Consultas virtuais em tempos de pandemia

Com Telemedicina autorizada no país, clínicas e hospitais realizam fisioterapia, faz atendimento crescer em clínicas e hospitais

O economista Roberto Cunha, de 73 anos, de Salvador (BA), faz parte do grupo de risco do coronavírus e só conseguiu retomar o tratamento de fisioterapia graças ao atendimento virtual. “Achei a experiência de fazer telefisioterapia excelente, porque exige um maior comprometimento e participação do paciente. Na verdade, o paciente é chamado a participar por si mesmo, para obter o rendimento esperado. Estou muito satisfeito”, conta.

A experiência online também está sendo muito positiva, e importante, para o bem-estar da advogada Naíla Chaves, 41, de Fortaleza. “Desde que tive que ficar de quarentena, e precisei parar as sessões de fisioterapia, comecei a sentir muitas dores em casa. Dar continuidade ao tratamento, mesmo que pelas videoconferências, foi muito importante para essa melhora na minha saúde. A iniciativa já fez muita diferença no meu bem-estar e já a considero indispensável durante esse período”, explica.

Roberta e Naíla são atendidos pelo Instituto de Tratamento da Coluna Cervical (ITC), que estima assistir mais de 70 mil pessoas com dores musculoesqueléticas por meio da nova plataforma Scal, utilizada também no Instituto Trata (joelho e quadril). A plataforma conta com um algoritmo de Inteligência Artificial (IA) para conectar a agenda dos pacientes com a clínica mais próxima da localização do paciente. O agendamento inteligente da consulta é feito pelo app WhatsApp.

Pela Scal, o usuário é direcionado pela secretária virtual “Mari” para o agendamento da sua consulta. Além da marcação, “Mari” consegue conversar com os usuários sobre os tipos de dor (joelho, quadril ou coluna), remarcar ou cancelar consultar e direcionar o atendimento para uma secretária humana. Também já está sendo desenvolvida uma atualização que permitirá mapear casos de coronavírus pela plataforma de teleconsultas.

Mercado de telemedicina cresce no Brasil

Receber um primeiro atendimento para as doenças e problemas de saúde, com segurança e fácil acesso, era um desafio. Mas agora consultas online ou por videoconferência estão se tornando cada vez mais comuns. A autorização, pelo Ministério da Saúde no dia 23 de março, do exercício da telemedicina em caráter excepcional e temporário provocou grande procura de hospitais e clínicas às empresas de tecnologia.

telemedicina pode operar um fator crucial no impedimento de outra forma bastante frequente de contagio, que é a presença de pessoas em ambientes altamente contaminados, como hospitais e centros de saúde.  A telemedicina já tem sido empregada em diversos países como etapa eficaz de triagem entre quem de fato deve procurar o atendimento médico presencial e quem, apesar de alguns sintomas parecidos, não têm de fato o vírus, evitando assim não só mais propagação como a sobrecarga no sistema de saúde.

O atendimento médico à distância, através de aplicativos dos computadores ou celulares com câmeras tem muito a contribuir para atenuar o atual cenário de pandemia e o mercado imediatamente percebeu isso. Em apenas 10 dias, a Doctoralia, por exemplo, viu a demanda quintuplicar. Do dia 20 – quando o atendimento virtual já estava regulamentado para pré-consulta e a consulta remota já estava validada pelo Conselho Federal de Psicologia – até o dia 29 de março, 5.600 consultas por vídeo foram marcadas, com mais de 1.800 profissionais de saúde.

Em uma semana, a Conexa Saúde viu sua carteira de clientes saltar de 100 mil para 1 milhão de vidas. “Em poucas semanas aumentamos em 25 vezes o número de consultas por telemedicina por dia”, afirma o CEO da Conexa Saúde, Guilherme Weigert. “Com base em pesquisas internas, acreditamos que até 50% dos médicos e clínicas particulares fecharão suas portas e aceitarão pacientes apenas remotamente”, revela Mariusz Gralewski, fundador e CEO do DocPlanner, grupo ao qual a Doctoralia é ligada.

Tivemos aumento nas adesões por profissionais de saúde e na procura de pacientes pelo atendimento por vídeo. As empresas que mais nos acionaram foram de São Paulo e do Rio de Janeiro, provavelmente pelo tamanho do mercado e pelo maior impacto do coronavírus“, conta Cadu Lopes, CEO da Doctoralia.

SOS em Casa faz operação de guerra

A pioneira SOS em Casa montou uma verdadeira operação de guerra e, conseguiu, em tempo recorde, disponibilizar uma plataforma de telemedicina no qual os pacientes têm todas as orientações e são encaminhados para consultas médicas. Com uma equipe formada por médicos experientes, liderada pelo médico Caio Abi-Haila, professor e especialista em Clínica Médica, a SOS em Casa não tem fins lucrativos e atende todos os dias, das 6h à meia-noite.

SOS em casa oferece suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico, prescrição de remédios, solicitações de exames e reavaliações, seguindo todos os protocolos do Ministério da Saúde. Após acessar o site www.sosemcasa.com.br e clicar em “iniciar o atendimento”, o paciente escolhe o horário que deseja fazer a consulta e começa uma troca de mensagens com um atendente. Logo depois de fazer o pagamento, através de cartão de crédito ou boleto, ele responde um questionário detalhado, baseado naqueles utilizados nas emergências dos hospitais, e está pronto para a consulta. O prontuário médico fica guardado na nuvem por 10 anos.

Para o Dr. Caio Abi-Haila levar assistência de qualidade e saúde para toda a população do Rio de Janeiro, em tempo recorde, com custo acessível, é o principal foco. “Queremos atender o maior número de pessoas possível, com os mais variados problemas, e contribuir para a não disseminação do coronavírus no transporte até o hospital e, principalmente, dentro dos hospitais, onde inevitavelmente os casos de contaminação estão sendo atendidos”, ressalta o Dr. Caio.

A eficiência e rapidez na implantação da plataforma (site, Facebook, Instagram) SOS em Casa foi possível pois Caio Abi-Haila já disponibilizava em sua empresa do grupo o serviço de teleinterconsulta (consulta feita somente entre médicos). Assim que o Ministério da Saúde anunciou que iria autorizar a telemedicina (consulta entre médico e paciente) ele montou um mutirão, contratou atendentes e transformou a antiga plataforma com a qual já trabalhava para atender pacientes que precisam realizar consultas neste período da pandemia.

Desta forma, no dia da publicação da Portaria nº 467, de 20/03/2020, a SOS em Casa estava em plena operação. Com um diagnóstico preciso, os pacientes podem se tratar, tirar dúvidas e aliviar o stress do confinamento e da falta de contato com médicos. Tudo isso com um preço acessível, praticamente de custo.

Descomplicca oferece atendimento para a classe C

Descompplica, startup de multibenefícios destinada à classe C, prestará serviços de telemedicina aos usuários do cartão durante emergência do coronavírus. O serviço conta com uma rede credenciada de 300 especialistas em saúde e começa a ser ofertado a partir do dia 30, de forma online em todo o Brasil. O atendimento inclui consultas, liberação de atestados e receita médica.

Para ter acesso ao serviço de telemedicina oferecido pela startup, o paciente deverá ser um usuário do cartão Descompplica e pagar uma mensalidade de R$ 29 mensais. Além de telemedicina e saúde, outros benefícios como crédito, empréstimo, conta bancária e apoio a microempreendedores também são oferecidos. Com o serviço de telemedicina, a startup espera intermediar o atendimento médico à distância de mais de 40 mil pessoas.

“A liberação do uso da telemedicina pelo Ministério da Saúde veio na hora certa. Essa medida pode reduzir o grau de exposição ao risco de infecção pelo coronavírus, e os pacientes que necessitarem de consultas básicas poderão realizar à distância. Nosso objetivo é prezar para que o atendimento entre médico e paciente seja realizado com qualidade e eficiência, levando as pessoas a adotarem esse método para evitar ao máximo sair de casa no período de quarentena”, explica Raissa Urbano, CEO da Descompplica.

Doctoralia: gratuito para órgãos do governo

Plataforma de agendamentos de consultas on-line, a Doctoralia  passou a disponibilizar a tecnologia de telemedicina a profissionais de saúde e pacientes e de maneira gratuita a órgãos do governo. A medida foi implementada com agilidade para que a assistência à saúde pudesse ser mantida durante o período de isolamento. As especialidades mais buscadas foram psicologia, psiquiatria, urologia, ginecologia e dermatologia. Somadas a outros países em que a Doctoralia está presente, mais de 34 mil consultas foram agendadas pela plataforma.
Para ampliar o número de profissionais atendendo via telemedicina, reduzir o deslocamento de pacientes em centros médicos e, assim, conter o avanço do contágio pelo coronavírus, a Doctoralia oferece aos seus clientes Premium interessados, a adesão gratuita à ferramenta. No novo formato de visualização da plataforma, os especialistas que oferecem atendimento remoto ganham destaque.
Usando filtros em suas pesquisas, os pacientes podem acessar rapidamente médicos com o calendário de telemedicina ativado. Dentro do perfil do profissional, será apresentada a possibilidade do uso da tecnologia. Os profissionais que já possuem interesse imediato, podem  acessar diretamente a opção.
O serviço de telemedicina oferecido pela Doctoralia, além de permitir a continuidade do tratamento, garante a proteção dos dados pessoais, pois segue o padrão americano de criptografia avançada AES e está de acordo com a General Data Protection Regulation – GDPR, a Lei Geral de Proteção de Dados europeia.

Dúvidas sobre Covid-19? Pergunte ao Especialista! – Embora muito já tenha sido falado sobre a doença, as pessoas ainda têm dúvidas relacionadas a condições específicas de saúde. Para ajudar no esclarecimento, a Doctoralia disponibilizou um canal de comunicação gratuito sobre o tema, o ‘Pergunte ao Especialista’.

Atendimento infantil via telemedicina

O Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, passou a usar a plataforma de telemedicina da Conexa Saúde. A teleorientação por videoconferência foi iniciada no pronto-socorro, com uma equipe de 10 médicos, e está sendo ampliada em especialidades pediátricas como cardiologia, neurologia, entre muitas outras. O pediatra pode ver a criança e escutar suas queixas e de seus pais ou responsáveis, esclarecer dúvidas, orientar tratamento domiciliar ou a necessidade de ir ao pronto-socorro para melhor avaliação da equipe ou realização de exames.

O supervisor médico do Pronto-Socorro do Sabará, Thales Araújo Oliveira, diz que a proposta do serviço é facilitar o acesso aos médicos preservando a orientação de isolamento social no atual cenário da pandemia do novo coronavírus. “A unidade atende nesta época do ano cerca de 300 pacientes por dia, a maioria casos de bronquiolite, uma infecção respiratória viral sazonal. Com as aulas suspensas e as crianças em casa, esse número caiu para 100. Também mudou o perfil dos casos.

“Deixamos de ter muitas crianças com bronquiolite, por conta da quarentena que contribui para diminuir o contágio de todos os vírus, para ter mais pacientes vítimas de acidentes doméstico, como quedas”, informa o médico. Um protocolo determina as situações que esse atendimento pode ser utilizado. Dessa forma é possível fazer uma triagem por videoconferência e direcionar cada paciente adequadamente sem que ele precise vir desnecessariamente ao pronto-socorro.

Apesar da Covid-19, muitas crianças apresentam doenças graves e precisam de cirurgias e atendimento especializado contínuo. O Sabará criou um fluxo separando os pacientes com sintomas respiratórios dos outros, aumentando a segurança do hospital”, diz Rogerio Carballo Afonso, gerente médico de Telemedicina. 

O serviço atende problemas como resfriados simples, gripe, dor de garganta, tosse, dores de cabeça, alergia, rinite alérgica, sangramentos nasais ou vermelhidão nos olhos, além de esclarecer dúvidas relacionadas à infecção por coronavírus, entre outros. Para implementar o serviço, a equipe de médicos recebeu treinamento da Conexa sobre o uso da plataforma. “Ao investir em telemedicina, o Sabará segue a tendência das instituições de saúde no momento”, diz. 

Cuidas lança consultas online com médicos de família

Unindo know-how em saúde e tecnologia, a health tech Cuidas, que recentemente disponibilizou atendimento médico online e gratuito por 30 dias para PMEs do Estado de São Paulo, agora expande seus serviços e anuncia seu novo produto: Cuidas Digital, uma plataforma de telemedicina e atendimento a distância para empresas de todo o Brasil.

Em seu serviço principal, a empresa foca no tratamento integral de cada um do colaboradores das empresas parceiras, levando os melhores médicos e enfermeiros de família até seu local de trabalho, para que realizem atendimentos de forma personalizada, focando nas individualidades de cada paciente, não só em suas doenças.

O brasileiro está acostumado a sentir dor de cabeça e ir ao neurologista, a passar mal e ir ao Pronto-Socorro. No Brasil, para se ter uma ideia, 73% do primeiro atendimento são na emergência. Então, ainda existe uma cultura muito forte de focarmos direto nos especialistas e na própria emergência, negligenciando uma visão holística e um foco preventivo do cuidado com a saúde”, afirma Matheus Silva, CEO da Cuidas.

Em recente posicionamento, a startup decidiu remanejar todos seus atendimentos presenciais e passará a fazê-los somente via aplicativo de mensagens e chamadas de áudio ou vídeo, por precaução contra o coronavírus. A startup, fundada em 2018, começou suas atividades atendendo pequenas e médias empresas de São Paulo e lança sua plataforma de atendimentos e consultas com médicos de família em todo o país.

No modelo tradicional da Cuidas, a empresa oferece, por meio de um serviço de assinatura de saúde, uma equipe de médicos e enfermeiros de família para acompanhar os colaboradores da empresa contratante, seja por atendimento presencial ou por consultas on-line. Já na Cuidas Digital, todo o atendimento será realizado remotamente, apenas por médicos de família. Em ambas plataformas, paciente e médico têm acesso a agendamento de consultas, dados de saúde e histórico do paciente. A ideia é realizar um acompanhamento individual e preciso, adaptado às necessidades de cada um.

Em um momento de crise mundial gerada pela pandemia do coronavírus, empresas que são especializadas em saúde vêm sendo cobradas e acionadas mais do que nunca. Isso não é diferente para as startups do setor, conhecidas como healthtechs; por aliarem inovação e tecnologia, elas oferecem soluções importantes que podem auxiliar a população e os profissionais de saúde a enfrentarem e superarem a situação.

O Cubo Itaú, mais relevante centro de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, possui desde agosto de 2018 uma vertical dedicada a soluções inovadoras em saúde, o Cubo Health – cujas startups possuem diversas propostas de orientação médica remota, acompanhamento de tratamentos, psicológico e ações de conscientização, que ajudam a combater e controlar a proliferação do COVID-19 no país.

“A telemedicina torna os processos médicos mais ágeis e aumenta a resolutividade dos atendimentos, evitando assim visitas desnecessárias a emergências e levando o acesso a médicos para todo Brasil. Em momentos como esse, ela se torna essencial, ajudando a desafogar hospitais. Está claro que se existia alguma dúvida em relação a importância das healthtechs, não deve haver mais”, fala Renata Zanuto, co-head do Cubo.

Segundo Thiago Julio, gerente de inovação aberta da Dasa, sponsor da vertical de saúde do Cubo, as startups de telemedicina tiveram um aumento significativo na demanda recentemente, gerando um desafio muito grande. “Ninguém teve tempo de se preparar de fato para este momento”, explica.

“Existem startups que estão no front, atendendo pacientes e ajudando a salvar vidas, e que estão com o desafio de escalar, assim como as grandes empresas. E aí abre uma oportunidade para novos serviços, regulamentação e até de investimento, pois governo e instituições fomentadoras vão querer investir nas healthtechs”, diz o especialista. Para ele, a atual crise gerará uma guinada positiva para o setor, que será marcado por antes e depois do coronavírus – mostrando ao mercado que as startups de saúde são eficientes e necessárias não só para momentos de crise, mas para o desenvolvimento da saúde pública.

Saúde mental e outras soluções

Em tempos de isolamento social, a saúde mental também precisa ser cuidada e olhada de perto. Duas startups residentes do Cubo já trabalham neste tema e oferecem soluções alinhadas com as necessidades causadas pela crise.

A Telavita é uma plataforma de saúde digital, na qual o paciente pode realizar consultas online com profissionais de saúde de alta qualidade em qualquer momento e de qualquer lugar. E a Vittude está revolucionando o mercado de saúde mental e qualidade de vida, promovendo acesso à psicoterapia e chegando a pessoas que moram em mais de 50 países – e uma base atual de 3 mil psicólogos e 14 mil pacientes,

Além dessas, outras empresas têm se se mostrado essenciais. Uma delas é a Hisnëk, que usa a inteligência artificial Ivi para interagir com colaboradores de empresas de forma dinâmica e efetiva, promovendo saúde e prevenindo de doenças. A ferramenta é responsável por gerar dados populacionais de qualidade de vida e bem-estar, guiando as ações de prevenção, manutenção de saúde e bem estar focando em 3 pilares: alimentação e nutrição, saúde mental e atividade física.

Já a Conexa e Docway oferecem orientação médica por vídeo, com atendimento humanizado e tecnológico para operadoras de saúde, hospitais e pacientes diretamente. E a Cuco Health atua no acompanhamento de tratamentos ajudando pacientes crônicos a melhorarem sua adesão medicamentosa, facilitando a recompra e o controle, além de ajudá-los na compreensão sobre a doença gerando dados para a equipe de saúde responsável. Mais do que nunca, é importante manter as pessoas saudáveis.

Ainda há também as startups que olham para os médicos e sua saúde financeira neste momento de crise – uma categoria composta de muitos autônomos. A Medicinae é uma health fintech que faz adiantamento de recebíveis para médicos, além de ajudar os médicos a terem visibilidade da saúde financeira do consultório.

Para Thiago Julio, da Dasa, está claro que essas startups terão muito trabalho pela frente, mas estarão robustas no pós-crise. “O mundo está conectado e as soluções virtuais para períodos de afastamento social deixam clara a importância do digital. Acredito que as de telemedicina vão sair em outro patamar. Após essa crise vai ficar evidente que as startups fazem parte do sistema de saúde, assim como os laboratórios, hospitais e operadoras”.

Health Techs – panorama do mercado brasileiro

Segundo dados da ABStartups, o Brasil é o maior mercado de saúde da América Latina e o sétimo maior mercado de saúde do mundo, com mais de US﹩ 42 bilhões gastos anualmente em cuidados de saúde privados.

Com um mercado tão aquecido e carente de soluções de base tecnológica para suprir suas necessidades, vemos crescer nos últimos anos as startups com produtos e serviços voltados à vertical de saúde.

O país tem atualmente 353 startups de healthtech, segundo dados do Startupbase. Dessas, 34,8% estão concentradas no estado de São Paulo. Em relação ao nível de maturidade das startups nesse segmento, 46,4% delas estão em fase de tração e 30% em fase de operação.

Sobre Portaria do Ministério da Saúde 

telemedicina é “o exercício da medicina à distância, cujas intervenções, diagnósticos, decisões de tratamentos e recomendações estão baseados em dados, documentos e outra informação transmitida através de sistemas de telecomunicação”, conforme foi definida na Declaração de Tel Aviv, em 1999.

Naquela época, já se pensava na normatização dessa forma de consulta. A ideia da telemedicina surgiu, no entanto, com avanços nos meios de comunicação, e pode ser ligada ao uso do telefone, da internet e até das cartas, quando eram essas o meio mais comum para se comunicar. Assim, a prática segue as mudanças tecnológicas e, portanto, é constantemente atualizada. O objetivo é fazer chegar saúde às pessoas que não podem se deslocar ou não têm acesso a postos ou hospitais, uma situação comum no Brasil e evidenciada nas últimas semanas.

A oferta do serviço telemedicina, que é o atendimento médico à distância, faz parte de uma regulamentação divulgada no dia 23 de março, pelo Ministério da Saúde, como forma de combate ao coronavírus. O Conselho Federal de Medicina permite algumas modalidades de atendimentos médicos à distância durante o período de calamidade e emergência de saúde pública decretado pelo Governo Federal.

A decisão autoriza o atendimento pré-clínico de pacientes, suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico. Atestados e receitas médicas também poderão ser oferecidos, se estiverem com assinaturas eletrônicas por meio de certificado reconhecido e identificação do médico e paciente. Os médicos devem registrar o atendimento em prontuário e inserir dados como horário da consulta, informações do paciente e número do CRM. Casos de identificação do coronavírus devem ser notificados à rede de saúde.

A doutora em Direito Civil Paula Moura Francesconi de Lemos Pereira, especialista em Direito Médico e advogada do Hospital Icaraí e da Clínica São Gonçalo, acredita que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais que regulam o atendimento pela telemedicina ainda são conservadores, mas a situação atual vai evidenciar experiências que podem fortalecer o debate sobre o tema em futuro próximo. O Senado Federal aprovou, no dia 31 de março, o projeto de lei que libera uso da telemedicina durante a pandemia do Covid-19 (PL 696/2020). Agora, o projeto aguarda sanção presidencial.

No Brasil, a telemedicina esbarra nas normas que não são muito claras e em questões práticas quanto à oferta do serviço de saúde e suas tecnologias. Mesmo assim, para a doutora Paula Francesconi, as barreiras e dificuldades de acesso ao atendimento presencial em várias regiões do país, inclusive por causa da extensão territorial e disparidades econômicas, reforçam a necessidade de regulação do atendimento por telemedicina.

“Não se pretende que a telemedicina substitua totalmente qualquer atendimento. É claro que os exames físicos são fundamentais para vários tratamentos. Mas, por vezes, um diálogo ou uma orientação ao paciente é essencial, ainda que por videoconferência”, explica.

“Desse cenário caótico vamos tirar tudo o que é bom e o que não funciona. A tecnologia existe para nos ajudar, e precisamos nos adaptar. A ideia já estava sendo amadurecida, deve trazer sim todas as ressalvas que protejam tanto o médico quanto o paciente, e que permitam que telemedicina se enquadre em todas as normas jurídicas”, pondera a doutora, autora da tese Responsabilidade Civil nos Ensaios Clínicos. Ela entende que a proteção de dados é um ponto fundamental de cuidado para a prática, a qual oferece boas alternativas ao exercício da medicina, se utilizada da forma correta. “Sem dúvida é um caminho que podemos adotar”, diz.

Modalidades de telemedicina

telemedicina pode ser exercida de diferentes maneiras. Na teleorientação os profissionais da medicina realizam a orientação à distância e o encaminhamento de pacientes em isolamento. O telemonitoramento está relacionado à orientação e supervisão médica para monitoramento à distância de parâmetros de saúde e/ou doença. Já a teleinterconsulta significa a troca de informações e opiniões entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

As modalidades já reguladas, antes da pandemia, são a tearradiologia (Resolução CFM Nº 2.107/2014) e a telepatologia (Resolução CFM Nº 2.264/2019, que define e disciplina a telepatologia como forma de prestação de serviços de anatomopatologia mediados por tecnologias).

Exemplos do emprego da telemedicina em outros países

A telemedicina tem sido usada por outros países no combate ao vírus e esses serviços podem servir de exemplo ao Brasil:

– Na China, A Baidu Inc., provedora de uma plataforma de consulta médica on-line, denominada Wenyisheng (“Pergunte ao Doutor”), atende hoje a cerca de 850 mil consultas gratuitas diariamente. Dessas, 400 mil estão relacionadas as dificuldades de respiração dos indivíduos, sendo esse número 40 vezes maior do registrado no ano anterior.

Outra provedora de serviços médicos on-line, a Alibaba Health, excedeu 100 mil consultas diárias a partir de 29 de janeiro, sendo que alguns de seus médicos estavam fornecendo mais de 200 consultas por dia (quick guidance consultation).

– No Canadá, por exemplo, as autoridades estão aconselhando o paciente com desconfiança de COVID-19 a primeiro acionar uma linha direta de cuidados remotos, chamada Telehealth Ontario, antes de se deslocar para qualquer unidade de saúde.

– Quando o navio de turismo Diamond Princess ficou retido no Japão por causa do vírus, Israel colocou três fornecedores de telehealth monitorando os israelenses a bordo, em tempo real e por meio de comunicação médica remota.

Com Assessorias

 

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