Conheça boas histórias de voluntariado em tempos de pandemia

No Dia Nacional do Voluntariado, conheça histórias de grupos que se reinventaram ou foram criados para atender os mais vulneráveis

Redação
Voluntários da ONG Teto Brasil em ação (Foto: Divulgação)

Nunca antes a força do coletivo se fez tão necessária. A pandemia de Covid-19 trouxe insegurança e medo para todos, nos mais variados lugares e nas diferentes classes sociais, mas nada se compara aos desafios impostos àqueles que sobrevivem à margem das políticas públicas. Para minorar esta situação, muitos voluntários arregaçaram as mangas.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,9 milhões de brasileiros realizaram trabalho voluntário no ano passado. Mas, devido ao isolamento social, as ONGs de todo o país precisaram afastar das atividades essa força de trabalho tão importante para as instituições.

O Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, destaca a importância dessa atividade que como tantas outras foi afetada durante a pandemia. A data, instituída pela Lei 7.352 em 1985, busca reconhecer e destacar o trabalho das pessoas que doam tempo e talento, de maneira voluntária, para causas de interesse social e para o bem da comunidade. 

Em nossa seção Boas Ações de hoje, estacamos trabalhos de alguns grupos de voluntários que se reinventaram ou foram criados para atuar em favor dos mais vulneráveis durante esse período de distanciamento social:

Voluntários da ONG Teto Brasil em ação (Foto: Divulgação)

Teto Brasil lança projeto de horta comunitária

A Teto Brasil, que já atua há 12 anos nas favelas mais precárias e invisíveis do país. Diante do novo desafio, a ong reviu seus projetos e redefiniu novas frentes de trabalho para continuar apoiando as comunidades no que elas mais precisavam no momento.

Inicialmente, lançou a campanha “Por uma quarentena mais justa”, onde foram arrecadados mais de 600 mil reais, que foram revertidos na compra e distribuição de cestas básicas, kits de limpeza e água. Foram mais de 6 mil kits distribuídos em 50 comunidades, atendendo cerca de 19 mil pessoas durante esses meses.

A partir de uma pesquisa com lideranças, moradoras e moradores nas comunidades em que atua, foram criados sete novos projetos que apoiassem na mitigação dos impactos da Covid-19 nas comunidades. Estas iniciativas incluem banheiro modular, captação de água da chuva – casas individuais e sede, lavatórios comunitários, hortas comunitárias, refeitórios comunitários e sedes comunitárias.

Nesta sexta-feira, 28, a equipe de voluntários, juntamente com moradores da comunidade Parque das Missões, em Duque de Caxias, dará início ao plantio de uma horta comunitária, que pretende atender uma grande parcela dos moradores da região.

Dois moradores são os responsáveis pela gestão desta horta e eles definirão, juntamente com os moradores, quais alimentos serão plantados, bem como a melhor maneira de distribuição destes alimentos após a colheita. Este é o projeto piloto e a ideia é replicar este e outros projetos de infraestrutura em outras comunidades do Estado onde a TETO já atua.

Andressa Good, gestora da Teto no Rio de Janeiro, explica que a pesquisa pretendia entender como a pandemia estava impactando os territórios. A partir desse olhar do território, a ong reestruturou seu trabalho, com projetos que pudessem transformar de forma mais objetiva o cenário atual.

Com isso foram desenvolvidos os sete projetos. São soluções que buscam trazer melhorias no acesso à água, saneamento, segurança alimentar e saúde dos moradores, cruciais para a sobrevivência durante a pandemia nas comunidades, mas que são direitos historicamente negligenciados nesses territórios”, explica.

Movimento União Rio atrai estudantes como voluntários

Com objetivo de salvar vidas e combater o coronavírus, surgiu logo no início da pandemia uma iniciativa independente da sociedade civil carioca: o Movimento União Rio, um trabalho voluntário que une pessoas e organizações não governamentais comprometidas com o Estado do Rio de Janeiro. Com o propósito de unir pontas, o movimento conecta cidadãos que querem doar de maneira eficaz e segura àqueles que mais necessitam de apoio. 

A iniciativa presta assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade, nas áreas de comunidades e saúde na Região Metropolitana do Rio. O grupo superou a marca de 3,4 mil toneladas de alimentos, além de mais de 1 milhão de litros de itens de higiene e limpeza distribuídos a mais de 260 mil famílias em comunidades.

No total, mais de 1 milhão de equipamentos de proteção individual (EPI’s) já foram adquiridos e entregues a hospitais da rede pública e forças de segurança. Além disso, o União Rio atuou diretamente na reestruturação de uma área do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), com entrega de 60 leitos de UTI e outros 110 de enfermaria, todos para Covid-19, e no hospital de campanha do Parque dos Atletas.   

Mais recentemente, o Movimento União Rio ganhou a adesão de 70 alunos dos cursos de Cinema, Design Gráfico, Fotografia, Jornalismo, Marketing, Produção de Audiovisual e Publicidade e Propaganda da Universidade Estácio de Sá. Como Ana Carolina Santos, de 28 anos, moradora do bairro Rio Comprido e estudante do curso de Publicidade & Propaganda da Estácio João Uchôa, decidiu ser voluntária para amenizar os danos causados em nossa sociedade pela pandemia da Covid 19.  

Estou gostando bastante de exercitar a minha cidadania. Por meio do Projeto Voluntários do Bem, todos os participantes estão aprendendo na prática e adquirindo várias experiências dentro da área de comunicação. No meu caso, estou gerindo alguns projetos e fazendo a divisão das equipes”, orgulha-se a voluntária.   

Como funciona o projeto Voluntários do Bem – Para esses universitários, o significado da palavra voluntariado é levado a sério. Eles fazem parte do Projeto Voluntários do Bem, criado pelo Movimento União Rio para incentivar estudantes universitários a doarem tempo de dedicação ao próximo em troca aprendizado profissional na prática. 

O projeto está sendo implementado de forma a aproximar os estudantes ao máximo da dinâmica de uma agência de comunicação. A iniciativa é inédita e exclusiva com a Estácio.  Com atuação 100% remota, os alunos estão divididos em cinco grupos e cada um exerce as seguintes funções: gerente de projetos (GP), redator, conteudista, diretor de arte, foto-filmagem/editor e um estudante com atuação híbrida.

Cada equipe faz a simulação de um squad completo apto a entregar campanhas e conteúdos.  Já os voluntários que não fazem parte de nenhum grupo atuam em demandas que não precisam de estrutura completa, como por exemplo, a seleção de tratamento de fotos.   

Os primeiros resultados na prática  – Os alunos da Estácio já estão produzindo conteúdos pontuais para as redes sociais do Movimento União Rio, seja para a grade de always on do Instagram da marca ou para fomento a ações específicas voltadas para as doações. Além disso, estão desenvolvendo uma campanha para social media focada em estimular a doação através do uso de pontos de fidelidade do programa “Pontos pra vida” que ainda será divulgada. 

O projeto Voluntário do Bem é a segunda parceria feita entre a Estácio e União Rio. Em abril, a instituição de ensino e a iniciativa criaram o #FormouEsperança, um movimento de solidariedade e também de apoio de enfrentamento da pandemia da Covid-19 e de reforço da importância do isolamento social. Na ocasião, a Estácio realizou a doação 5 toneladas de alimentos às instituições participantes.   

Médico conta como é atuar há 17 anos como voluntário

Ainda no Rio de Janeiro, Felix Zyngier, especialista em clínica médica, há 17 anos trabalha como médico voluntário, à frente do Instituto de Medicina e Cidadania (IMC). A organização sem fins lucrativos atua nas comunidades do Morro Azul, no Flamengo, Parque da Cidade, na Gávea e Tavares Bastos, no Catete. Em quatro anos de existência, o IMC já realizou mais de dez mil atendimentos voluntários de profissionais de saúde.

Só quem faz o trabalho voluntário, sabe o prazer que dá. É uma sensação muito agradável, pois você se sente melhor como pessoa. É um processo que rejuvenesce. Eu digo isso, sobretudo, aos meus colegas médicos que estão na terceira idade para eles fazerem um trabalho voluntário. Isso não vai tomar muito tempo, não vai ser um dispêndio de energia. E isso dá um dividendo de bem-estar pessoal, uma satisfação íntima muito grande”, disse ele.

Neste Dia Nacional do Voluntariado, o médico Felix Zyngier e a psicóloga Nara Matos contaram como é o trabalho realizado pela equipe de profissionais de saúde do IMC em live no perfil do instituto no Instagram.

Com Assessorias