Controlar o diabetes é também cuidar dos seus rins

Doenças renais podem atingir 30% dos diabéticos. Quanto mais tempo sem tratar a diabetes, mais chances de acelerar a doença renal crônica

O aposentado mineiro Geraldo Magela Mota Coelho tinha 71 anos quando de repente sofreu uma crise de náuseas e vômitos. Algum tempo antes havia descoberto a diabetes. “Ao saber que teria que fazer a hemodiálise me senti derrotado, mas logo depois entendi que seria o tratamento que me daria mais dias de vida que poderiam me restar. Iniciei uma nova e perfeita fase de vida, com muito apoio. Eu temia agulhas, o maior suplício era imaginar que aqueles procedimentos quase diários”.

Não foi fácil, para mim, aceitar aquela nova realidade, de uma rotina e de uma dependência que para mim eram inimagináveis, mas me convenci de que era urgente e necessário que eu com elas me conformasse e me adaptasse. Hoje, essa dorzinha já se transformou como um momento sagrado, quase que agradável, que me faz pensar no amor que precisamos ter pela vida e na importância de valorizar os momentos mais simples, que no passado ficavam despercebidas”.

Até um terço dos diabéticos pode desenvolver doença renal crônica e muitos chegam a atingir a fase terminal – quando os rins param de funcionar completamente e somente a hemodiálise ou o transplante garantem a manutenção da vida. Segundo a Confederação Internacional de Diabetes, o diabetes mellitus afeta 425 milhões de adultos no mundo. Somente no Brasil, são 16 milhões, cerca de 5% da população. Médica especialista em rins, Lecticia Jorge alerta para o efeito nocivo da comorbidade no funcionamento de todo o organismo e para o surgimento de complicações que podem levar à diálise.

“É comum as pessoas se preocuparem em comer menos alimentos com açúcares pensando apenas no emagrecimento. Porém, uma alimentação equilibrada e saudável não pode ser vista apenas como uma ferramenta estética. Na realidade, ela garante melhoria nos níveis de saúde como um todo. O diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose (açúcar) no sangue, o que acarreta diversas complicações, principalmente lesões vasculares”, afirma a nefrologista e gerente médica da Fresenius Medical Care.

Existe o diabetes mellitus tipo 1, que usualmente se apresenta na infância, caracterizado por um defeito nas células do pâncreas em produzir um hormônio chamado insulina, que é responsável por colocar a glicose dentro da célula. Sendo assim, na ausência desse hormônio, os níveis de glicose ficam altos no sangue. Porém, a maior parte dos pacientes diabéticos apresentam o tipo 2, que usualmente se manifesta após os 40 anos, e é caracterizado por uma resistência à insulina, o que acaba por também gerar um aumento dos níveis de glicose no sangue.

Má alimentação, sedentarismo e obesidade contribuem de forma muito relevante para esse aumento da resistência. Logo, a ingestão exagerada de açúcares, carboidratos, gorduras e sal é grande inimiga da boa saúde. Primeiro, podem vir a obesidade e a resistência à insulina. Mas os problemas vão progredindo à medida que envelhecemos, com complicações mais graves como hipertensão arterial, diabetes, doenças nos rins, nos olhos, no coração e até nos nervos”, explica a médica.

De acordo com a médica, os rins sofrem justamente porque o excesso de açúcar no sangue causa inicialmente uma hiperfiltração, que vai progressivamente lesando os vasos sanguíneos, reduzindo, com o passar do tempo, a capacidade de filtração dos rins.

“Alimentos com alto índice glicêmico, como farinhas brancas, batata e açúcar refinado, são responsáveis por jogar rapidamente na circulação sanguínea grandes quantidades de glicose. Com isso, geram a necessidade de uma liberação rápida de muita insulina para colocar esse excesso de glicose para dentro das células e, muitas vezes, esse excesso será convertido em gordura. Importante notar que, após esse pico de insulina e a entrada da glicose para célula, essa queda pode gerar fome e vontade de comer mais carboidratos de índice glicêmico alto.

Assim, a obesidade e a resistência à insulina vão sendo desenvolvidas. Para o rompimento desse círculo vicioso e maléfico, é necessária uma alimentação saudável, com uma dieta rica em alimentos cuja absorção dos carboidratos é mais lenta, evitando assim os picos de insulina, como fibras, verduras e legumes de baixo índice glicêmico. E a prática regular de exercícios físicos. Estes são os aliados mais importantes”, afirma Lecticia Jorge.

O diabético também é mais propenso à desidratação, a infecções e ao desenvolvimento de cetoacidose – estado grave no qual o corpo produz ácidos sanguíneos em excesso, o que o deixa predisposto à insuficiência renal aguda.

Sintomas mais comuns da diabetes

Entre os sintomas mais comuns, estão o aumento e a frequência do volume urinário, sede exagerada e visão turva. Mas qualquer tipo de diabetes mellitus pode evoluir silenciosamente nas suas fases iniciais, sendo ainda mais comum no diabetes tipo 2.

Um dos assuntos mais procurados na internet sobre diabetes está relacionado à medicina natural. Farinha da casca do maracujá, chá de feno-grego ou de bardana e extrato de alho são alimentos de baixo valor calórico e ingeri-los pode complementar a alimentação da pessoa diabética, ajudando-a a perder peso, sem comprometer o seu controle da glicemia. “Entretanto, ainda não existem estudos científicos que ratifiquem os efeitos destes alimentos naturais. Conversar sempre com o médico é o mais indicado para tirar dúvidas”, lembra a médica.

Como prevenir a insuficiência renal?

O controle dos níveis de açúcar no sangue é fundamental por reduzir a hiperfiltração e preservar os vasos dos rins, reduzindo o risco de desenvolver a doença renal crônica. Cuidar da pressão, evitar sal e fazer exercícios físicos são medidas preventivas também essenciais.

“Além disso, o que se recomenda é fazer testes para medir a proteína albumina na urina e o nível de creatinina no sangue pelo menos uma vez por ano e, quando alterados, consultar um nefrologista. Evitar ingerir bebida alcoólica e fumar também é muito importante. Muitas pessoas com diabetes não desenvolvem a insuficiência renal crônica. Ser diabético nem sempre significa ter problemas renais“, orienta a médica da Fresenius Medical Care.

 

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