Homem que fuma tem mais risco de ter câncer de boca

Brasil já ocupa a terceira maior incidência de câncer bucal do mundo, com cerca de 15 mil casos por ano: 83% dos homens com a doença são fumantes ou ex-fumantes

Redação
homem que fuma tem maior risco de ter câncer bucal

Os números alarmantes acendem um sinal vermelho. O Brasil já ocupa a terceira maior incidência de câncer bucal do mundo, de acordo com Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença na cavidade bucal está entre os 10 tipos mais frequentes: são 14 mil novos casos por ano, levando 4 mil brasileiros a óbito. O câncer bucal é indicado como o quinto câncer que mais atinge homens no Brasil. Em 2014 o número de novos casos aumentou de 9.990 para 11.280. Em mulheres, este índice cai ano após ano.

Na série de matérias sobre câncer, que ViDA & Ação divulga nesta Semana Mundial do Combate ao Câncer, destacamos o aumento dos casos, especialmente entre homens no Brasil, por conta, principalmente, do consumo de cigarro e de álcool. Os dados indicam que 83% dos homens com câncer de cabeça e pescoço –mais conhecido como câncer de boca – são fumantes ou ex-fumantes. 

Entre os pacientes tratados, 60% têm tumores localizados na boca e 40% na faringe ou laringe. Só na região Sudeste, a estimativa é de 5.920 novos casos no sexo masculino, representando a quarta maior incidência de câncer. Já no estado de São Paulo o número é alarmante, com registro de mais de 3 mil novos casos a cada ano.

Simples afta pode indicar a doença

 

câncer de cavidade oral tem mais incidência em homens acima de 50 anos e costuma ocorrer na parte posterior da língua, mas outras regiões como o assoalho bucal, lábios, as bochechas, gengivas, glândulas salivares, amígdala e o céu da boca também podem ser afetadas. Por ser uma doença que apresenta sintomas sutis, é preciso sempre estar atento aos primeiros sinais.

Uma afta insistente é um sintoma que pode até passar despercebido, mas na realidade, pode representar um forte alerta para o tumor orofaríngeo, câncer de boca. Sangramento repentino, feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou vermelhas qualquer lesão desse tipo que permaneça por mais de 15 dias na boca deve ser investigado com atenção. Nódulos na região, dor e dificuldade para mastigar ou engolir são outros sintomas que podem aparecer.

câncer de boca é silencioso e muitas vezes indolor, por isso, o autoexame é fundamental para evitar que a doença seja apenas detectada em estados mais avançados”, afirma Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia – CPO, unidade São Paulo do Grupo Oncoclínicas.

Chances de cura em até 90% dos casos

Valdomiro Marques Junior, odontologista diretor do Centro de Odontologia Preventiva Avançada EllEVEN, afirma que visitas periódicas ao dentista podem salvar vidas, assim como a realização do checkup preventivo digital. O exame é feito com uma câmera intraoral, que aumenta em 60 vezes o tamanho dos dentes e tecidos moles (gengiva, língua, bochechas, lábios e mucosas), permitindo ao profissional uma visualização de lesões em estágio inicial, o que propicia uma intervenção rápida e precoce do tratamento.

Detectadas em fase inicial, as neoplasias têm de 80% a 90% de chances de cura. Evitar cigarro e álcool também é uma medida que contribui diretamente para a saúde bucal”, explica Dr. Valdomiro Marques Junior.

Os principais sinais de um câncer bucal são aftas persistentes por mais de duas semanas, manchas brancas ou vermelhas espontâneas e nódulos que começam como caroços pequenos e devem ser avaliados com urgência.

Consumo de álcool e cigarro

câncer bucal costuma atingir a cavidade interior da boca, afetando a mucosa intraoral das bochechas, língua, céu da boca, amídalas e até a região do pescoço, em casos de metástase. Pessoas com idade superior a 40 anos têm maior chance de desenvolver o tumor. Mais comum entre os homens, o vício de fumar cachimbos e cigarros, o consumo de álcool, a má higiene bucal e o uso de próteses dentárias mal ajustadas são outros fatores que podem levar à doença.

“Tabaco e bebidas alcoólicas são responsáveis por 75% de todas as neoplasias da cabeça e pescoço e têm um efeito multiplicativo quando combinados. Outros fatores de risco, como os traumas crônicos causados por dentes ou próteses, fatores ligados a dieta e contaminação pelo HPV possuem um impacto menor”, explica o cirurgião oncológico Ricardo Antunes, do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Assim como em outras neoplasias, o quanto antes for diagnosticado, melhores são as chances de cura. Dr. Antunes esclarece que o diagnóstico do cânceroral é feito com facilidade, mas ressalta que a maioria dos pacientes ainda não possuem conhecimentos necessários para tal cuidado. “Apesar da facilidade com que o diagnóstico poderia ser feito na maioria dos casos de câncer na cavidade oral, infelizmente a realidade mostra um atraso no diagnóstico, atribuído à evolução inicial pouco sintomática, à falta de conhecimento dos pacientes sobre a doença, às dificuldades de acesso ao sistema de saúde e ao despreparo dos profissionais. Além disso, o baixo nível socioeconômico está ligado ao aumento nos casos desse tipo de câncer”.

 

Estilo de vida dita os fatores de risco

O desenvolvimento do câncer de boca está muito relacionado ao estilo de vida. O fumo e o álcool ainda são os principais fatores, com 90% dos casos associados a esses hábitos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nos últimos anos, o HPV também tem sido um fator principal para o surgimento da doença, inclusive entre jovens. O contato sexual, principalmente no sexo oral, é a principal forma de contaminação.

“Apesar do número de fumantes ter diminuído, em apenas 20 anos esse tipo de câncer aumentou cerca de 225%. O principal fator pode ser o papiloma vírus, que é capaz de acelerar o desenvolvimento desse tumor”, salienta Andrey.

A higiene oral feita de forma precária e inadequada, uma dieta pobre em minerais e vitaminas e a exposição aos raios UVA e UVB sem proteção nos lábios também podem contribuir para o aparecimento da doença.

O tratamento será determinado de acordo com a localização e o estágio da doença. “Para cada caso desenvolvemos um tratamento específico que pode combinar a cirurgia para a retirada do tumor, quimioterapia e a radioterapia”, explica Andrey Soares.

Quando a doença é diagnosticada ainda no início, as chances de sucesso podem chegar a 90% quando o paciente realiza um tratamento adequado. Nos casos em que a doença atinge um estágio avançado, esses índices apontam uma médica de 40%.

Tratamento odontológico e prevenção

Segundo o Inca, a cirurgia e a radioterapia são os tratamentos mais indicados em casos de câncer de boca. Além disso, o acompanhamento odontológico – que é, inclusive, indicado para pacientes com qualquer tipo de cânceradmitidos em quimioterapia na instituição – é indispensável no tratamento direto nos casos de tumores na boca, no pescoço e na cabeça.

“Todos os pacientes passam pelo dentista e recebem orientações de possíveis efeitos colaterais do tratamento oncológico na cavidade oral”, explica Dr. Romano Mancusi, dentista e estomatologista do IPC. De acordo com o especialista, as principais alterações causadas são: mucosite oral, xerostomia, carie de radiação, osteorradionecrose e infecções. Todas elas podem ser prevenidas, minimizadas e tratadas com o cirurgião dentista presente na equipe multiprofissional.

A partir daí, passamos as instruções com foco na prevenção e atenuação desses efeitos. No caso dos pacientes com tumores de cabeça, boca e pescoço, que são os que mais necessitam do tratamento odontológico, o acompanhamento é feito a curto, médio e longo prazo”.

O autoexame na cavidade oral é indicado para todas as pessoas acima de 40 anos e deve ser realizado diariamente, observando as gengivas, bochechas, céu da boca e língua. A melhor forma de se prevenir é evitar hábitos como fumar e beber, além de utilizar protetor solar labial e ir ao dentista periodicamente. Viver de forma saudável, com boa alimentação e a práticas de exercícios físicos são hábitos que possibilitam a prevenção não só dessecâncer mas para qualquer outro tipo de neoplasia.

Principais medidas de prevenção

– Evitar bebidas alcoólicas
– Evitar a associação de bebida alcoólica e cigarro
– Procurar ajuda para parar de fumar
– Fazer uma boa higiene bucal
– Manter dentes e próteses sempre em bom estado
– Evitar exposição ao sol ou usar protetor labial
– Fazer sexo oral com proteção (camisinha)
– Preferir alimentação saudável
– Visitar o dentista regularmente
– Fazer o check-up preventivo digital

Da Redação, com Assessorias

 

 

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