semana.

“Precisamos desse tempo para a adaptabilidade do fluxo”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira. Nesta segunda-feira (2), os dados voltam a ser atualizados diariamente na plataforma do Ministério da Saúde.

“A partir de agora as secretarias estaduais ficarão responsáveis por fazer a análise dos seus casos. Depois enviarão os dados mais refinados para o Ministério da Saúde”, explicou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo.

O novo fluxo foi acordado com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS). Como isso, excepcionalmente neste fim de semana não haverá atualização dos dados pela Plataforma IVIS (plataforma.saude.gov.br/coronavirus).

CAPACITAÇÃO DOS LABORATÓRIOS

Esse mesmo processo de ampliação da capacidade dos estados foi feito em relação aos laboratórios para realizarem os exames para coronavírus. Inicialmente, o diagnóstico era realizado apenas pela Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Atualmente, também são considerados laboratórios de referência nacional: Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará e o Lacen Goiás, em Goiânia. Esses laboratórios já capacitados irão ajudar no esforço nacional de ampliação da capacidade laboratorial dos demais Lacens.

“Isso mostra a capacidade do sistema de se organizar e atender mais localmente as necessidades da população”, destacou o secretário Wanderson de Oliveira.

Na próxima quinta-feira (5), o Ministério da Saúde vai reunir um conjunto de especialistas para discutir a situação do coronavírus no Brasil. É mais uma iniciativa da pasta em conjunto com os demais estados da federação em busca das ações necessárias para o enfrentamento ao coronavírus no país.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA LABORATORIAL

Todos os laboratórios públicos ou privados que identificarem casos confirmados pela primeira vez, adotando o exame específico para SARS-CoV2 (RT-PCR, pelo protocolo Charité), devem passar por validação de um dos três laboratórios de referência nacional, são eles: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), Instituto Evandro Chagas da Secretaria de Vigilância em Saúde (IEC/SVS) no Estado do Pará e Instituto Adolfo Lutz da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Após a validação da qualidade, o laboratório passará a ser considerado parte da Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública, para investigação do Coronavírus. Deste modo, o Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein, cumpre as exigências e seus resultados serão considerados finais para encerramento dos casos em investigação. No entanto, deverá encaminhar alíquota da amostra para o biobanco nacional de investigação do coronavírus.

Campanha de prevenção

O Ministério da Saúde lançou na sexta-feira (28) a campanha publicitária de prevenção ao coronavírus que já começou a ser veiculada em TV aberta, rádio e internet. As peças publicitárias orientam a população a prevenir a doença adotando hábitos de higiene, como lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia, fazer uso do álcool em gel a 70% e não compartilhar objetos de uso pessoal.

A campanha publicitária será veiculada durante o mês de março e, além de informações para prevenção da doença, apresenta os principais sintomas do coronavírus, que são febre, tosse e dificuldade para respirar. A ideia é orientar a população sobre os sinais e sintomas da doença e o que deve ser feito nesses casos. Em caso de dúvida, a população pode buscar mais informações pelo ouvidoria do SUS (136) ou pelo site saúde.gov.br/coronavirus.

Leia o conteúdo na íntegra em saude.gov.br

Fonte: Agência Saúde