Covid-19: movimento cobra inclusão de vacina para adolescentes com diabetes

Correndo pelo Diabetes divulga petição pública pedindo inclusão na lista do PNI. Pediatra avalia imunizantes entre crianças e adolescentes

Anvisa já autorizou vacina da Pfizer para adolescentes entre 12 e 17 anos, mas Ministério da Saúde ainda não incluiu no PNI (Imagem: Pixabay)

Desde que foi divulgado que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa autorizou a aplicação da vacina da Pfizer para adolescentes entre 12 e 17 anos no Brasil, o assunto vem causando polêmica nas redes sociais. Afinal, você teria coragem de vacinar seus filhos contra a Covid?

Apesar de aprovada pela Anvisa é preciso que o Ministério da Saúde inclua essa faixa etária no Programa Nacional de Imunização (PNI) para que a vacina possa ser aplicada entre adolescentes de 12 a 17 anos. Para tentar acelerar a vacinação para esse público, está sendo divulgada uma petição pública para a inclusão imediata de menores 18 anos e maiores de 12 anos com diabetes tipo 1 no calendário de vacinação por comorbidades.

Para Lilian Pastore, diretora de Educação em Diabetes do Programa Correndo Pelo Diabetes (CPD), assim como houve a liberação de vacina para jovens acima de 18 com comorbidades, é imprescindível essa mesma liberação para crianças/adolescentes acima de 12 anos. Lilian explica que adolescentes têm mais risco de complicação do que jovens sem comorbidades na faixa etária de 18-30 anos. É necessário que seja lembrado que os adolescentes/crianças também têm comorbidades e deficiências permanentes”, esclarece.

Volta às aulas com mais segurança para adolescentes com diabetes

Lilian lembra que o Ministério da Educação prevê liberação de retorno às aulas presenciais no segundo semestre dentro de regras sanitárias gerais e capacidade de alunos determinada pela escola.  “São eles que possuem maior risco nessa faixa etária, além de ser um direito poderem retornar às aulas presenciais como as outras crianças e, desta forma, com maior segurança”, diz ela, ao divulgar o abaixo assinado. 

O retorno às aulas presenciais é prioridade para as crianças, porém com números em patamar tão elevado, os pais e as próprias crianças têm muito medo e insegurança em tomar a decisão de enviá-los à escola, fato que mudaria totalmente se estiverem vacinados. É um direito deles e um dever do Estado protegê-los e possibilitar retorno seguro”, comenta Lilian. 

O Correndo pelo Diabetes é uma organização sem fins lucrativos, que tem como objetivo social estimular a prática regular de atividade física como ferramenta de promoção da saúde e inclusão da pessoa com diabetes. Para participar do baixo assinado, acesse o link.

Você se sente seguro para imunizar seu filho?

O nosso corpo nasce com um verdadeiro exército que o defende de micro-organismos. Há barreiras físicas, como cílios, lágrimas e muco e outras invisíveis a olho nu: os nossos anticorpos. As vacinas são formas de treinar esse exército para que saiba como, quando e contra quem lutar. Extremamente seguras, as vacinas salvam a vida de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo anualmente e são desenvolvidas seguindo rígidos protocolos de segurança. Mas contra a Covid ainda não há estudos envolvendo a vacinação em crianças.

Para o médico pediatra Paulo Telles, especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o caminho para a vacinação pediátrica exigirá uma expansão gradual de grandes testes com adultos e adolescentes e, em seguida, em crianças mais novas. “A vacina da Pfizer foi aprovada pelo FDA para adolescentes a partir dos 12 anos. Nenhum estudo está sendo feito com crianças abaixo dos 5 anos de idade”, lembra.

Em novembro de 2020, a norte-americana Pfizer anunciou que teve 90% de sucesso na imunização de pacientes voluntários. A discussão tem sido alvo de disputa política e discussões acaloradas. “Acredito que as vacinas são seguras e estejam passando pelos protocolos necessários, mas é importante destacar que a maioria das crianças foi marginalizada e seguem fora dos estudos das vacinas”, alerta.

Risco da vacina x riscos da Covid em crianças

Ainda de acordo com o médico, será necessário uma série de estudos robustos sobre eficácia e segurança do imunizante e avaliação criteriosa sobre os efeitos colaterais antes de chegar ao público infantil. Para o Dr. Paulo, o ponto mais importante a ser discutido é o risco da vacina versus os riscos da Covid-19 em crianças.

Quase um ano após o primeiro caso de infecção que, nas crianças, a doença é leve, sem maiores riscos e sem diferença em termos de gravidade e complicações quando comparados a outros quadros virais aos quais nossos filhos são expostos há séculos e com os quais convivem muito bem”, diz o médico.

Em média, crianças que frequentam escolas podem ter de 8 a 15 casos virais por ano sem precisarem ser isoladas. “Com isso, quero dizer que não podemos tolerar nenhum efeito colateral nos testes das vacinas, já que a Covid-19 é benigna em crianças. E os números provam isso: dos 1,1 milhões de testes positivos no Brasil, 2,5% foram em crianças até 9 anos e só 0,1% dos óbitos foi neste público, segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo“, destaca Dr. Paulo.

Todos os especialistas concordam que os dados pediátricos são vitais para o lançamento da vacina e o licenciamento de uma imunização para uso no público infantil não pode ser baseado só em dados de adultos.

As vacinas mudaram o curso da mortalidade infantil ao longo do último século e sou 100% a favor delas, mas neste caso, precisamos pensar no quanto os pais se sentem confortáveis em inscrever seus filhos para uma vacina experimental e devemos reforçar a importância da vacinação contra outras doenças”, destaca o pediatra, lembrando que os índices de vacinação nas crianças caíram abruptamente em 2020.

Ainda de acordo com o especialista, optar por não vacinar a criança não é uma decisão individual, mas sim coletiva, porque pode atingir toda a sociedade e permitir a volta de doenças já eliminadas da circulação, como aconteceu com o sarampo. “É fundamental levar informação, quebrar conceitos errados, preconceituosos e lutar contra a desinformação das redes sociais”, destacou.

É fundamental desenvolver na população a importância da saúde coletiva para a erradicação de doenças, uma vez que lutamos há séculos contra agentes invisíveis e, “neste momento de pandemia, sentimos na pele e de forma radical como nossas vidas são frágeis e como precisamos pensar na saúde de forma coletiva”.

Com Assessorias

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